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Coluna do Adilson Cardoso – Ilusão e desilusão numa tarde em BH

 

Quem não conhece de perto o senhor Wagner Black é bom saber que além de comerciante de livros e bugigangas e um exímio musico, é também um tremendo aventureiro que carrega um diário anotando tudo que lhe acontece. Como ele publicou sua aventura com a global Débora Seco, os amigos precisam saber desta outra perola hilária. Foi no ano de 2004 segundo suas anotações, Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, ganhando a vida como balconista numa loja de discos próximo a Serraria Souza Pinto, em um daqueles dias de trabalho aprazível quando ouvi a Deep Purple e Black Sabbath durante um tarde inteira, eis que adentra uma típica representante da liberdade feminina, cabelos alaranjados, percing nas sobrancelhas, alargadores nas orelhas e uma mini-blusa mostrando os peitos brancos e arredondados quando se agachava, disse que se chamava Janis em homenagem aquela Joplin. Black escreveu que passara a entender o que era paixão a primeira vista, pensava até então ser clichê de babacas, mas no diário escreveu repetidamente que se apaixonara. A garota ainda mascava um chicletes e fumava Hollywood, escolheu uma coletânea de hard rock e mandou que embrulhasse para presente, ele não cobrou, a garota sorridente e agradecida, deu-lhe um tchau com olhar de querer, com saliva querendo salivar na sua boca, assim ele anotou. Ainda percebeu que ela usava mini-saia preta e botas de estilo punk, tinha uma bunda grande e rebolava. No relógio digital que adquirira no camelô da Praça Sete era 17h35min, sairia as 18h00minh. Foi ofegante atrás da garota e propôs um Happy Hour, num barzinho que tinha um som ao vivo. Ela aceitou e seu coração deu duas cambalhotas de felicidade dentro do peito, rapidamente entrou na loja para organizar o fechamento do caixa, pediu um adiantamento ao chefe e no armarinho da Lili que ficava a duas quadras comprou um creme de pele “Didermina atalaia” e um Avanço. Passou o creme na pele e esguichou compulsivamente o desodorante em baixo do braço e no pescoço. Vestiu uma jaqueta jeans com estampa do Van Hallen molhou os cabelos e partiu de lado, naquela época tinha um galã da globo usando assim e as mulheres gostavam, segundo suas anotações. Saiu com pressa, mas sem demonstrar que estava, apalpou a bolsa para certificar que as camisinhas estavam ali e fez as contas em silêncio para saber quanto gastaria com as cervejas e o tira-gosto, uma ou duas pingas, uma dose de campary para ela se atiçar e um taxi que os levasse a Rua Guaicurus e é claro o pagamento do quarto, tudo perfeitamente planejado. Depois de vinte minutos caminhando avistou o movimento das pessoas conversando e virando os copos no dito bar, respirou o ar poluído, mas com felicidade de canibal, comeria aquela carne e lamberia até os ossos. Lembrou-se dos amigos de Montes Claros e um por um foi desejando que os visse naquele momento, queria mostrar o Dom Juan que havia se transformado, um olhar já enfeitiçara a garota dos cabelos laranja e a passaria no papo. Mas estava tudo anotado no diário, ao retornar mostraria a João Aroldo Pereira, Adilson Cardoso, Irineu Calixto, Daniel, Frank e outros mais, saberiam que ele era o cara. A garota estava de costas, Black entrou no bar e pediu um bacardi puro, virou em um só gole e mandou que anotasse na conta da mesa. Ela estava fumando e olhando fixamente em outra direção, com coragem ampliada pela dose ingerida, tapou os olhos dela e antes da pergunta ordinária “adivinhe quem é” levou um golpe com a ponta do cigarro, sem jeito e com o dorso da mão ardendo ouviu um pedido seco de desculpas, que ele respondeu com um “tudo bem” desajeitado. Pediu licença para ir ao banheiro molhar o local da queimadura e saiu se martirizando pela brincadeira sem graça. Ao voltar seus olhos obrigaram o coração a novas cambalhotas, desta vez por uma dor ruim de pesar e decepção, a garota estava literalmente beijando na boca de outra que tinha o cabelo azul, percing no nariz e também mini-saia, usava uma blusa com estampa do Ramones. Sem o menor pudor, segundo suas anotações a garota o recebera assim “Quero te apresentar a Liza, falei com ela que sua loja é incrível e você é muita massa!” Black sem muito que dizer pediu desculpas e disse que precisava ir ao hospital, alguém havia lhe dito que queimaduras assim costumam provocar tétano. Despediu-se cabisbaixo e saiu falando em pensamento, “Vou sair seco e com a mão queimada! Mas o bacardi eu não pago!”

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso

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