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Coluna do Dr. Marcelo Freitas – Os bons morrem cedo!

Coluna do Dr. Marcelo Freitas – Os bons morrem cedo!

O cantor e compositor brasileiro Renato Russo, célebre por ter sido o vocalista fundador da banda de rock Legião Urbana, é o autor da música que inspira o título deste texto: Os Bons Morrem Jovens!

Em canção que nos faz refletir sobre a brevidade da vida, dedicada a pessoas que ele admirava e que deixaram esse mundo cedo demais, Renato dizia: “É tão estranho, os bons morrem jovens, assim parece ser, quando me lembro de você, que acabou indo embora, cedo demais”.

Do livro do Eclesiastes, parte dos escritos atribuídos tradicionalmente ao Rei Salomão, extrai-se que “para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus: tempo para nascer, e tempo para morrer; tempo para plantar, e tempo para arrancar o que foi plantado”. Mas não nos preparamos! A dor da perda é implacável! É como uma flecha cravada no peito! Só quem um dia perdeu sabe o estrago que fica no coração! E como dói…

Ninguém, em juízo perfeito das razões, deixa de chorar com a dor da morte. É pior do que pedra nos rins. Dói mais que dor de dente. É maior que a dor do parto. Supera a dor da angina. A única saída é chorar.

Dizem que a morte é apenas o último caminho que todos temos que tomar. Leigos ou letrados, jovens ou não, a história nos relega passagens de grandes homens e mulheres que dedicaram parte de sua obra a este espinhoso tema. Sócrates, filósofo ateniense do período clássico da Grécia Antiga, dizia que “a um homem bom não é possível que ocorra nenhum mal, nem em vida nem em morte”. É preciso fé! O escritor chinês Mo Yan, por sua vez, afirmava que “onde a vida existe, a morte é inevitável. Morrer é fácil; viver é que é difícil. Quanto mais dura a vida se torna, mais forte é a vontade de viver. E quanto maior o medo da morte, maior a luta para continuar a viver”. Prefiro, entretanto, as palavras de uma das figuras mais importantes do Alto Renascimento, Leonardo da Vinci, quando afirmava: “Que o teu trabalho seja perfeito para que, mesmo depois da tua morte, ele permaneça”.

Caro leitor, fiz esta breve digressão no mais profundo desiderato de render as mais sentidas e justas homenagens àquele que recentemente se foi. Partiu abruptamente! Deixou saudades e foi habitar à destra do Criador! Peço permissão, assim, para relatar um pouco sobre pessoa que, em vida, se assemelhou ao filho de Deus na terra. Por suas palavras, gestos e ações. Coisa rara em dias de tanto declínio moral.

Para tanto, volto um pouco no tempo. Ao período de minha infância, marcada por momentos de extrema pobreza financeira. As dificuldades eram muitas. Mas lembro-me com carinho da figura do meu tio José Admilson. Carinhosamente chamado de tio “Dimilso”. Figura simples, acolhedora. Quase sempre de chapéu na cabeça. Receptivo. Em sua casa, nunca nos faltou um café com queijo, um frango na panela e um sorriso nos lábios. Nem o sol, a lua ou as estrelas tiveram a ousadia de vê-lo irritado. Nunca soube de um só grito seu com quem quer que seja. Pai admirável, marido invejável, trabalhador exemplar. Nem a seca destes sertões das gerais o tiraram o brilho dos olhos. Criou quatro filhos. Todos com a mesma altivez do pai.

Quis Deus que numa madruga quente deste mês de dezembro o derradeiro suspiro fosse dado. Às 03h fora atendido por um jovem médico. Às 06 h, já em casa, nos deixou. Faltou-lhe ar. Doeu-lhe o peito. O quarto ficou pequeno. A garagem foi seu aconchego. Escorado na parede, sucumbiu. Creio que fora infarto. Mas como muitos outros Josés, desabastados de nosso país, a causa da morte foi considerada indeterminada. Ainda dói e vai doer por um bom tempo, até se converter em saudade.

Aguinaldo Silva, cineasta e telenovelista brasileiro, dizia que “saudade é sentir que existe o que não existe mais. Saudade é o inferno dos que perderam, é a dor dos que ficaram para trás, é o gosto de morte na boca dos que continuam. Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade: aquela que nunca amou. E esse é o maior dos sofrimentos: não ter por quem sentir saudades, passar pela vida e não viver”.

Vivemos! Sentimos! Amamos! E a vida deve seguir adiante! Como diria Santo Agostinho, “a morte não é nada. Se dei bons exemplos, siga-os, se fui bom imitem-me, se deixei vocês com saudades, quando se lembrarem de mim façam uma oração, peçam meu descanso, meu repouso e que meu encontro com Deus, seja minha glória. Me deem o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como vocês sempre fizeram… Pensem simplesmente que nos encontraremos mais cedo ou mais tarde… Não tenham revoltas, não lamentem, apenas tentem compreender. Se não lembrarem de mim com alegria, vou ficar no meio do caminho, sem poder ir para onde tenho que ir, sabendo que nada posso fazer para voltar para vocês… A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado… Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do caminho… Vocês que ficaram, sigam em frente, a vida continua linda e bela como sempre foi”

* Dr. Marcelo Eduardo Freitas – Delegado de Polícia Federal e Professor da Academia Nacional de Polícia

Dr. Marcelo Freitas
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Um comentário

  1. Belo texto, em uma infinidade de textos ou informações dissociativas de verdade ou qualidade de escrita, se torna algo apreciável.