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Coluna do Dr. Marcelo Freitas – O importante é cativar

 

Após tantas turbulências nos últimos dias, com o noticiário nacional sendo abastado de divulgações nada agradáveis, o que nos resta, de fato, é discorrer sobre temas recheados de leveza e suavidade. Escolhi, deste modo, falar sobre a necessidade de cativar, com o propósito de se permitir, por consequência, a conservação do amor entre as pessoas, com ênfase para a família, amigos e outros que proporcionaram algum sentindo especial para nossas vidas.

Cativar, segundo o dicionário, pode ser definido como a arte de impressionar uma pessoa (ou várias) com o caráter, o jeito de ser, agir, pensar ou falar. O verbo tem sido conjugado no pretérito imperfeito, estando, em tempos ditos modernos, completamente obsoleto. Posso estar enganado, mas creio que boa parte daqueles que ousaram amar um dia comungarão da mesma opinião aqui externada.

Alimentamos a tendência de acreditar, de forma pávida, que o amor considerado “verdadeiro” dura para sempre. Nada mais precisamos fazer além de afirmar isso uma única vez, em toda a vida. O amor não sobrevive por si só! Amor é verbo de ação! É escolha diária! Significa fazer, fazer uma vez mais, refazer se necessário e começar tudo de novo! É reconstruir o templo destruído em apenas três dias! É preciso crescer e ser nutrido!

Por vezes conquistamos as pessoas, mas esquecemos de cuidar delas. Isso é moleza! Difícil mesmo é compartilhar com leveza, conviver com tolerância, aceitar com benevolência! Revelar segredos, abstrair e superar os defeitos! Regar todos os dias a planta da vida. Conquistar e reconquistar, quantas vezes for necessário. Não é fácil, mas é tão necessário para a manutenção dos relacionamentos quanto o respirar é para a vida!

Cativar, assim, não é prender, não é mimar. Ser amoroso é exercer a arte de cativar da forma e na hora certa. Nada de mais, nada de menos. Sabedoria tão necessária para administrar de forma sutil e equilibrada os relacionamentos que temos, seja no trabalho, na escola ou no lar.

Em “O pequeno Príncipe”, terceira produção literária mais traduzida no planeta, Antoine de Saint-Exupéry relata, com sensibilidade singular, a dificuldade de se cativar. No diálogo do Principezinho com a Raposa, lá pela parte XXI, essa lhe transmite ensinamentos que devem ser lembrados eternamente pela humanidade: “Eis o meu segredo: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos. Os homens esqueceram essa verdade, mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.

Em determinado momento da obra, aqui retratada livremente, sem obediência cronológica, ocasião em que se referiam a uma bela rosa que “brotara um dia de um grão trazido não se sabe de onde”, indaga o Príncipe: “Que quer dizer cativar?” É uma coisa muito esquecida, disse a Raposa. Significa “criar laços”.

Obviamente, a Raposa não estava dizendo que o Pequeno Príncipe deveria regar, proteger e tirar as larvas da rosa para sempre. A responsabilidade “eterna” que o Pequeno Príncipe tinha era a de ensinar a rosa a se cuidar sozinha e mantê-la sempre viva em sua lembrança. Assim também deve ser com todos aqueles que amamos.

A importância de valorizar o que se cativa, termo esse que o autor coloca com muita adequação, deveria ser aplicado a todos nós. Devemos nutrir sentimento de responsabilidade sobre quem se torna importante em nossas existências, mas que, não raras vezes, é deixado de lado por conta do nosso egoísmo e arrogância. O amor, quando em “desnutrição”, precisa do “soro” do carinho, do afago, do afeto, para manter-se vivo.

A conclusão a esta breve peroração à continuidade do amor deve ser extraída das palavras da Raposa ao Pequeno Príncipe: “Tu não és nada ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…”. É preciso agir sem esperar contrapartidas, retornos de ocasião ou reconhecimentos que apenas inflam superficialmente o nosso ego. Como diria Fernando Pessoa, “amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?” No presente do indicativo, eu cativo! E tu? Cativas a quem ama?

Dr. Marcelo Eduardo Freitas – Delegado de Polícia Federal e Professor da Academia Nacional de Polícia

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