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Pesquisa da Unimontes reforça hipótese de que comprimento dos dedos pode ser marcador para câncer de próstata

Homens que possuem o dedo anelar maior que o dedo indicador têm risco de desenvolver o câncer de próstata. A conclusão é de uma pesquisa recente da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), que reforça a hipótese já apresentada em outros estudos científicos de que a aferição do comprimento dos dedos das mãos pode indicar o risco de um indivíduo apresentar ou não a doença.

Professores Patrícia Mendes e Hercílio Martelli - Foto: Léia Oliveira
Professores Patrícia Mendes e Hercílio Martelli – Foto: Léia Oliveira

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O trabalho foi realizado entre 2014 e 2015 pela recém doutora do Departamento de Odontologia e egressa do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da Unimontes, professora Patrícia Helena Costa Mendes, sob orientação do professor Hercílio Martelli Júnior.

O primeiro estudo – intitulado “Comparison of digit ratio (2D:4D) between Brazilian men with and without prostate cancer” – foi publicado em janeiro último no periódico científico: Prostate Cancer and Prostatic Diseases, vinculada ao de publicações da Revista Nature (Inglaterra). O material pode ser acessado neste link: www.nature.com/pcan/journal/vaop/ncurrent/full/pcan201562a.html. 

A pesquisa é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

“Atualmente, o câncer de próstata é a neoplasia maligna mais relacionada ao marcador 2D:4D (dedo indicador x dedo anelar). Grupos de diferentes nacionalidades buscam comprovar essa relação. A Universidade Estadual de Montes Claros é a segunda instituição do País a publicar estudos sobre esta temática, contribuindo para a pesquisa de fatores de risco associados à doença”, avaliou a professora Patrícia Mendes.

PROPORÇÃO 2D:4D

De acordo com a pesquisa, o comprimento do dedo indicador 2D (segundo dedo das mãos) em relação ao comprimento do dedo anelar 4D (quarto dedo) é considerado como um marcador de susceptibilidade de indivíduos a várias doenças. Por essa razão, a proporção 2D:4D tem a atenção de estudos científicos quanto à exposição pré-natal a hormônios sexuais, especialmente, à testosterona e ao estrógeno, que estão associados à etiologia de doenças, cujo aparecimento ocorre na vida adulta.

Em resumo, relata o estudo, o alto nível de testosterona é indicativo de uma alta atividade testicular pré-natal e está associado a um aumento no comprimento do dedo anelar em comparação com o comprimento do dedo indicador.

A proporção sugere que a doença possa estar relacionada aos efeitos da exposição intrauterina aos hormônios sexuais. Além disso, a influência hormonal tem sido amplamente investigada na etiologia do câncer de próstata, já que os andrógenos desempenham importante papel no desenvolvimento da próstata e no tratamento da neoplasia. 

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A validação da proporção 2D:4D como marcador para o câncer de próstata, segundo a autora, contribui para a pesquisa dos fatores de risco associados à doença e, ao mesmo tempo, como estratégia para medidas de prevenção aos indivíduos pertencentes ao grupo de risco.

“A proporção 2D:4D constitui um biomarcador simples, de fácil mensuração da exposição intrauterina aos hormônios sexuais. A análise do comprimento dos dedos oferece pistas sobre o risco de um indivíduo desenvolver uma doença, cuja etiologia possa estar relacionada às concentrações de hormônios sexuais in utero” afirma o professor orientador do trabalho Hercílio Martelli Júnior.

O professor ressalta ainda que o benefício da utilização da proporção 2D:4D como referência para a ocorrência de diversas doenças está relacionado à análise conjunta com outros fatores de risco associados às condições de etiologia multifatorial, como é o caso do câncer de próstata.

SEGUNDO ESTUDO – FISSURAS ORAIS

O Professor Hercílio Martelli Júnior coordena, também, um grupo de pesquisa que avalia a associação do marcador a diversas doenças e condições genéticas. Recentemente foi aprovado para publicação no periódico norte-americano The Cleft Palate-Craniofacial Journal, o artigo “Association between hand digitratio (2D: 4D) andnonsyndromic orofacial clefts”.

O trabalho analisou a proporção 2D:4D em pacientes com fissura labial e palatina não sindrômica (FLP/NS) sob a hipótese de que exposição intrauterina a hormônios sexuais poderia representar um fator de risco para esta condição, tendo em vista a influência concomitante de genes na diferenciação dos dedos como na ocorrência de fissuras orofaciais. Neste segundo estudo, considerado inédito, foi observado que indivíduos afetados por FLP/NS apresentaram proporções 2D:4D semelhantes a um grupo de indivíduos sem a condição, o que sugere que os níveis pré-natais hormonais não diferem entre os grupos, não sendo a proporção 2D:4D um marcador para a referida deformidade.

Ambos os estudos têm a contribuição dos professores Eduardo Gonçalves, Marise Fagundes Silveira, Daniella Reis Barbosa Martelli, Simone Melo Costa, Lívia Ribeiro Paranaíba e Letízia Monteiro de Barros, além de estudantes de iniciação científica e de Pós-Graduação da Unimontes.

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