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Seis em cada dez brasileiros não sabem o quanto devem

Juro do cheque especial chegou em fevereiro a 293,3% ao ano, maior patamar desde 1994.

Seis em cada dez brasileiros não sabem o quanto devem
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Praticamente seis em cada dez pessoas (58,9%) que estão com contas em atraso não sabem quanto devem. É o que revelou pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgada nesta terça. Para piorar, 36% também não sabem a quantidade de empresas para que devem.

Entre as contas que levaram essas pessoas a ficarem com o nome sujo, o cartão de crédito é o maior vilão, mencionado por 43,4% dos entrevistados. Não é para menos. Dever ao cartão torna-se uma conta cada dia mais impagável: os juros do rotativo, quando a pessoa paga só o valor mínimo da fatura, chegaram a 447,5% ao ano no mês de fevereiro, segundo levantamento do Banco Central (BC) divulgado nesta terça. O juro do rotativo é a taxa mais elevada do crédito para a pessoa física e também a mais alta entre todas as avaliadas pelo BC, batendo até mesmo a do cheque especial. No caso do parcelado, ainda dentro de cartão de crédito, o juro subiu de 144,5% ao ano em janeiro para 145,6% em fevereiro.

“No cartão, é a terceira vez que me enrolo”, conta o carpinteiro Miguel Neto da Silva. Ele está inaugurando outra categoria de sofrimento para o consumidor: entrou pela primeira vez no cheque especial, modalidade de crédito cujo juro médio chegou, em fevereiro, a 293,3% ao ano.

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Mesmo assim, ele não se arrepende por ter recorrido a essas linhas, tendo ficado oito meses desempregado. “Não teve jeito, precisei”. Ele não está sozinho. Ter ficado desempregado, ou ter tido um parente nesta situação, é a razão mais apontada pelos entrevistados na pesquisa do SPC para o não pagamento de contas.

Moderação. Já a operadora de telemarketing Raquel Gomes Alves diz que paga o cartão de crédito em dia. “Sempre tento pagar o total. E, quando parcelo, procuro no máximo dividir em três vezes. Não gosto de comprar a perder de vista. Sempre fui controlada”, conta Raquel, que pediu ao banco para bloquear o cheque especial.

Para ela, o que faz muita gente se endividar com o cartão são as pequenas compras, que são facilmente esquecidas. “As pessoas tendem a lembrar dos valores mais altos. Sei de muita gente que teve problemas com o cartão. Elas compram, muitas vezes, sem ter o dinheiro. Assim, só uso o cartão em último caso”, frisa. A pesquisa do SPC comprova a teoria dela: 9,9% dos inadimplentes entrevistados dizem que “foram comprando, e acabaram gastando mais do que deveriam”.

A funcionária pública aposentada Regina Lúcia Miranda disse que, neste mês, teve que usar o cheque especial. “Foi por causa das obras que estou fazendo”, diz, afirmando que usa com moderação. “Conheço muita gente endividada com o cartão, que vira uma verdadeira bola de neve. Os juros são exorbitantes. Assim prefiro usar o débito”, diz.

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