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Coluna do Paiva Netto – O ser humano foi criado para a Vida

Coluna do Paiva Netto – O ser humano foi criado para a Vida

O ser humano deve orgulhar-se de existir e lutar infatigavelmente pela Vida. Vencer a si próprio de modo a conquistar, para todo o sempre, sua dignidade espiritual, o tesouro que o ladrão não rouba, a traça não rói nem a ferrugem consome” (Evangelho de Jesus, segundo Mateus, 6:19). Vencedor é aquele que vence a si mesmo, preconiza antiga Sabedoria. Deus, que é Vida, para a Vida o criou. Dizia Napoleão Bonaparte que a melhor figura de retórica é a repetição. É bom reiterar esta advertência de Jesus: Deus não é Deus de mortos, mas de vivos. Por não o crerdes, errais muito” (Evangelho, segundo Marcos, 12: 27). Daí por que, quando o alcança a morte, dela não herda o esquecimento ou o ócio perenes, porém mais e mais Vida… Deus não nos criou para nos matar. Greene, o famoso escritor inglês, nas suas meditações concluiu esperançoso que “nosso mundo não é todo o Universo. Talvez exista um lugar onde Cristo não esteja morto”. Ora, sabemos com certeza que essa dimensão esplêndida é uma realidade. O próprio Mestre deixou no Seu Evangelho, segundo João, 14: 1 a 3, esta revelação confortadora aos Seus seguidores que, pelos milênios, perseverassem até o fim: 

Jesus conforta os Discípulos

1 — Não se turbe o vosso coração: crede em Deus, crede também em mim.

2 — Na casa de meu Pai, há muitas moradas. Se assim não fora, Eu volo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar.

3 — E, quando Eu for, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que onde Eu esteja, estejais vós também. 

Antes e depois da Vida, há Vida.

Sucumbem em erro os que buscam o suicídio, pois a parca lhes ofuscará os olhos, que procuraram a sombra de uma pretensa inação, com mais luz, isto é, mais Vida, a lhes cobrar severas contas de antigos compromissos assumidos. Antes e depois da Vida, há Vida e as incorruptíveis Leis que universalmente a regem. 

De Deus não se zomba

Recordemos o alertamento de Paulo Apóstolo: De Deus não se zomba. Aquilo que o Homem semear, realmente terá de colher” (Epístola aos Gálatas, 6: 7).

Assim está, de certa forma, o mundo nestes últimos tempos: suicida. Basta recordar os escassos resultados da conferência da ONU sobre o clima, recém-ocorrida* em Kyoto, Japão; isto sem falar nos encontros ecológicos de 1992, no Rio de Janeiro; e de 1972, na Suécia. 

A maior das reformas: a do homem.

A Terra é belíssima! Convida ao sucesso. Mas o homem nem sempre tem sabido respeitá-la. Por isso, a reforma precípua é a dele próprio. Urge, neste término de século e de milênio, que esta preceda as demais. Daí a importância da Educação com Espiritualidade, o mais seguro passo que uma nação pode dar em favor da liberdade de seu povo, pois, quanto mais ignorante for, mais escravo será.

A Vida é uma conquista diária. Uma lição de Fé Realizante a todo momento solicitada, para que não venhamos a cair na ociosidade, mãe e pai dos piores males que assolam o Espírito e enfermam consequentemente o corpo físico e o social. 

Água parada: lodo. Vida ociosa: inferno.

Bem a propósito estas palavras de Schopenhauer: “‘A Vida está no movimento’, disse com razão Aristóteles. Assim como a nossa existência física consiste unicamente num incessante movimento, nossa vida interior intelectual exige constante atividade, uma ocupação qualquer pela ação, pelo pensamento”. Observou Goethe que “Vida ociosa é morte antecipada”. E Oliver Goldsmith sugere: “Tal como a abelha, façamos do nosso ofício a nossa satisfação”. Deus é o Criador do Universo, Magna Vida, na qual sobrevivem todas as Suas criaturas. O Cosmo é, pois, dinâmica. Jesus, o maior dos pensadores, sintetiza tudo: Meu pai não cessa de trabalhar”. Nestes tempos de acentuada transição, nenhum país poderá desenvolver-se sem Educação e Cultura, Alimentação, Saúde e Trabalho, e a vivência da Espiritualidade para os seus componentes. A existência humana sem atividade produtiva e lazer é a própria morte para o cidadão.

* Artigo publicado no jornal Diário Popular, de São Paulo/SP, em janeiro de 1998.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor

José de Paiva Netto
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