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Netflix – The Wolfpack, de Crystal Moselle

 

Embora não seja muito querido por cinéfilos radicais – ou seja, aqueles que gostam de clássicos e filmes europeus de arte -, o acervo da Netflix não deixa de oferecer surpresas em sua prateleiras (ou abas, como queiram). Para quem gosta de documentários, então, as ofertas são muitas. De fato, os documentários estão ganhando uma visibilidade que nunca tiveram antes do advento dos sistemas de streaming, como Netflix, Vimeo, iTunes, Amazon, etc.

Cena de The Wolfpack, de Crystal Moselle, exibido na Netflix.
Cena de The Wolfpack, de Crystal Moselle, exibido na Netflix.

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Uma pérola que já está algum disponível na Netflix é o bizarro, fascinante e inacreditável The Wolfpack, de Crystal Moselle, que ganhou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance no ano passado. Trata-se de um retrato íntimo e revelador sobre a vida reclusa de seis rapazes que cresceram assistindo filmes e sem contato com a civilização, em um apartamento de Nova York.

Filhos de um peruano exotérico e de ideias pouco ortodoxas com uma americana do meio-oeste, os seis rapazes e uma irmã menor – quase invisível naquele universo masculino – não têm contato com outras pessoas. Teve época em que eles passeavam com os pais duas ou três vezes ao ano. Às vezes, passavam um ano sem sair, com confessa um deles.

A diretora Crystal Moselle observa a todos com muito respeito, como se estivesse fazendo um filme caseiro, deixando-os bem à vontade para que representem as brincadeiras preferidas deles, suas aflições e conflitos com os pais. Afinal, foram eles – principalmente o pai –  que estabeleceram que os meninos não cresceriam fora de casa, que o mundo lá fora não seria adequado.

Claro que a mãe os educou direitinho – ela ganha um salário do governo para isso – e eles vivem meio que amontoados num apartamento do Lower East Side, em Manhattan. Crystal Moselle é esperta em apresentá-los rapidamente vestidos como os gângsteres de Cães de Aluguel, de Qentin Tarantino.

E aí é que está o grande lance de The Wolfpack. Para além das bizarrices dos meninos, o que o filme mostra é que o cinema se transformou no antídoto contra o estranhamento a que foram levados pelo isolamento imposto pelos pais. Mesmo longe do mundo real, os filmes deram a eles uma versão bem próxima do que acontece lá fora.

A maior diversão dos irmãos Angulo – Bhagavan, Govinda, Mukunda, Narayana, Jagadisa e Krsna,  uma escadinha que faz com que todos pareçam de uma idade só – é reencenar cenas de filmes violentos como o Cães de Alguel, Pulp Fiction, Batman – O Cavaleiro das Trevas e Sexta-Feira 13. Sem acesso à internet, eles copiam os diálogos dos filmes linha e linha, criam as armas e fazem seu teatro particular.  A  motivação de Crystal Moselle é justamente acompanhar o adeus dos rapazes da vida entre quadro paredes. Assim, ela vai acompanhando as histórias de como eles foram se rebelando até começarem a ter uma vida próxima do normal.

Muitas vezes a sensação que o filme deixa é bem esquisita, como se testemunhássemos um bando de doidos em um covil. Mas essa imagem vai se dissipando quando os rapazes, a mãe e o pai vão se abrindo para a cineasta. Para além  da curiosidade, The Wolfpack merece ser assistido.

Por Ernesto Barros
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