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Saúde – Idade compromete sistema imune e reduz eficácia de vacinas, mostra estudo

 

Mais de 10% dos indivíduos que compõem a população brasileira atual têm idade superior a 60 anos. E, a exemplo do que já ocorre no Japão e nos países europeus, essa porcentagem deverá aumentar nas próximas décadas. 

Pesquisa da Unifesp revelou que a “imunosenescência” pode ser mais acentuada em homens do que em mulheres e investigou a possibilidade de utilização da bactéria P.acnes (imagem) como adjuvante de terapias (Foto: Wikimedia Commons)
Pesquisa da Unifesp revelou que a “imunosenescência” pode ser mais acentuada em homens do que em mulheres e investigou a possibilidade de utilização da bactéria P.acnes (imagem) como adjuvante de terapias (Foto: Wikimedia Commons)

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Um dos desafios que o envelhecimento da população apresenta relaciona-se com o possível aumento das comorbidades. Problemas cardíacos, respiratórios, de mobilidade, de cognição são alguns exemplos de morbidades que podem se associar no idoso, levando, eventualmente, à incapacitação de um indivíduo ainda produtivo.

Além disso, vários estudos têm mostrado que a resposta imune de defesa contra patógenos e tumores também se apresenta diminuída em idosos. Assim, uma porcentagem de indivíduos com mais de 60 anos não fica imunizada após a vacinação. Quanto maior a idade, maior o número de indivíduos que, apesar de vacinados contra influenza, são internados por infecções respiratórias associadas a patógenos.

Um estudo conduzido na cidade de São Paulo procurou avaliar se a população idosa residente no município apresentava as mesmas alterações no sistema imune observadas no Japão e nos países europeus. E buscou saber também se a Propionibacterium acnes (P.acnes), a bactéria causadora da acne, poderia ser utilizada para estimular o sistema imune de idosos, tornando-se assim, em condições controladas, um adjuvante para vacinas ou outras terapias.

A pesquisa, “Análise imunológica de indivíduos idosos e propostas em vacinação”, coordenada por Valquiria Bueno, professora de imunologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), teve o apoio da FAPESP.

“Trabalhamos com culturas de células in vitro, utilizando, como material biológico, amostras de sangue de idosos fornecidas pelo Estudo Sabe (Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento), da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, também apoiado pela FAPESP”, disse Bueno à Agência FAPESP.

“Ativamos essas culturas com fito-hemaglutinina, um mitógeno [indutor de mitose ou divisão celular] bem conhecido na literatura, e as estimulamos também com P.acnes, para saber se, após o estímulo, as células de idosos apresentavam respostas semelhantes às das células de pessoas mais jovens”, prosseguiu a pesquisadora.

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A primeira constatação foi que, embora o perfil imunológico de nossa população seja muito heterogêneo, o padrão celular de envelhecimento em São Paulo é muito semelhante àquele descrito no Japão e nos países europeus. Quando se consideram os valores médios, aqui também os idosos têm diminuídas suas taxas de proliferação celular e de produção de citocinas [moléculas envolvidas na comunicação entre as células durante o desencadeamento das respostas imunes]. Isso significa que o sistema imunológico desses indivíduos apresenta menor capacidade de responder aos antígenos [proteínas capazes de desencadear a resposta imune] presentes nas vacinas ou em novas infecções.

“Quando vacinamos alguém, esperamos que as células circulantes do sistema imune sejam capazes de responder aos antígenos. Isto é, que proliferem e produzam citocinas e anticorpos para combater essas proteínas estranhas. Ao fazê-lo, as células mudam seu fenótipo, transformando-se de células naives [inexperientes] em células efetoras [experientes], ficando, depois, armazenadas no organismo como células de memória. Nos idosos, porém, esse mecanismo apresenta-se parcialmente modificado”, informou Bueno.

Tal processo, chamado de “imunosenescência”, caracteriza-se, na amostra, pela diminuição da porcentagem de células naives, capazes de reconhecer e responder a antígenos novos, e pelo aumento da porcentagem de células de memória que não são capazes de responder a patógenos diferentes daqueles contra os quais já se especializaram. Por isso, a resposta a vacinas, novas infecções e tumores torna-se menos eficaz.

Confira a matéria completa no site da Agência FAPESP de notícias.

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