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Coluna do Dr. Marcelo Freitas – O carnaval acabou! E daí?

 

O Carnaval deste ano chegou ao fim. Durante este período de festas que inclui corpos desnudos em forma de arte, tradição, exploração do turismo e descontração, ocorrem também muitos outros processos, todos bastantes profundos e menos evidentes aos olhos dos menos atentos, especialmente quando passa a euforia.

Que fique claro: ficar sem fazer nada, por um dado momento, é até necessário! Contudo, nem todo brasileiro gosta de carnaval. Aliás, são muitos os brasileiros que não apreciam tal festividade. Dizem que o carnaval deixou de ser uma manifestação cultural, e passou a ser um verdadeiro atestado de um comportamento irresponsável e, por vezes, animalesco. Não quero aqui polemizar, afinal cada um de nós somos responsáveis (ou deveríamos ser) pelas escolhas que fazemos.

A história evidencia que o carnaval teve origem nos rituais para celebrações da fertilidade nas margens do rio Nilo, no Egito antigo, há aproximadamente seis mil anos. Com o passar dos tempos, essas comemorações evoluíram, adquirindo significados díspares por todo o planeta. Aos tradicionais bailes e desfiles alegóricos, acrescentaram-se as explícitas manifestações sexuais.

A partir desse evidente fenômeno hedonista, com a elevação do prazer a bem supremo, consoante algumas teorias, a Igreja Católica proibiu essas manifestações sexuais. Do embargo surge, então, a palavra “carnaval”, que significa “carne levare”, isto é, afastar a carne.

Até os dias atuais se leva em conta a celebração que antecede o período da quaresma como sendo o “último festejo profano”. Na quaresma, de acordo com o calendário Cristão, os fiéis são convidados à abstinência dos prazeres da carne para se lembrarem da ressurreição do Cristo. Funciona mais ou menos assim: o indivíduo pratica toda a sorte de estupidez no carnaval e, logo após, entra em estado de remorso a fim de preparar seu espírito para a Páscoa. Uma espécie de catarse às avessas!

Cumpre-nos consignar, a essa altura, que as fantasias carnavalescas se originaram do carnaval de Paris, na Idade Média. A partir daquela capital francesa, berço da liberdade, igualdade e fraternidade, ocorreram diversas adaptações por cidades de todo o mundo. Uma delas foi o Rio de Janeiro, que aperfeiçoou a criação, fazendo dos desfiles carnavalescos um verdadeiro espetáculo exibicionista, transmitido ao vivo para milhões de pessoas em todo o planeta.

Não há, assim, a menor dúvida no sentido de que “máscaras” e “fantasias” auxiliam momentaneamente as ilusões que aparentam tornar a vida mais leve, mais fácil e mais alegre. Mas, afinal, por trás de “tanto riso e de tanta alegria, mais de mil palhaços no salão…”, quando nossa verdadeira pele e nossa verdadeira face estarão, de fato expostas? Quando acordaremos efetivamente para os problemas sociais de nossa nação?

Seria cômico se não fosse trágico o fato de que “uma semana antes do carnaval a saúde pública estava tomada por um colossal desespero para tentar diminuir os efeitos da festa. Camisinhas aos montes foram distribuídas na esperança falida de conter o impulso sexual inerente ao festejo, no qual todos são de todos. Ou ninguém é de ninguém. Tanto faz. O sexo é vendido tão barato quanto a cerveja nas esquinas”. A dengue, chikungunya e o zika vírus também tomam conta de todo o país. E o povo nada vê! Acéfalo, como de costume!

Caro leitor, a festa acabou! É tempo, assim, de regaçar as mangas e voltar ao Brasil verdadeiro, despido, doravante, apenas de ilusões superficiais que nos tiram o foco das desgraças que nos tem assombrado. O momento é de trabalho! De produção! De observação minuciosa!

As atenções devem ser direcionadas para outros “blocos”: “O bloco do Congresso Nacional com seus deputados ‘fanfarrões’ usando e abusando do dinheiro público e fazendo a gente acreditar que eles são honestos. O ‘bloco’ dos senadores, o bloco dos prefeitos corruptos, vereadores, governadores, empresários que adoram dar uma ‘gratificação’ e, também o ‘bloco’ dos juízes, promotores, procuradores, advogados, delegados e propineiros de plantão que por aí se vão. O bloco da Lava Jato.

A Televisão tenta esconder esses fatores, mas a realidade todos sabemos: Brasil com corrupção, violência, prostituição e um alto índice de desigualdade social. Não dá, portanto, para ficar festejando ao som de “metralhadora” que nada ensina e apenas entorpece! Como diria Chico Xavier, “Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocarmos nela, corre por nossa conta”. O Brasil é o que é, exclusivamente, pelo que temos feito com ele!

Dr. Marcelo Eduardo Freitas – Delegado de Polícia Federal e Professor da Academia Nacional de Polícia

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