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Norte de Minas – Ex-prefeito de Jaíba pode fazer acordo de delação premiada para explicar ração de papagaio

 

O ex-secretário de Saúde do município, Weverton Silva Dias, também teria topado contar aos promotores tudo o que sabe sobre os desmandos que paralisam Jaíba há mais de dois anos.

Enoch Campos, ex-prefeito de Jaíba – Foto: JTV São Francisco / Reprodução
Enoch Campos, ex-prefeito de Jaíba – Foto: JTV São Francisco / Reprodução

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Preso há quase 60 dias, na véspera do Natal, o ex-prefeito de Jaíba, no extremo Norte de Minas, Enoch Vinicius Campos Lima (PDT) deve fechar, nos próximos dias, acordo de delação premiada com o coordenador da Promotoria de Justiça Regional de Defesa do Patrimônio Público do Norte de Minas, Paulo Márcio da Silva. O ex-secretário de Saúde do município, Weverton Silva Dias, também teria topado contar aos promotores tudo o que sabe sobre os desmandos que paralisam Jaíba há mais de dois anos.

O ex-prefeito Enoch Campos foi detido pela Rodoviária Federal, em Montes Claros, quando voltava de viagem a Belo Horizonte, em ação complementar à Operação ‘Ração de Papagaio’, deflagrada em março do ano passado pelo Ministério Público, após investigação de pagamentos de propinas em contratos diversos entre a Prefeitura de Jaíba e fornecedores. Outros quatro assessores do prefeito Enoch foram presos na operação do final do ano passado. Os secretários Acir Silva de Oliveira (Planejamento), Weverton Silva Dias (Saúde), o advogado da prefeitura, Hudson Aparecido Pena Arruda, além de Acir Silva, que seria assessor de gabinete.

Após fracassarem as tentativas de relaxamento da prisão, após dois meses de detenção, o ex-prefeito Enoch pode ter chegado à conclusão de que chegou a hora de contar o que sabe ao Ministério Público. O prefeito e seus assessores foram detidos porque, supostamente, teriam tentado ameaçar o empresário Antônio Carlos da Silva, um dos delatores da operação ‘Ração de Papagaio’. Antônio Carlos é dono da empresa Lázaro Moisés, que mantinha contratos com a prefeitura de Jaíba em valores superiores a R$ 8 milhões.

Em depoimento à Justiça, Antônio Carlos contou que chegou a pagar propina no valor de R$ 40 mil para vencer a licitação. O que Enoch pode contar ao promotor Paulo Márcio é a forma como esse dinheiro foi compartilhado com alguns vereadores. Todo acordo de delação premiada precisa passar pela homologação de um juiz, que vai estipular os benefícios concedidos ao depoente e as condições em que o acordo pode ser anulado. Uma delas é o pressuposto de que o delator precisa ter provas do que conta ao Ministério Público.

No caso de Jaíba, se o papagaio Enoch abrir o bico e contar como distribuiu a ração que teria recebido da empreiteira Lázaro Moisés, há uma boa chance de que a Polícia Federal volte à Jaíba, desta vez para bater às portas da Câmara Municipal, em nova rodada da crise política e de vergonha que abala Jaíba.

Em tempo: a operação ‘Ração de Papagaio’ recebeu esse nome porque era o código combinado entre agentes públicos para cobrar o pagamento da propina.

Fonte: Em tempo Real/Luis Cláudio Guedes

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