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Coluna do Adilson Cardoso – Tentativa de analise da confusão interior

 

A culpa veio como uma cruz de concreto sobre os ombros. Depositada com violência e obrigando a via-crúcis preludiada por uma hemorragia que dilacera os poros. Imagens dantescas materializavam na memória causando furos na alma que tateava refúgios no relento da consciência. Todavia perdeu-se no breu da razão com olhos pavorosos faiscando o seu crime. Este que não se enquadra nos artigos da lei, nem se entrega a justiça barganhando a liberdade, estava preso na solitária carcomida da própria alucinação, do pecado asfixiante de cada segundo, assim se dava como o único responsável por toda a tragédia que o mundo já experimentou. Ao levantar a cabeça enxergava os conflitos entre as facções celestiais, seu Deus protagonizava as carnificinas correndo em forma de cavalo selvagem lançando fogo pela boca e blasfemando a si próprio. Voltava ao seu olhar tacanho e ordinário suas reações são imediatamente tolhidas pela insana tesoura do seu delito existencial. Ainda idealizando um alento, senta-se ao entardecer buscando contemplar a magnitude transformadora da luz, mas sente o peito ocultar com o ruído da morte nas tenebrosas fantasias que a noite traz. Reflete sobre o seu nascimento miserável e sua fecundação desequilibrada, onde os genitores galgaram as normas da santidade e deixaram o prazer precipitar-se pela sua gestação exterminando espermatozóides em movimentos solitários de pensamentos impuros. E o tempo que se passou com um humanóide menino desejando um pão que a mesa não tinha, alimentando as esperanças de que o futuro viesse com as mãos cheias de dinheiro, mas o que veio depois de um tempo é só marca de caneta em um calendário esfumado numa parede descascada, tudo aquilo que não se conquistou se converte agora em migalhas do destino, recebidas com sorrisos de vencedores já que mais nada se pode fazer. Tudo se passa em volta de um globo que gira no espaço abobado de cenas cortadas do filme da vida medíocre, outras ingeridas sem sabor, um ego, mormente confuso, bate acelerado como se algo pudesse acontecer para resgatar um sentimento que também se fluiu como brisa efêmera de primavera prometendo uma volta e nunca mais…  Segundo os conceitos da Psicologia a culpa é o sofrimento obtido após reavaliação de um comportamento passado tido como reprovável por si mesmo, a base deste sentimento do ponto de vista psicanalítico, é a frustração causada pela distância entre o que não fomos e a imagem criada pelo superego daquilo que achamos que deveríamos ter sido.

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso

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