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Coluna do Adilson Cardoso – Operação Ciúmes

 

Uma mensagem de felicitações pela data chegava ao celular de Preto, Anielle sabia da sua displicência em relação às datas por isso não entendia como acinte. Naquela noite queria fazer algo diferente, afinal de contas era o quinto aniversário de um casamento que foi quase uma guerra, já que as famílias eram mortalmente inimigas.  Tinham dois filhos e muitos sonhos. Um deles era visitar as Muralhas da China, mais da parte dele, ela queria ver as Pirâmides do Egito. Mas o que poderia ser tão diferente para aquela noite, que já não havia feito em outras ocasiões.  Pensava Anielle abrindo a internet e pedindo sugestões as colegas de trabalho. Do outro lado o marido que saira de casa pela manhã com a sensação de estar esquecendo alguma coisa retornou a mensagem com um “te amo”.  Começou aparecer às idéias, Anielle deixou uma caixa improvisada sobre sua mesa e choveram maluquices, dentre elas uma que caminhava para o diferente que pretendia provocar uma crise de ciúmes no marido feito uma pegadinha de televisão. Chamou um grupo de amigas e ensaiaram a dinâmica de como seria, o restaurante a musica romântica tudo na mais fina das ordens. Preto ao receber nova mensagem encomendou umas flores e copiou uma frase romântica para declamar na hora. Chovia forte, São Paulo naquela época era imprevisível, mas Anielle antecipou a chegada e todos os atores estavam devidamente nas suas posições. Mas Preto não chegava, com o desconto do dilúvio lá fora, era mais de uma hora de atraso. Mas não foi preciso olhar novamente para o relógio, eis que surge aquele homem de terno preto e flores nas mãos demonstrando certa liberdade na expressão que Anielle conhecia muito bem quando exagerava no álcool. Estava solto e poeta, retirou o papel amassado do bolso e declamou a mensagem. Abraçaram-se, um violino tocou uma valsa e outros casais se beijaram tocados pelo instante, Ela nada disse além de um breve agradecer, sentaram-se e um garçom entregou-lhes o cardápio com um bilhetinho para ela que olhou e fingiu nervosismo. O marido também fingiu não ligar e acompanhou o garçom com o olhar que se dirigiu a mesa de frente e cochichou com o cliente que olhava na direção de Anielle, pouco depois outro garçom chegava com uma flor dizendo que o cavalheiro da mesa tal oferecia. Preto que até então fazia de conta que não enxergava arrancou com força das mãos da mulher e olhou ameaçadoramente para o homem, que encostou uma taça de champagne na boca e sorriu levemente. Anielle na intenção de dar veracidade a brincadeira pediu calma ao marido e disse que poderia ser engano. Ele virou um copo de vinho e encheu o outro de olho naquela mesa, o suposto conquistador fingia falar ao celular, Anielle sorria interiormente esperando a hora de revelar a brincadeira, assim com as pessoas em volta que eram cúmplices. E a valsa do violino foi oferecida novamente ao casal, de acordo com os planos seria a ultima investida do ator para que todos se revelassem e ela fizesse a sua declaração. O amplo salão abrigava diversos ambientes, varias pessoas descontraídas, mas algumas sisudas e observadoras, por exemplo, um casal de idosos da outra extremidade do restaurante que acompanhavam inquietos aquela investida do cliente a moça acompanhada, e foi justamente na hora em que os dois dançavam a ultima valsa que o senhor da outra mesa resolveu cobrar as dores para aquele marido, quando o homem se levantou para chegar até Anielle , um tiro a queima roupa lhe abriu um buraco no peito, muitos gritos e correrias tomaram conta daquele espaço, o velho com o revolver na mão foi logo identificado como o pai de Preto que por coincidência se casaram naquela mesma data e estavam para celebrar. Anielle não podia conter o desespero de saber que provocara a morte de um inocente, que tudo que planejara seria para brindar aquela noite, aquele dia tão especial. O marido depois de saber a verdade comoveu-se e resolveu se entregar no lugar do pai. Mas outro terrível engano estava para ser desvendado, uma colega de Anielle que ajudava na confecção do plano de ciúmes informou que aquilo não se tratava de uma encenação, a pessoa que deveria lhe flertar não havia chegado. Que o tal sujeito estava realmente lhe paquerando. Nos arquivos da policia o morto tinha diversas passagem por homicídio, estupro, agressão e porte de arma ilegal, tudo ligado a mulheres comprometidas.

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso

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