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Norte de Minas – Grupo de mulheres do Jaíba vence dificuldades e investe na horticultura orgânica

 

Dona Marcolina e Ana Gomes ilustram a vitória de um grupo que realiza sonhos atuando como as “mulheres da horta”.

Um trabalho da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), com um grupo de 13 mulheres que cultivam hortaliças no município de Jaíba, Norte de Minas Gerais, chama a atenção e garante melhor qualidade de vida de várias famílias da região.

As conquistas das produtoras vão desde a melhora na produção e renda até a qualidade de vida delas e familiares, que aprenderam a trabalhar coletivamente e a ter acesso a bens como bicicletas, motos e carros.

Tudo isso, graças ao trabalho em uma área de três hectares, onde são produzidas 20 tipos de hortaliças, comercializadas em dez estabelecimentos da cidade, entre restaurantes, lanchonetes, açougues, feira livre e varejo.

O trabalho da Emater-MG com o grupo, conhecido como “as mulheres da horta”, começou há nove anos. Ele foi o vencedor estadual do “Destaque MelhorAção” de 2015, um concurso promovido pela empresa para reconhecer as melhores iniciativas desenvolvidas pelos seus funcionários.

O envolvimento dos técnicos da Emater-MG com as agricultoras surgiu quando algumas delas, que cultivavam hortaliças há anos, na beira do Rio Verde Grande, procuraram o escritório da empresa. “O grupo vinha constantemente recebendo notificações e multas da polícia ambiental, por ser um local impróprio para o cultivo das hortaliças”, conta a extensionista da Emater-MG, Mônica Rodrigues.

Segundo a técnica, surgiu na época a ideia de adquirir um terreno onde as mulheres pudessem cultivar, sem agredir o meio ambiente, ou seja, de forma sustentável. O também extensionista agropecuário da Emater-MG, Manoel Dias, iniciou todo o processo de assistência e orientação às horticultoras, posteriormente tocado pela Mônica e a colega Luciana Cangussu.

Dona Marcolina faz parte da Associação das Produtoras de Hortaliças Orgânicas de Jaíba (Foto: Divulgação/Emater-MG)
Dona Marcolina faz parte da Associação das Produtoras
de Hortaliças Orgânicas de Jaíba (Foto: Divulgação/Emater-MG)

Dias conta que, depois de saírem das margens do rio, as mulheres conseguiram, com a ajuda da Emater-MG, uma outra área. “Conversamos com um produtor que cedeu um terreno e com a prefeitura que deu acesso à água para ser usada na irrigação. Iniciamos com hortaliças sem agrotóxicos”.

De acordo com o extensionista, o início das hortas orgânicas foi complicado. “Os dois primeiros meses foram bem difíceis”, relembra Dias. Segundo ele, foram utilizadas caldas de extratos de plantas para afastar as pragas das hortaliças. Com o passar do tempo, as mulheres conseguiram comprar o terreno que era apenas cedido e mais dois hectares das terras do mesmo proprietário, para a ampliação do projeto.

De lá pra cá, com o suporte da empresa mineira de extensão rural, as horticultoras de Jaíba tiveram acesso a linhas de crédito do Pronaf e a outros programas de políticas públicas, como o Programa de Combate à Pobreza Rural; Luz para Todos; Minas Sem Fome; Cultivar, Nutrir e Educar.

As agricultoras também  se organizaram na Associação das Produtoras de Hortaliças Orgânicas de Jaíba. Cada uma vende 80 molhos de folhas por dia, a R$ 2,50 a unidade. Aos sábados, na feira, comercializam de 400 a 500 molhos, o que mensalmente dá em torno de 3.500 molhos de hortaliças. Esta comercialização resulta numa retirada média de R$ 5 mil por mês para cada uma das mulheres, segundo estimativa da extensionista agropecuária Mônica Rodrigues.

Dona Marcolina dos Santos, 82 anos, remanescente das primeiras mulheres que cultivavam nas margens do Rio Verde Grande e primeira presidente da associação das produtoras, não esconde a satisfação com a atividade que sustenta toda a família.

“Desde que a gente saiu do rio as mudanças foram muitas, mas graças a Deus está tudo dando certo. Hoje sonho ver a área cercada, mas até agora não deu”, pondera. Dona Marcolina mora com 12 familiares. Todos vivem da renda gerada pela horta. Alguns, como um neto e um filho, ajudam nos cuidados diários das plantações e na comercialização.

Outra história de vida bastante peculiar no grupo das mulheres da horta é da produtora Ana Gomes. Ela trocou a profissão de salgadeira e faxineira escolar pela horticultura e conseguiu melhorar a situação financeira. Inicialmente tentou conciliar as atividades. Posteriormente passou a se dedicar exclusivamente ao cultivo da horta.

“Agora dá pra eu manter a minha casa toda, meu marido, meus filhos e ainda sobra uma reserva pra eu guardar. Comprei uma moto, financiei um carro. Hoje tiro um bom salário. Foi muito bom ter vindo pra cá”, garante Ana.

Ana Gomes comemora e diz que agora consegue manter sua casa (Foto: Divulgação/Emater-MG)
Ana Gomes comemora e diz que agora
consegue manter sua casa (Foto: Divulgação/Emater-MG)

Sonhos e autonomia

Mônica Dias explica que o objetivo agora é conseguir realizar mais alguns sonhos das agricultoras, como construir uma sede para a associação, cercar toda a área cultivada e conseguir barracas padronizadas para expor as hortaliças que já são vendidas na feira livre de Jaíba.

“O nosso trabalho é constante e contínuo com as mulheres. A gente trabalha a parte social e agronômica, mas o objetivo é fazê-las caminhar com as próprias pernas. E temos visto resultados concretos na vida delas. Elas têm carro, podem pagar seus planos de saúde”, afirma.

Mônica conta ainda, que as mulheres da horta viraram referência em hortaliças como a alface, que antes vinha de Janaúba para atender à demanda de lanchonetes e restaurantes. “É uma produção bem significante para o município”.

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A agricultura Maria Pereira Rodrigues também se sente realizada com a atividade. Ela  afirma que o local de trabalho é como se fosse a própria casa e que até a saúde melhorou. “Até no domingo eu venho”, garante, completando que o clima seco chegou a prejudicar a horta e, na ocasião, os filhos a aconselharam a desistir do projeto. “Mas eu insisti e foi muito bom, pois as chuvas vieram e as couves e cebolinhas já estão brotando”.

Segundo dona Maria, seu maior sonho é construir uma casa no mesmo terreno. “Eu tenho um sonho que é construir uma casa aqui dentro, pra não ficar indo e voltando da cidade. Ter a minha casa lá pra ir quando eu que quiser e ter uma aqui pra eu morar”, diz.

A atual presidente da associação, Joana Mendes, também afirma não ter do que reclamar.  Ela, que gosta de enumerar as conquistas do grupo, pensa também em  um futuro projeto. “Tenho o sonho de ter uma sede pra atender melhor aos clientes, pois hoje isso ainda acontece de forma individual”, explica.

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