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Coluna do Adilson Cardoso – O dinheiro é mais importante

 

“Meu nome não é Marlon, uso apenas por codinome, meu nome verdadeiro é Joaquim Pedro Peido! uma desgraça de nome que não sei de onde os cabeças de bagre dos meus avós retiraram,  principalmente o sobrenome. Sou refém da situação vilipendiosa que experimento todos os dias, cada vez que ouço meu verdadeiro nome tenho vontade de matar quem chama. Mas não posso entrar na justiça, se trocar de  nome estou fora do testamento dos velhos. Aliás, pensando bem não quero ser mentiroso, sei perfeitamente de onde herdei essa atrocidade que não devo chamar de outra coisa, não gostava de comentar, nem gosto, mas meu medo de ficar fora do testamento é maior! Carrego a sina como um assassino arrasta a alma do seu morto pelo resto da vida, às vezes me pergunto se o dinheiro compensa isso tudo, tanta zombaria, tantos medicamentos para dormir, sessões com Psiquiatras, Psicólogos e até regressões, mas tudo acaba indicando que o dinheiro compensa. Então que eu sofra, sem sofrer muito! Gosto de perguntar os nome das pessoas que estão situações degradantes assim me alivia a consciência. Por exemplo, outro dia tomava whisky com água de côco no centro da cidade e chamei um rapazinho para engraxar o meu sapato, me disse que se chamava John Kennedy, mas não adiantou perguntar se sabia o significado do nome, ele jamais entenderia que homenageia um presidente dos Estados Unidos que foi assassinado com um tiro no miolo da cabeça, fiquei feliz, posso até ser um Peido, mas tenho dinheiro e sei o que eu significo! Em outra ocasião estava no banco sob o ar condicionado, tomando cappuccino com o gerente e olhando o saldo da conta, do lado de fora onde se via pela porta de vidro, um gari molhado de suor com uma roupa alaranjada e um chapéu dos anos 60, ia e voltava arrastando sua incansável vassoura, levantei, fui até ele, seu nome era James Taylor, nome lindo, não comentei mais nada. Assino sim para três sujeitos, um trio de infelizes que prostituiram minha mãe e desapareceram, Joaquim Cosquinha, Pedro Sabonete e Peido Frouxo o ultimo é o mais infeliz dos seres,  infelizmente é o meu pai. Pés rapados cachaceiros vendiam o almoço para jantar. Mas um dia fizeram um bolão da loteria e acertaram sozinhos, ficaram tão ricos que o tal de Peido Frouxo comprou um avião para seu cachorro arrepiado e pé-duro de nome   Quitute. Se foda! Para quem não me conhece sou Marlon o herdeiro dos meus avós Seu Medrado do Soproso e Dona Marculina Genitália. Para quem preferir ler meus documentos Sou Joaquim Pedro Peido. Aliás, pensando bem, não quero terminar assim omitindo fatos necessários de se saber. Meus avós não aceitaram que eu mudasse o meu nome porque são ricos graças aos três infelizes que carrego a cruz dos seus nomes, o trio revezava na cama com minha mãe e por pouco eu não saio com partes diferentes de cada um,  a homenagem aos calhordas sortudos recaiu sobre mim. Aliás, para não cometer injustiça, é preciso dizer que nenhum deles sabe quem realmente é o meu pai, são tão burros que acham ser possível vários espermatozóides se juntarem para nascer um só individuo. Só fiquei sabendo de quem sou filho pela boca dos meus avós que um dia pediram um DNA em surdina, mas disseram que se algum dia eu desse com a língua nos dentes, estaria  fora do testamento, aliás, sou chantageando o tempo todo por esse testamento. Outro dia naquele calor infernal, meu avô estava comendo feijoada e tomando cachaça, de repente  começou a sentir dor no peito, minha avò pediu que eu rezasse para um santo forte, se o velho “embarcasse”  eu estaria fora do testamento.  Assim fiquei em silêncio, sobre a minha paternidade e rezei por todos os santos para meu avô ficar bom, ainda bem que era prisão de ventre, depois de dois puns estava cantando e bebendo mais cachaças. Acho que  o dinheiro é mais importante. Aliás, eu não quero ocultar nada neste relato, minha mãe não é filha do meu avô.  Minha vó revelou  quando estivera à beira da morte após  fraturar o fêmur em acidente no banho, mas também dissera que ninguém além de mim devia saber, se ela morresse eu só poderia dizer ao meu avô quando ele estivesse avistando a luz no fim do túnel já com morte cerebral decretada. Ao sobreviver chamou-me ao pé do ouvido e não poupou palavras; “Se alguém souber que eu pulei a cerca você está fora do testamento!” ai eu pensei sim vovó, o dinheiro é mais importante!”

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso

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