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Saúde – Toxina botulínica ajuda a tratar crianças com paralisia cerebral

Aplicação está disponível na rede pública de saúde e também é coberta por planos privados.

Saúde - Toxina botulínica ajuda a tratar crianças com paralisia cerebral
Saúde – Toxina botulínica ajuda a tratar crianças com paralisia cerebral

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Quando se popularizou, ainda na década de 90, a toxina botulínica fazia sucesso nos tratamentos para rejuvenescimento do rosto. Mas a substância se mostrou muito mais versátil que isso, sendo usada para diversos fins. Um deles, que promove enormes ganhos em qualidade de vida, é o tratamento de crianças com paralisia cerebral, condição que atinge sete em cada mil nascidos no Brasil.

A condição, que pode estar relacionada a diversas causas, provoca um enrijecimento muscular que, muitas vezes, atrapalha a criança nas tarefas mais cotidianas. O trabalho de fisioterapia, que deve ser feito sem interrupções, não consegue garantir o relaxamento desses músculos a longo prazo.

“Aí entra a toxina botulínica. Ela é uma medicação que produz um relaxamento muscular prolongado. Assim, quando aplicada, ela relaxa os músculos que produzem a espasticidade (aumento do tônus muscular), dando uma nova qualidade de movimento para a criança”, explica o fisiatra Carlos Alberto Issa Musse, que trabalha na área de reabilitação e é professor adjunto da Faculdade de Medicina da PUC do Rio Grande do Sul. O efeito da toxina botulínica dura de quatro a seis meses, quando deve ser reaplicada.

Um dos casos mais comuns é o enrijecimento da musculatura das panturrilhas. Tensos, os músculos provocam um encurtamento dos tendões, impedindo que se encoste os calcanhares no chão. “Em algumas crianças, a aplicação da toxina botulínica é o que faz a diferença entre conseguir ou não caminhar”, relata Musse.

O tratamento também pode ser o que separa a criança de uma cirurgia, já que, algumas vezes, esse encurtamento fica tão severo que só uma operação consegue “esticar” os tendões de volta. E, como o enrijecimento muscular é progressivo, ela pode vir a precisar de outras cirurgias no futuro.

Thairine, 8, está nesse caminho de tentar evitar uma intervenção invasiva. Nascida aos seis meses de gestação, ela teve uma paralisia como consequência da prematuridade. Atualmente, ela tem um déficit cognitivo, que se apresenta em uma dificuldade de aprendizado, e também um forte enrijecimento da musculatura das pernas. “Ela consegue se arrastar e se levanta com a ajuda de algum apoio. Mas, quando ela fica de pé, só as pontas dos pés encostam no chão”, explica Maria Pereira de Oliveira Santos, 42, mãe de Thairine.

Objetivo. A menina passou pela primeira aplicação da toxina botulínica no último dia 16, e tanto a mãe quanto os profissionais que a acompanham estão esperançosos. “O objetivo da aplicação é fazer com que seus calcanhares toquem o chão. Isso vai favorecer a postura de pé, que melhora o funcionamento dos órgãos internos, fortalece os ossos, a musculatura e impede futuras deformidades nas pernas”, explica a fisioterapeuta Adriana Wanderley Rocha, que é mestre em epidemiologia e atende Thairine na Associação Mineira de Reabilitação (AMR).

Outro caso comum causado pela paralisia cerebral é o enrijecimento das mãos. Injetada nas mãos, a medicação possibilita uma movimentação mais ampla para a criança, afetando de forma positiva seu aprendizado. “Só desenvolvemos e aprendemos aquilo que nós fazemos. Se a criança nunca consegue abrir a mão para pegar um copo, ela não irá aprender a pegar”, explica o fisiatra Carlos Alberto Mussa.

A aplicação de toxina botulínica está disponível na rede pública de saúde e também é coberta pelos planos de saúde.

Independência

Conquista. Estudos recentes sobre o problema indicam que a independência para tarefas do cotidiano, como comer sozinho ou tomar banho, ajuda nas recuperações cerebral e motora.

Utilização precisa ser acompanhada de outros métodos

A aplicação da toxina botulínica é uma ferramenta valiosa no tratamento de crianças com paralisia cerebral, mas precisa da complementação de outros métodos para ser eficaz. O primeiro deles é a fisioterapia, que nunca pode ser deixada de lado.

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“Geralmente, quando fazemos a aplicação da toxina, intensificamos as sessões de fisioterapia para aproveitar ao máximo seu efeito. Além disso, é fundamental que a criança continue usando as órteses para corrigir os membros e que a família faça os exercícios prescritos”, orienta a fisioterapeuta Adriana Wanderley Rocha. Ela explica, ainda, que a toxina botulínica tem um ápice de eficácia que costuma durar cerca de três meses. Então, é importante aproveitar essa janela para ter ganhos ainda maiores.

Na casa de Thairine, 8, os exercícios fazem parte da rotina. Sua mãe, Maria Pereira, 42, faz alongamentos todos os dias. “Dura mais ou menos meia hora cada sessão”, conta. É essa dedicação que garante o sucesso do tratamento, que se reflete diretamente na qualidade de vida da criança.

Thairine também usa uma polaina em toda a perna e tutores curtos nos pés, nos tornozelos, em uma parte das pernas e nos joelhos. Isso ajuda a manter os membros no lugar para evitar deformidades.
Com todos esses cuidados, a fisioterapeuta Adriana, que cuida de Thairine, estima que ela consiga adiar a necessidade de uma cirurgia para a correção do encurtamento muscular que a menina tem.

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