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Com vazamento, equipe da PF será trocada, diz ministro da Justiça

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Aragão nega a intenção de influenciar na operação Lava Jato; ministro tomou posse na última quinta-feira (17).

Segundo Aragão, "não é razoável, com o país num momento de quase conflagração, que os agentes aproveitem esse momento delicado para colocar gasolina na fogueira"
Segundo Aragão, “não é razoável, com o país num momento de quase conflagração, que os agentes aproveitem esse momento delicado para colocar gasolina na fogueira”

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O novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão, 56, garante que o trabalho da Polícia Federal (PF) está sendo supervisionado, e em caso de vazamento de informações, trocará toda uma equipe de investigação.

“Cheirou vazamento de investigação por um agente nosso, a equipe será trocada, toda. Não preciso ter prova. A Polícia Federal está sob nossa supervisão”, afirmou o ministro, em entrevista à “Folha de S.Paulo”, nessa sexta-feira (18), um dia após tomar posse no governo.

Aragão nega a intenção de influenciar na operação Lava Jato.

Confira a entrevista completa:

Pergunta: ­Fala­-se muito de sua ligação com petistas e que foi escolhido para influenciar na Lava Jato. O senhor vai atuar para barrar a investigação?

Eugênio Aragão: Não, de jeito nenhum. Não tenho essa prerrogativa, essa competência. Mas poderia mexer na equipe da Polícia Federal…. Eles têm de me dar motivos. Não posso simplesmente dizer “não gosto desse daí” porque está sendo muito eficiente. Eles têm de ultrapassar a linha vermelha, terem comportamento que não seja profissional. Venho do
Ministério Público e sei quão caro é a independência funcional. Não que eles (polícia) tenham independência funcional, a polícia é um órgão hierárquico, muito diferente do Ministério Público. Mas não posso mexer com a atividade fim da polícia. Seu planejamento só me interessa na medida que tenho que me preparar para seu impacto político.

Pergunta: A presidente Dilma fez algum pedido especial ao senhor?

Eugênio Aragão: Não. Ela me conhece e sabe quais são minhas posições. Só pediu apoio dentro
do ministério. Um dos problemas estratégicos é a questão do vazamento de informações, que alguns dizem que são seletivos. Não podemos tolerar seletividade. Há uma politização do procedimento judicial, seja por parte do juiz, seja por parte dos agentes públicos em torno.

Pergunta: O senhor identificou abusos na Lava Jato em relação à PF?

Eugênio Aragão: É difícil divisar no Paraná [onde ocorre a investigação] quem é quem. O
próprio uso da delação premiada tem pressupostos. No Direito alemão, a colaboração tem de ser voluntária. Se houver dúvida sobre essa voluntariedade, não vale. Na medida em que decretamos prisão preventiva ou temporária em relação a suspeitos para que venham a delatar, essa
voluntariedade pode ser colocada em dúvida. Porque estamos em situação muito próxima de extorsão. Não quero nem falar em tortura. Mas no mínimo é extorsão de declaração. Se a gente tolera que o grandalhão vai para cadeia enquanto não resolve abrir a boca, então o pequeno pode ir para o pau de arara.

Pergunta: E o vazamento de delação, preocupa?

Eugênio Aragão: Aí nós temos uma atitude criminosa, porque quem vaza a delação está querendo criar algum tipo de ambiente. Mas esse vazamento pode vir da própria polícia… Estou falando de polícia, Ministério Público, do juiz, e eventualmente do advogado. Mas o advogado tem uma vantagem: não é agente público. Mas os agentes públicos têm código disciplinar. O Estado não pode agir como malandro. A minha grande preocupação é com a qualidade ética desses agentes. Se vaza, é coisa clandestina. Se vaza, esse agente está querendo atribuir um efeito a esses atos públicos, que são essas delações.

Pergunta: Mas poderia o ministério punir algum agente que vazou?

Eugênio Aragão: A primeira atitude que tomo é: cheirou vazamento de investigação por um agente nosso, a equipe será trocada, toda. Cheirou. Eu não preciso ter prova. A PF está sob nossa supervisão. Se eu tiver um cheiro de vazamento, eu troco a equipe. Agora, quero também que, se a equipe disser “não fomos nós”, que me traga claros elementos de quem vazou porque aí vou ter de conversar com quem de direito. Não é razoável, com o país num momento de quase conflagração, que os agentes aproveitem esse momento delicado para colocar gasolina na fogueira.

Pergunta: A sociedade não tem direito de saber o que ocorreu? Não há interesse público?

Eugênio Aragão: Há um conflito entre o interesse público pela informação e a presunção de
inocência. Quando se trata de colocar lado a lado esses dois valores, prefiro a presunção de inocência.

Pergunta: O diretor­-geral da PF, Leandro Daiello, fica ou será trocado?

Eugênio Aragão: Não conversamos sobre isso ainda. Eu preciso, e isso ele vai me fazer, de um
levantamento da situação lá. Quero evidentemente na PF pessoas que tenham alguma liderança interna. Essas instituições que têm competências autárquicas, e são independentes na sua atuação, precisam ser dirigidas por lideranças.

Pergunta: Mas a permanência dele então não é algo garantido?

Eugênio Aragão: A permanência de ninguém neste ministério, a não ser do doutor Marivaldo
Pereira (secretário-­executivo), está garantida. E, claro, não se pode mexer na estrutura aqui ligada à Olimpíada.

Pergunta: O presidente Lula disse numa gravação que o senhor deveria ter “pulso firme”, ser “homem”. Não parece que o senhor está vindo como pau mandado do Lula?

Eugênio Aragão: Não, isso é uma conversa privada dele. As pessoas entre quatro paredes falam
o que querem. Fico até me perguntando qual o interesse público numa fofoca dessa. Isso para mim se chama fofoca. Não me afeta.

Pergunta: Qual sua ligação com o PT?

Eugênio Aragão: Advoguei com o Sigmaringa Seixas [ex­deputado] nos idos de 1983, 84. É
uma ligação de família e amizade, de muito tempo. Tenho amizade, com o José Genoino [ex­presidente do PT, condenado no mensalão, hoje com pena extinta]. É uma pessoa de bem e correta, que por várias razões da vida entrou nesse processo do mensalão, mas segue de absoluta retidão. Tenho amizade com gente de outros partidos. Considero-­me amigo do deputado Carlos Sampaio (PSDB­SP), promotor de Justiça.

Pergunta: Noticiou-­se recentemente que o senhor é adepto do Santo Daime…

Eugênio Aragão: Eu fui. Uma vez que você é, você é. Mas eu não uso mais. Fui praticante, sócio
da União do Vegetal, que é uma instituição séria, que há dois anos recebeu homenagem, pelos seus 50 anos, da Câmara dos Deputados. Fiz parte da diretoria deste centro, que na sua liturgia faz uso da ayahuasca (chá), mas seu uso passou pelo ministério, foi autorizado. Nós na União do Vegetal não usamos outro tipo de bebida, as pessoas não usam álcool. Não estou frequentando há mais de dez anos, por falta de tempo, e porque me casei, minha mulher é católica, não quer saber disso. Hoje pratico o catolicismo.

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