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Saúde – Sociedade Brasileira de Dermatologia chama população para contribuir no protocolo clínico de Psoríase‏

 

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS – CONITEC, órgão responsável pela incorporação de medicamentos no sistema público de saúde, realiza até o dia 11 de março, uma enquete com o objetivo de receber contribuições de toda população para atualização de Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de várias doenças, dentre as de interesse da dermatologia temos a psoríase, hemangioma infantil, lúpus eritematoso sistêmico e melanoma cutâneo.

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Os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) são documentos elaborados com o objetivo de nortear as ações dos profissionais de saúde na triagem, diagnóstico, tratamento, acompanhamento e ações de prevenção. “Sobre a psoríase, o PCDT atual não considera terapias mais modernas, como os medicamentos imunobiológicos, que têm demonstrado importantes benefícios para pacientes com psoríase moderada a grave que não respondem a outros tratamentos”, explica Dr. Paulo Oldani, especialista da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, é fundamental que os PCDTs sejam atualizados, porque a decisão da incorporação de tecnologias (medicamentos, exames, procedimentos) que serão cobertas pelo SUS é baseada nestes protocolos. “Se uma determinada classe de medicamentos não consta no protocolo clínico, estes dificilmente serão incorporados no rol de procedimentos disponível no SUS, ainda mais se tratando de medicamentos de alto custo”, conclui o especialista.

A Psoríase é uma doença crônica inflamatória de pele, que atinge aproximadamente três milhões¹ de brasileiros. O impacto psicossocial causado pela psoríase é maior do que o causado por doenças como hipertensão e diabetes, causando graves danos ao paciente, chegando a interferir na vida profissional, familiar e afetiva, podendo levar a graves transtornos psicológicos².

O Consenso Brasileiro de Psoríase de 2012³ recomenda que o tratamento da psoríase seja individualizado e escalonado, passando pelo uso de medicamentos tópicos, fototerapia e metotrexato, acitetrina e ciclosporina, estas já incluídas no PCDT atual. Apenas nos casos de falha terapêutica, contraindicação ou intolerância a estas terapias tradicionais é que o uso dos imunobiológicos está indicado, o que representa um percentual muito pequeno de pacientes com psoríase com indicação do seu uso.

Segundo a CONITEC, a decisão da não inclusão dos medicamentos biológicos no PCDT da psoríase baseou-se na falta de estudos sobre eficácia e segurança em longo prazo, porém estes dados foram buscados em estudos clínicos que não se prestam para este tipo de informação.

“Além disto, essa decisão se mostra contraditória quando analisamos o PCDT da artrite psoriásica, uma manifestação que ocorre em aproximadamente 30% dos pacientes com psoríase. Neste PCDT, vários imunobiológicos estão incluídos no rol de procedimentos para o tratamento, já que o rigor metodológico exigido na escolha dos estudos foi muito menor”, pontua Dr. Oldani

Segundo o dermatologista, outro questionamento é que se o perfil de segurança demonstrado para o uso destas medicações em pacientes com artrite psoriásica é aceito, este deveria ser considerado também para o uso na psoríase, já que se trata de momentos diferentes da mesma doença. Agências reguladoras de outros países como Estados Unidos e União Europeia incluem esta opção terapêutica em seus protocolos.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) tem consciência do elevado custo e o impacto que a inclusão destes medicamentos causará no orçamento. “Por isso, há vários anos temos conversado com o Ministério da Saúde, nos propondo a colaborar para que o seu uso seja feito de forma racional e prescrito para os pacientes que realmente tenham indicação”, explica o especialista e completa: “Além disto, a SBD também se propõe a colaborar na melhoria do atendimento ao paciente, já que muitos tratamentos, apesar de incluídos no rol de procedimentos, não se encontram disponíveis na rede pública, exemplo a fototerapia, tratamento barato e muito eficaz, que não existe em vários estados brasileiros”.

A psoríase não tem cura, mas com o tratamento adequado é possível conviver bem com a doença. “É importante ressaltar que não se trata de uma doença contagiosa, por isso, não é necessário evitar o contato com pessoas portadoras de tal condição”, enfatiza o dermatologista. Cerca de 75% dos pacientes com psoríase se sentem constrangidos em expor o corpo a outras pessoas e 27% tem dificuldades na vida sexual, de modo que sua vida social e emocional é afetada³ .

A abertura desta enquete é um momento em que a SBD e a sociedade civil poderão expressar sua opinião e colaborar com a melhoria do atendimento dos pacientes. Para participar, basta preencher o formulário disponível na página do órgão. O prazo final para envio de contribuições vai até o dia 11 de março.

Para saber mais sobre a doença, acesse: http://www.psoriasetemtratamento.com.br/

Sobre SBD

A Sociedade Brasileira de Dermatologia é a única instituição reconhecida oficialmente pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Médica Brasileira (AMB) como representante dos dermatologistas no Brasil.
É uma das maiores sociedades médico-dermatológicas no mundo, com mais de 7.500 associados, e está presente em 23 estados brasileiros por intermédio de suas Regionais, bem como em 78 hospitais universitários credenciados.

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Fundada em 5 de fevereiro de 1912, a SBD é a terceira sociedade médica mais antiga do país.

Referência
¹ Portal da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Disponível em http://www.sbd.org.br/psoriase-doenca-afeta-3-milhoes-de-brasileiros/. Último acesso em 02 de outubro de 2015.
² Rapp SR, Feldman SR, Exum ML, Fleischer AB, Jr., Reboussin DM. Psoriasis causes as much disability as other major medical diseases. J Am Acad Dermatol 1999; 41(3 Pt 1):401-7.
³ Consenso Brasileiro de Psoríase 2012. Disponível em <http://www.ufrgs.br/textecc/traducao/dermatologia/files/outros/Consenso_Psoriase_2012.pdf> Último acesso de 12 de fevereiro de 2016.

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