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Papa Francisco clama por um México sem emigrantes e sem ‘traficantes da morte’

 

O papa Francisco clamou neste domingo (14) que os mexicanos façam de seu país uma terra de oportunidades, onde “não haja necessidade de emigrar para sonhar” e onde não haja risco de cair nas mãos do que chamou de “traficantes da morte”.

Francisco convidou a população a "fazer dessa bendita terra mexicana uma terra de oportunidades"
Francisco convidou a população a “fazer dessa bendita terra mexicana uma terra de oportunidades”

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Em uma homilia pronunciada para 300 mil fiéis na cidade de Ecatepec, próxima à capital, Francisco convidou a população a “fazer dessa bendita terra mexicana uma terra de oportunidades, onde não haja necessidade de emigrar para sonhar, onde não haja necessidade de ser explorado para trabalhar”.

Falando em uma cidade devastada pela violência, especialmente contra imigrantes e contra mulheres, o pontífice pediu que se faça do México “uma terra que não tenha de chorar por seus homens e mulheres, por jovens e crianças que terminam destruídos nas mãos dos traficantes da morte”.

A mensagem de Francisco foi dada ao final de sua missa em Ecatepec, situada em uma área de passagem de emigrantes centro-americanos, que tentam chegar aos Estados Unidos.

Pouco antes, Francisco havia advertido sobre as tentações do demônio de se buscar dinheiro, fama e poder.

“Irmãs e irmãos, coloquem na cabeça: com o demônio não se conversa, não se pode conversar, porque ele vai ganhar sempre. Apenas a força da palavra de Deus pode derrotá-lo”, frisou, admitindo que “sabemos o que significa sermos seduzidos pelo dinheiro, pela fama e pelo poder”.

Realizada no campus de uma universidade de Ecatepec, com capacidade para 300 mil pessoas, a missa foi celebrada um dia depois de Francisco ter pressionado líderes políticos e religiosos para que combatam a ameaça da violência proveniente do tráfico de drogas.

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Milhares de fiéis passaram a noite neste subúrbio, desafiando o clima, para ouvir o pontífice que chegou para falar dos problemas que assolam o país.

Depois de dormirem sob tendas improvisadas feitas de pedaços de plástico e papelão, suportando temperaturas quase negativas, os fiéis passeavam esta manhã envoltos com seus cobertores, alguns deles com a imagem do religioso impressa.

“Nós confiamos em Deus e temos fé. O papa vem por algum motivo” a Ecatepec, disse Luz María Osorio Cruz, de 60 anos, moradora de uma cidade vizinha, que desafiou a insegurança da região e dormiu na rua para conseguir entrar na missa.

A cidade de 1,6 milhão de habitantes faz parte do estado do México, uma região que se tornou famosa pelos números alarmantes de desaparecimentos de mulheres e resgate de muitos de seus corpos desmembrados flutuando no Río de los Remedios, cerca de 20km da sede da missa deste domingo.

Foram pelo menos 600 assassinatos de mulheres entre janeiro de 2014 e setembro de 2015, segundo dados da ONG Observatório Cidadão Nacional do Feminicídio.

Protegidos por centenas de policiais e militares, os fiéis consideram que a visita do Papa a Ecatepec tem como finalidade renovar a fé de seus habitantes e despertar a consciência daqueles que cometem crimes.

“Sabemos que Ecatepec tem muitos problemas no sentido da insegurança, sequestros”, lamentou o estudante Rodrigo Pérez, de 25 anos, que deseja ser policial.

A visita do papa “é uma oportunidade para falar de paz e unidade”, completou o jovem.

Tendo crescido neste lugar, Mariana Virginia Hernández, uma dona de casa de aproximadamente 40 anos, acredita em que o papa conseguirá que “tomem consciência todas aquelas pessoas que fazem essas maldades, para que vejam que há um Deus”.

“Ele vai remover seus corações pequenos e colocar um pouco de luz em sua mente”, estima.

Com a presença de Francisco nesta cidade, “vamos ver se estancamos algo (da violência). As mulheres merecem respeito. Vamos ver se o papa nos faz reagir para podermos ser um país livre e em paz”, afirma Francisco Valdez, um septuagenário dono de uma gráfica.

FEMINICÍDIOS – Mas outros habitantes de Ecatepec pensam diametralmente diferente, como Karla Paola Romero, uma estudante de sociologia de 21 anos, que esteve a ponto de engrossar os números de desaparecimentos de mulheres há três anos, quando dois homens tentaram sequestrá-la do lado de fora de casa.

Para ela, os feminicídios e a violência de gênero não serão solucionados “com um milagre”.

Entrevistada ao pé da montanha Cerro Gordo, onde, em dezembro, foi encontrado o corpo desfigurado de uma mulher com sinais de agressões sexuais, Karla Romero supõe que o papa escolheu Ecatepec para “formar uma fé”, mas que se equivocou de lugar, porque “essa fé está perdida”.

Esta é uma cidade em que “já não acreditamos em muitas coisas”, afirma.

Antes de chegar ao México, o pontífice argentino afirmou que falaria de forma clara sobre a corrupção e o alto índice de criminalidade que afeta vários lugares do país.

No sábado, aproveitou sua visita ao Palácio Nacional e à catedral da capital para exigir dos líderes políticos e religiosos que sejam mais ativos no desenvolvimento da paz no país.

Com o presidente Enrique Peña Nieto ao seu lado, o papa disse a legisladores e a funcionários do governo que têm o dever de proporcionar aos mexicanos uma “justiça real” e uma “segurança efetiva”.

Mais tarde, na catedral, pediu a bispos e arcebispos que enfrentem o tráfico de drogas “com coragem profética”.

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