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Mulheres usam a internet para denunciar abusos sexuais e machismo

 

Relatos de machismo, abusos sexuais, inclusive nas escolas, e correntes de luta pelo fim da violência contra a mulher. Esses são apenas alguns dos temas das principais campanhas promovidas nas redes sociais, em especial Twitter e Facebook, por pessoas que defendem a segurança das mulheres brasileiras, além da punição para os autores desses abusos. 

Especialistas apoiam criação de campanhas mas convocam que mudança de comportamento saia das redes sociais e vá para a vida real
Especialistas apoiam criação de campanhas mas convocam que mudança de comportamento saia das redes sociais e vá para a vida real

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A exposição dos casos, através de relatos muitas vezes emocionantes, têm se tornado frequentes por meio de hashtags que determinam o assunto a ser exposto. Essa prática, popularizada no último ano, tem o objetivo de alertar a população e mostrar que esses crimes são mais comuns do que se pensa.

No último ano, por exemplo, pelo menos cinco campanhas causaram grande envolvimento nas redes sociais: #MeuAmigoSecreto #MeuPrimeiroAssédio, #MeuNúmeroé180, #MeuProfessorAbusador e #VamosJuntas. Na maioria dos casos, os desabafos contam sobre algum tipo de abuso sofrido pela mulher em diversas faixas etárias.

Segundo Bianca Rocha, diretora de Enfrentamento da Violência de Gênero de PE essa disposição para expor situações antes guardadas como segredos está relacionado com uma mudança da sociedade em não aceitar a banalização da violência contra as mulheres. “Quanto mais a sociedade reconhece como crime esse tipo de violência (através do fortalecimento da Lei Maria da Penha ou do Feminicídio) que antes era banalizado, isso colabora para que as mulheres tenham mais força em denunciar, assumir os casos, dizer não para novas violências.”

Sobre a popularização do uso das hashtags, Bianca Rocha, que também é psicóloga, explica que a criação de um “espaço”, mesmo que virtual, no qual várias pessoas dividem suas experiências, faz com que outras vítimas se sintam mais à vontade para fazer o mesmo. “Na psicologia a gente sabe que quando se fala, se liberta (sic). Uma vítima que guarda o segredo por muito tempo sente a necessidade de falar o que viveu. Cada vez que fala daquilo é uma forma de se curar. A partir do momento que ela resinifica essa necessidade de expor, ela deixa de lado o medo de ser julgada e ganha força para se expor. A rede social hoje é uma ferramenta em que as pessoas conseguem socializar suas experiência e ainda receber uma resposta, um retorno.”

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Na opinião da advogada Jéssica Barbosa, assistente da equipe de Direitos das Mulheres da Actionaid no Brasil, esse tipo de campanha é importante, mas precisa virar o primeiro passo para que essas ações saiam das redes sociais para a vida real: “Esse tipo de campanha é muito positivo, é como se o Facebook estivesse oportunizando as mulheres a falar e ver que outras também passaram por aquela situação. Algumas mulheres não compartilham suas dores e isso as encoraja, mas também é importante ressaltar que é preciso sair do online para trazer para nossa prática de vida, trazer para o real. Precisamos passar a ter mais solidariedade com as mulheres da nossa comunidade”. A Actionaid é uma organização internacional que combate à pobreza presente em 45 países, e trabalha com o tema de direitos das mulheres.

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