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MG – Portal da Delegacia Virtual facilita o registro de pessoas desaparecidas

 

A ferramenta é gratuita e o serviço pode ser acessado também por dispositivos móveis, como tablets e smartphones que utilizam o sistema Android

MG - Portal da Delegacia Virtual facilita o registro de pessoas desaparecidas
MG – Portal da Delegacia Virtual facilita o registro de pessoas desaparecidas

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Persistência, angústia e emoção. Essas foram as sensações que a dona de casa, Maria da Conceição, 44 anos, sentiu por 19 dias. Este ano, no dia 21 de janeiro, em Belo Horizonte, sua filha adotiva, Bruna Rodrigues, de 16 anos, desapareceu. Como providência, fez a ocorrência utilizando o site da Delegacia Virtual e disse que o portal facilitou muito na hora de registrar o caso. “O acesso foi fácil e rápido. Logo após a conclusão do processo, eles entraram em contato comigo, por telefone, para confirmar as informações e concluíram o registro” comenta. Agora, há nove dias do ocorrido, ela respira aliviada por ter sua filha de volta.

Fazer o registro de pessoas desaparecidas é simples pela Delegacia Virtual. Por meio do site, o internauta acessa a opção “solicitar nova ocorrência”. Na página seguinte, entre as alternativas, está a opção para fazer o registro. Após o preenchimento dos dados pessoais do solicitante, o próximo passo é colocar as informações referentes ao desaparecido, tais como a relação de documentos e as circunstâncias do desaparecimento. As informações, então, passam por uma triagem, que dura cerca de meia hora, com o objetivo de verificar a veracidade dos dados. Validados os dados, o analista da Polícia Civil entra em contato com o solicitante, conclui a ocorrência e, assim, tem início a investigação.

De acordo com o delegado da Polícia Civil, Osvaldo Wiermann Junior, a Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida, após a ocorrência virtual, o solicitante precisa procurar a delegacia física para assinar o termo de autorização de imagem e levar uma foto recente para produzir o cartaz ‘Alerta Minas – Pessoas Desaparecidas’.  “Para quem mora no interior, o procedimento é o mesmo. Basta solicitar o termo de autorização de imagem e levar a foto na delegacia mais próxima. A unidade ficará encarregada de nos enviar a documentação. As cópias dos cartazes são enviadas à família do desaparecido”, orienta.

A Polícia Civil conta, também, com órgãos parceiros, como Copasa, Cemig, jornais de grande circulação, de associações de bairro e rádios, que fazem a divulgação constante. O delegado explica, ainda, que cinco viaturas, em esquema de plantão, fazem buscas. No interior, policiais militares também ajudam na procura. “No banco de dados da delegacia são feitas pesquisas sobre ocorrências de acidentes ou crimes que envolvem o desaparecido. Após a verificação, um assistente social faz novas buscas em abrigos, hospitais, Instituto Médico Legal (IML), orfanatos e casas de repouso,” ressalta.

Perfil dos desaparecidos e causas

De acordo com o investigador da Polícia Civil e mestre em psicologia social, Lucas Guimarães, a circunstância do desaparecimento quase sempre é voluntária, por tomada de decisão da própria pessoa. O perfil do desaparecido, em grande maioria, aponta para jovens com idade entre 12 e 20 anos. Os motivos estão ligados a algum conflito familiar, que variam em categorias e conforme o gênero. “Entre as mulheres, as razões variam entre gravidez indesejada, perda da virgindade, relacionamentos heterossexuais com parceiros envolvidos em conflitos com a lei e uso de drogas. Já entre os homens, alguns dos motivos são envolvimento com drogas ou criminalidade” comenta.

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Guimarães explica, ainda, que, no que diz respeito ao sumiço de adultos, o desaparecimento está comumente ligado ao sentimento de opressão pela família, o que os faz procurar por uma alternativa fora de casa. Algumas, inclusive, voltam ao lar devido às dificuldades encontradas nas ruas. “Outras, no entanto, nunca mais retornam e partem em busca de uma nova vida, longe de seus opressores. No caso dos idosos, o desaparecimento está ligado a razões como demência e falta de senso de localização. Já as crianças a sequestros e crimes,” enfatiza.

Em 2015, foram registrados no Estado 9.420 desaparecimentos e 4.410 aparecimentos. O delegado da Polícia Civil, Osvaldo Wiermann alerta, no entanto, que este número não é oficial, devido à falta de comunicação das famílias sobre o encontro. “Muitas pessoas somem apenas por 24 ou 48 horas e os familiares, na alegria de encontrá-los, esquecem de comunicar a volta, prejudicando a veracidade dos números”, comenta.

Quem não esqueceu de relatar o reaparecimento foi o contador de 40 anos, que preferiu não ser identificado. Ele teve a filha de 14 anos desaparecida por 36 horas. Na ocasião, ela saiu com o argumento de que iria para a casa de uma amiga. Após o registro da ocorrência e várias buscas na casa de parentes, a família encontrou a menina. O contador ressaltou, também, que antes mesmo de buscar a filha, comunicou o aparecimento à polícia. “O trabalho da civil é árduo e eles tomam providências rápidas. Por isso, é importante comunicar logo, porque, se não, eles continuam gastando tempo procurando, ao invés de ajudar quem ainda vive a angústia de ter um parente desaparecido,” ressalta.

Outros serviços

No portal da delegacia virtual, o internauta pode, além de indicar o desaparecimento de pessoas, registrar mais quatro tipos de ocorrência: acidentes de trânsito sem vítima, perda ou extravios de documentos, extravio de objetos pessoais e crimes de danos simples.

Além do site www.delegaciavirtual.sids.mg.gov.br, todas as informações acerca de pessoas desaparecidas devem ser comunicadas à Polícia Civil de Minas Gerais. O telefone é o 0800-2828-197.

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