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Coluna do Alberto Sena – Grão Mogol: “PEQUISOLOGIA”, surge especialidade nova

Coluna do Alberto Sena – Grão Mogol: “PEQUISOLOGIA”,  surge especialidade nova

“Pequisologia” é a especialidade de quem se forma “pequisólogo”. Todos nós podemos nos tonar “pequisólogo”. Quem não conhece essa especialidade nova pergunta e respondo alto e em tom bom: pra ser “pequisólogo” o camarada deve saber tudo sobre pequi, o alimento mais rico em vitaminas (em 100 gr de polpa possui 200 mil Unidades Internacionais (UI) de vitamina ‘A’), vitaminas do complexo B, gorduras e sais minerais.

O primeiro passo dado por quem se interessar a registrar no currículo mais essa especialidade, é gostar de pequi, condição “sine qua non”. Devemos partir deste princípio, ninguém se dispõe de boa vontade a se especializar naquilo que não gosta. E se por acaso alguém se sujeitar a ser “pequisólogo” sem gostar de pequi, será semelhante àquele obrigado pelos pais a se formar em Direito sem ter a menor vocação.

Evidentemente, um “pequisólogo” formado contrariado nunca será daqueles de fazer parar o trânsito. Tempos atrás, na safra quase todas as casas de Montes Claros cheiravam a pequi na hora do almoço. Era divertido, e ao mesmo tempo estimulante do apetite. A gente ia passando às portas rumo a casa para almoçar e o cheirinho gostoso de pequi penetrava as narinas e batia no fundo do estômago esfomeado.

Voltando à nova especialidade, convém informar, um bom “pequisólogo” não pode ter no currículo o registro do uso de garfo e faca pra comer o primeiro pequi. Quem fez isso jamais será “pequisólogo” daquele de fazer sentir a aproximação do cheiro ao dobrar a esquina.

Para tornar-se bom “pequisólogo” é preciso ser, como se diz, “filho do pequi”. Dizem ser o pequi afrodisíaco. Não, não é. Pequi não contém nenhuma substância afrodisíaca. Afirmo baseado no depoimento do médico Hermes de Paula, autoridade no assunto. Ele dizia não haver nada disso.

E explicava: o pequi sendo fruto rico alimenta bem o sertanejo. E bem alimentado, ele faz filho um atrás do outro. Na apanha do pequi no sertão acontece também de amigos, vizinhos e outros embrenharem-se mato adentro e daí surgirem namoros, casamentos e nove meses depois os filhos do pequi. Portanto, é fundamental ser filho do pequi. E quem quiser saber se o é basta fazer os cálculos.

A safra de pequi começa no final do ano, mês de dezembro. Faça contagem regressiva. Entrego o meu caso como exemplo. Nasci em setembro. Pelas minhas contas, fui concebido em dezembro, safra de pequi. O meu caso com o pequi foi amor à primeira roída.

Na safra, em final de semana, lá ia meu pai e eu ao mercado fazer a feira e comprar pequi. Essa época do ano parece ser a mais completa de todas porque é safra não só de pequi, mas de manga e outras frutas de época. Aqui, em Grão Mogol, a gente pode bem verificar isso. E, é claro, aproveito ao máximo, porque comer frutos de época é muito mais saudável.

Mas o pequi tem o seu lugar em qualquer circunstância. Com ele não tem meio termo. Ou gosta dele ou não. Quem gosta, ama. Quem não gosta, detesta. Mas é preciso haver compreensão, saber da importância do pequi sob todos os aspectos, não só quanto à questão gastronômica.

Pequizeiro não é encontrado em todo o Cerrado, embora seja endêmico do Cerrado. Já foi sacramentado na literatura/poesia/música/repente etc. Merece estar aonde se encontra, nos píncaros da fama. Tornou-se hoje tão famoso que ganhou a 25ª versão da Festa Nacional do Pequi.

Do pequi nada se perde. Da castanha branquinha e saborosa se pode fazer uma porção de pratos. Pequi vira licor, doce e não sei mais o quê. Até os espinhos têm serventia para espetar a língua de algum desavisado. Se bem que já inventaram pequi sem espinhos.

De tudo isso e algo mais os interessados na nova especialidade – “pequisologia” – devem saber antes de se submeterem ao vestibular. As vagas para o curso novo são pouquíssimas. Podem ser contadas nos dedos de uma das mãos. Só quem tem quatro dedos numa das mãos não poderá fazer inscrição, em qualquer pequizeiro encontrado no sertão.

Ser “pequisólogo” depende também do estado de espírito de cada candidato. Quem tiver espírito de porco, não obterá êxito. Pior ainda será se o espírito de porco for de porco-espinho, porque bastam os do pequi. Ora, bolas e bolotas!

Por Alberto Sena

Alberto Sena
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