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Montes Claros – Hospitais de Montes Claros estão em crise

Servidores do Aroldo Tourinho e Dilson Godinho reclamam do atraso de pagamento e más condições de trabalho.
A crise na saúde, combinada com a crise econômica nacional, tem levado alguns hospitais da cidade a descumprir compromissos. Inicialmente com a realização de cirurgias e exames e, agora, com o atraso no pagamento de salários. É o que funcionários dos hospitais Aroldo Tourinho e Dilson Godinho relataram à reportagem.

Servidores do hospital Aroldo Tourinho fizeram manifestação em dois dias consecutivos, em frente ao hospital
Servidores do hospital Aroldo Tourinho fizeram manifestação em dois dias consecutivos, em frente ao hospital

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Nos últimos dias, a reportagem  acompanhou as manifestações dos funcionários do Aroldo Tourinho, realizadas em frente ao hospital, na manhã de terça e quarta-feira, 19 e 20/01. Durante o protesto, os funcionários relataram estarem com salários atrasados, férias vencidas, falta de pagamento do vale-refeição e também reivindicavam melhorias nas condições de trabalho.

Nesta quinta-feira, os servidores conversaram novamente com a reportagem de O Norte e relataram outras dificuldades. Segundo um enfermeiro, que pediu para não ser identificado, a equipe de enfermagem do hospital e todos os funcionários com vencimento acima de R$ 1.300,00 estão recebendo o salário com pelo menos 20 dias de atraso.

De acordo com o enfermeiro, os médicos também não recebem há dois meses e vários colaboradores tiveram as férias suspensas.  Os que conseguiram sair de férias, ao voltarem, tiveram o pagamento assinado com data retroativa ao mês anterior. O vale alimentação está atrasado há dois meses.

Além da remuneração em atraso, o enfermeiro relata que estão faltando vários medicamentos, como antibióticos, analgésicos e diuréticos, pois o hospital não está pagando os fornecedores. Os servidores estão tendo que improvisar equipamentos para colocar medicamentos nos pacientes, como soro.

Nós estamos indignados com a falta de respeito da gestão do hospital, em não considerar que precisamos pagar nossas contas. Não estarmos conseguindo honrar nossos compromissos e muitos colegas estão pedindo dinheiro emprestado até para ir trabalhar – relata.

Um técnico em Enfermagem, que também pediu para não ser identificado por receio de desagravo, conta que após os protestos, o salário foi pago.

Estamos aguardando o próximo mês, caso atrase novamente, faremos novos protestos – promete. Segundo ele, a diretoria do hospital comunicou que as outras reivindicações serão regularizadas até fevereiro.

A reportagem de O Norte entrou em contato novamente com o hospital, mas a diretoria não quis se pronunciar.

SITUAÇÃO DO DILSON GODINHO

Na tarde de quarta-feira, funcionários do hospital Dilson Godinho procuraram a reportagem de O Norte relatando que o hospital está passando por situação similar à do Aroldo Tourinho.

De acordo com eles, no hospital Dilson Godinho os servidores estão recebendo o salário com atraso e também não recebem o vale refeição há três meses. Um deles disse que as férias marcadas para novembro, dezembro e janeiro foram canceladas por falta de verba e somente as pessoas que estavam com férias acumuladas tiveram o direito resguardado.

Outro problema relatado pelos funcionários é que estão faltando vários medicamentos no hospital e que eles estão sendo orientados a colocar no prontuário do paciente que tem o medicamento no estoque para que a instituição não seja penalizada.

Segundo os funcionários, a previsão era de que o salário fosse pago até o dia 22, e realmente foi pago no dia 19.

Mas até o momento a administração não esclareceu aos funcionários o que está acontecendo no hospital. Tudo que sabemos é pela rádio peão. Desde outubro eles estão atrasando os salários e agora cortaram até o vale refeição. Estamos passando vergonha quando passamos o cartão e aparece a mensagem de saldo insuficiente. Ligamos para a empresa responsável pelo cartão e falaram que o hospital não efetuou o pagamento. Procuramos o Ministério do Trabalho para denunciar, mas falaram que não podiam fazer nada, pois o responsável que averigua a situação estaria de férias. Isso é um descaso com nós trabalhadores – reclamam.

Em nota, o Hospital Dilson Godinho, informou que nenhum diretor foi encontrado para falar sobre os questionamentos.

GESTÃO ESTADUAL
Desde que o Estado assumiu a gestão plena do sistema de saúde de Montes Claros, a reclamação em relação aos serviços prestados pelos hospitais dos municípios só tem aumentado. Além dos problemas relatados pelos funcionários, usuários também reclamam da ineficiência do atendimento, que em alguns casos resultaram na morte do paciente, sem que esse tenha recebido sequer o primeiro atendimento.

Nas redes sociais são inúmeros os relatos de pessoas que buscaram atendimento para seus familiares e não conseguiram ser atendidas. Na semana passada, circulou nas redes sociais e em emissoras de televisão um vídeo de uma mulher que ficou extremamente exaltada ao buscar atendimento para o filho, sem sucesso. Os relatos são inúmeros e estão estampados nas manchetes de todos os veículos de comunicação da cidade e região.

Toda essa situação revela a situação caótica que se tornou o atendimento hospitalar depois da intervenção do governo estadual, no segundo semestre de 2015. Até então, a Prefeitura de Montes Claros fazia os repasses aos hospitais, conforme procedimentos realizados e, com isso, auxiliava na gestão dos mesmos ao punir médicos faltosos, desvios de recursos, fraude em órteses e próteses, entre outras situações.

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Mas o governador Fernando Pimentel, atendendo a queixas de retenção de recursos por parte da Prefeitura de Montes Claros, resolveu transferir, diretamente do caixa do Estado, os valores que os hospitais teriam direito, não fiscalizando os mais de 130 milhões anuais que essas instituições recebem.

Assim, a Prefeitura de Montes Claros ficou encarregada somente na oferta do atendimento básico, este feito nas Estratégias de Saúde da Família, enquanto a média e a alta complexidade foram entregue aos hospitais e sem nenhuma fiscalização, chegando a Comissão Parlamentar de Inquérito da Câmara Federal a apurar desvios de recursos no município, na chamada Máfia das Órteses e Próteses.

Em nota a Superintendência Regional de Saúde de Montes Claros informou que o Estado assumiu a gestão hospitalar do município e os repasses de recursos para os hospitais estão em dia e que neste mês já repassou R$ 6.530,852,00 para o Prontosocor, Hospital Universitário Clemente de Faria, Hospital Aroldo Tourinho, Santa Casa e Hospital Dílson Godinho, referente ao pagamento de serviços prestados em novembro de 2015.

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