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Papa Francisco dá lição sobre a Europa aos líderes da UE

 

Em um discurso na forma de lição sobre a Europa, o Papa argentino chamou todos os europeus e, especialmente, seus líderes, a retornar às fontes do projeto europeu e “ousar” uma mudança radical.

Papa Francisco dá lição sobre a Europa aos líderes da UE
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O papa Francisco pediu nesta sexta-feira (6) aos líderes europeus, todos presentes no Vaticano, a superar os egoísmos nacionais para “construir pontes e derrubar muros” e mudar seu modelo econômico, considerado injusto para a maior parte das populações.

Em um discurso na forma de lição sobre a Europa, o Papa argentino chamou todos os europeus e, especialmente, seus líderes, a retornar às fontes do projeto europeu e “ousar” uma mudança radical, especialmente econômica.

“Os projetos dos Pais Fundadores, arautos da paz e profetas do futuro, não foram ultrapassados: eles inspiram, hoje mais do que nunca, a construir pontes e derrubar muros”, disse Jorge Bergoglio, que recebeu o prêmio Carlos Magno por seu compromisso com a unificação europeia na enorme sala Regia, localizada ao lado da capela Sistina.

A cerimônia foi realizada no Vaticano, e não em Aix-la-Chapelle (Alemanha), onde o prêmio é tradicionalmente concedido, na presença da maioria dos líderes da UE, incluindo a chanceler alemã, Angela Merkel.

“O que aconteceu com você, Europa humanista, paladina dos direitos humanos, da democracia e da liberdade?”, questionou o papa Francisco, recordando “a impressão geral de uma Europa cansada e envelhecida, estéril e sem vida”, mencionado em seu discurso perante o Parlamento Europeu, em Estrasburgo, em novembro de 2014.

Pais fundadores

“Eu sonho com uma Europa onde ser um migrante não é um crime”, disse ele, lamentando “uma Europa que está cavando trincheiras, em vez de privilegiar ações que promovam uma nova dinâmica na sociedade”.

“A identidade europeia é, e sempre foi, uma identidade dinâmica e multicultural”, capaz de integrar “as mais diversas culturas e sem nenhuma ligação aparente entre elas”, frisou.

“Nos esconder em nossas pequenas zonas de conforto não é uma solução”, reconheceu pouco antes o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, antes do discurso do Papa.

Este último também atacou a falta de ambição dos líderes europeus, tentados a “adotar mudanças meramente cosméticas ou compromissos vacilantes para corrigir alguns tratados”.

Ele os incentivou a “ousar” para alterar o modelo vigente. E, em particular, o seu modelo econômico, que ele criticou, recordando os estragos do desemprego, especialmente entre os jovens.

“Como evitar a perda de nossos jovens, que acabam por partir para outro lugar em busca de ideais e senso de pertencimento, porque aqui na sua terra, não sabemos oferecer-lhes oportunidades e valores?”, questionou o pontífice argentino.

A resposta está em uma política econômica diferente, explicou, que não esteja orientada “a serviço de poucos, mas para o benefício das pessoas e da sociedade”.

Como tem feito em várias ocasiões, em particular na sua encíclica sobre o meio ambiente, “Laudato Si”, o papa Francisco denunciou duramente a “especulação”, a “cultura do lucro” e “corrupção”, defendendo a transição de uma “economia fluida” com base nas finanças para uma “economia social”.

“Eu sonho com uma Europa en que não podemos dizer que o seu compromisso com os direitos humanos foi a última utopia”, concluiu o Francisco.

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Além da chanceler alemã e Jean-Claude Juncker, participaram da cerimônia os presidentes do Conselho Europeu Donald Tusk, do Parlamento Europeu Martin Schulz, do Banco Central Europeu Mario Draghi e o rei espanhol Filipe VI, além do líder italiano Matteo Renzi e a chefe da diplomacia europeia Federica Mogherini.

Desiludidos, os líderes europeus constataram na véspera na capital italiana, na mesma sala onde foi assinado o Tratado de Roma, em 1957, a sua consternação com o aumento do populismo na Europa.

“A Europa é uma promessa, mas uma promessa que não foi mantida”, disse Martin Schulz.

“Alguns poderiam dizer, com um sorriso de escárnio, que a UE deve estar muito mal para chegar ao ponto de recorrer ao Papa”, observaram, amargos, Jean-Claude Juncker e Martin Schulz, na quinta-feira (5).

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