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Coluna do Adilson Cardoso – Uiara

 

Segundo nosso folclore, Uiara é também Iara, uma linda sereia que atrai os homens com sua face linda e seu belo canto, fascinados eles adentram as águas profundas e morrem afogados. Para mim Uiara foi uma das maiores decepções que se pode anotar na caderneta do destino. Começou no dia em que esperava um colega no portão da casa dele, jogávamos futsal no mesmo time e íamos a pé, naquele dia notava-se um barulho alegre que vinha do interior da residência, balões estouravam e o cachorrinho latia. Estava incomodado com a demora, mas me segurava riscando o passeio com uma pedra de brita desenhando personagens das revistas em quadrinho que lia. Até que colega abriu o portão com um copo de suco e um pedaço de bolo, a cólera passou, já que a fome passaria com aquele gesto benevolente que era também um pedido de desculpas, enquanto comia eis que surge o motivo das algazarras da família, uma morena jambo, um metro e setenta e oito por ai, cabelos encaracolados e muito peito, usava uma calça jeans colada denunciando uma face bastante motivadora da sua genitália para se olhar. Disse oi, perguntou meu nome e onde morava, nervoso engasguei algumas palavras, mas respondi e ela sorriu, atravessou a rua para abraçar uma vizinha. Fiquei olhando para a bunda dela imaginando cada naco daquela carne pressionada sob aquele jeans, não via marca da calcinha, cheguei à conclusão que não usava, só deixei de olhar quando meu colega apareceu e bateu na minha cabeça pedindo que pare de olhar para a irmã dele. Nesta época já havia inscrito no mundo do prazer, conhecia mulheres famosas de corpo inteiro, adorava uma que fazia novela, meu tio comprava as revistas e escondia no fundo do guarda roupas dele em baixo das calças dobradas, eu pegava, olhava e depois do orgasmo devolvia. Mas depois daquele encontro com Uiara minha vida jamais voltaria à mesmice tacanha de outrora, fiquei sabendo que ela já tinha quase trinta anos, enquanto eu fazia aniversário de quinze. Passei a freqüentar a casa do meu colega com desculpas de pedir caderno emprestado, ver se não havia esquecido a borracha na sala e até se eu poderia colocar seu nome no altar de Bom Jesus da Lapa quando meus pais fossem visitá-lo no próximo ano. Uiara havia desconfiado e sorria piscando para mim, aquilo me enchia de fogo, o fogo juvenil que queria se propagar para cima daquele corpo inimaginável sonhava acordado, dizia seu nome como se diz um mantra. Certo dia, passei para entregá-lo uma bola que havia tomado emprestado e bati por varias vezes até que abriu uma pequena fresta do portão com cara de sono, estiquei a mão para receber a bola ela pediu que eu entrasse, pois estava sozinha, o tom da sua voz diluiu minhas forças e minhas pernas amoleceram. Bati o portão e ela andou na minha frente enrolada numa toalha que foi se soltando, lentamente até que adentrou a casa completamente nua. Engessado, mudo sem ter o que ou como dizer Uiara se virou e colocou as duas mãos na cabeça imitando dançarina de Axé, deixando aquele corpo todinho a poucos metros de mim, tudo aquilo que sonhava com base nas revistas estavam ali, pude sentir seu cheiro ao rodar fazendo seus grandes seios chocarem-se deliciosamente um com o outro. Não sei por que “cargas d’água”, mas seus pelos pubianos me lembravam Claudia Ohana, seus seios Daniele Vinits, sua bunda Sheila Mello e ela dançando alucinadamente. Começaram aparecer na minha cabeça cenas de filmes pornográficos furtados do meu tio, assim comecei dirigir minha atuação que começaria a poucos minutos, “ela faria tal posição e segurarei ali” “Ao virar-se eu me encaixarei ali e farei tal movimento”. Estava pronto, o esquema tático na cabeça, levantei-me para abraçá-la, havia um feitiço me arrastando para aquela cacimba que mataria minha sede, daquela boca sairia à primeira saliva a se encontrar com a minha. Mas um ruído de fechadura se abrindo a fez correr desesperada para o quarto, enquanto eu sem saber o que fazer me refugiei no banheiro. A voz da mãe foi a primeira que ouvi gritando pelo seu nome, depois uma balburdia não deixou que definisse as outras, para a minha infelicidade pareciam muitas e o banheiro ficava na sala. De repente bates forte soaram na madeira seca da porta, mais outros e gritos violentos. Só abri a fechadura quando Uiara disse gentilmente ao agressor das batidas “É aquele colega de Fabinho, disse que estava com diarréia e pediu para usar o banheiro!” Quase morri de vergonha, mas abri a porta molhado de suor e sai de cabeça baixa correndo para o portão, mas não sai sem ouvir o tiro de misericórdia da própria Uiara; “Pede sua mãe para fazer um chá de flor de mamão, se for coisa estragada que comeu melhora!” fiquei uma semana sem ir para a escola, quando voltei meu colega disse que sua irmã havia voltado para o Rio de Janeiro, reconciliara com o ex-marido depois de ganhar um carro de presente.

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
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