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Coluna do Adilson Cardoso – Juízes dos próprios crimes

Em reunião para se definir o destino de três bandidos, juízes queimavam os neurônios e rabiscavam intenções em papéis oficiais, mas não se chegava à parte alguma. Eram três que se olhando sudoréticos notaram que a pena de morte não era permitida pelas leis regentes, voltar para as grades da prisão traria ainda mais prejuízos aos Estados, contratarem exterminadores sairia dos âmbitos da justiça. Pausaram, tiraram suas vestes formais e combinaram um passeio pelo meio do povo, quem sabe, pensou um deles, conseguiremos a luz que buscamos para o caso. Foram pelas ruas como modestos cidadãos, usavam camisetas coloridas, bonés e bermudas com chinelos de couros, pararam em um bar próximo a uma igreja, a fachada era modesta “Santidades Bar”, mas no interior era uma espaço comprido com amplo salão com diversas mesas de sinuca, um garçom atento servia as mesas próximas aos jogadores, a musica era moderada, atendia a gostos do Gueto, Funk, Sertanejo Universitário, Arrocha tudo menos algo que se referisse ao letreiro de fora. O dono ficava atrás de um extenso balcão que acompanhava todas as extensões daquela primeira vista, do inicio da porta até o corredor que se esticava rumo a quatro portas que se via na perspectiva da reta. Simpático, fumava um charuto e usava um anel muito amarelo que brilhava no dedo anelar direito, as mãos bem cuidadas desmentiam a idéia de que era ele quem lavava copos e servia aos pedidos, estufas repletas de petiscos e prateleiras com bebidas populares, algumas de nomes desconhecidos. Os clientes ilustres após acareação visual beberam algumas doses e experimentaram da estufa, também ouviram que ali era o bar mais abençoado da cidade, pois os Padres tomavam o vinho no copinho e baixando próximo ao ouvido insinuou que a hóstia também era comida ali, apontando para as portas no corredor em perspectiva. Saíram mais confusos que entraram em busca de entendimentos para punição de bandidos que já haviam sido punidos, inclusive pagaram pena máxima, a confusão naquele momento era a fé, enxergavam os padres saindo da Igreja com a batina e o livro das orações tomando uma bebida sem pudor algum, ainda que tivessem pudores e se escondessem atrás das caixas ou nos reservados, eram os homens que ouviam as lamurias dos pecadores, ouviam as confissões. E a hóstia metafórica era ainda mais assustadora, os três voltavam cabisbaixos com a filosofia atordoada e a justiça ainda mais cega. Ainda tinha a criança que ficava sob o balcão para servir o que as mãos bem cuidadas do patrão não podiam tocar. Voltaram ao ponto de partida, Um ladrão que não cessava seu crime, um assassino voraz sem limites para matar e um estelionatário com uma ficha de mil páginas, Mas o terror que outrora lhes prendia no labirinto da incompreensão, naquele instante afrouxava as algemas, tinha o álcool do “Santidades Bar” as palavras punitivas não reverberavam mais como antes. Decidiram então saírem cada um para um lado, levando em si a responsabilidade da justiça de trazerem a solução, um por um, ou seja, pensando um na pena de cada um dos meliantes. E foram andar nas lojas, nas praças, botecos e prostíbulos, ouviram muitas histórias, entre elas no ponto de ônibus um bêbado determinado a se candidatar a presidência da Republica dos Estados Unidos, seus sapatos tinham furos nos dois pés, do direito aparecia o dedo maior com sua pele cianótica e um pedaço da unha encravada, no esquerdo era o dedo menor que dava as caras tinha calo visível e ponta de meia fazendo orelha, mas pouco se importava o orador que apontava para os impacientes usuários do ônibus sendo presidente mudaria a vida de todo mundo. Uma hora depois do combinado o primeiro Juiz aparecia embriagado e sentava-se com a roupa respingada de sangue, o segundo vinha cantando e beijando uma calcinha que retirava de uma bolsa feminina. O terceiro estava com a cara estampada no Jornal das oito, na outra metade da tela o apresentador que dizia;

 “Policia começa desmontar a Tríade do Mal, foi morto hoje à tarde com 10 tiros um dos estelionatários mais procurados do Planeta, o bandido é um dos lideres da quadrilha que rouba, mata e falsifica documentos em todo o mundo. Segundo informações preliminares este liderava a ala dos estelionatos, no momento da abordagem descia de um helicóptero da Justiça Eleitoral de São Paulo se passando pelo Juiz Juirley Comanev do Espírito Santo, que participava do foro de Davos na Suíça, a farsa foi descoberta quando o ex- chefe de Segurança que havia se aposentado, estava no campo de pouso e ficou sabendo que o Juiz chegaria ali vindo da Bahia. Mas ele o magistrado verdadeiro haviam se falado há pouco pela internet.”

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso

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