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A mulher e a lei – O que leva a mulher a não denunciar o agressor?

A mulher e a lei - O que leva a mulher a não denunciar o agressor?
A mulher e a lei – O que leva a mulher a não denunciar o agressor?

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Caros leitores,

No artigo desta segunda (9), falo sobre um tema que tem sido sugerido por muitos de vocês. Recebo diversas mensagens questionando o porquê de muitas mulheres não denunciarem os agressores. Uma das internautas, inclusive, conta que a vizinha sofre agressões há vinte anos, mas nunca procurou a polícia e não quer que os vizinhos a ajudem.

Na pesquisa da Datasenado em 2013 há dados relevantes para que possamos analisar o cenário e a problemática que envolve a violência doméstica/familiar contra a mulher. Na pesquisa, foi constatado que 99% das mulheres já ouviram falar na Lei Maria da Penha.

Dados estatísticos da violência contra a mulher (Fonte: DATASENADO/2013):

Foram identificados alguns temas importantes na pesquisa e os resultados apurados foram colocados para o conhecimento de todos:

1. Na maioria dos casos, o agressor é o próprio parceiro: 65% são agredidas por marido, companheiro ou namorado; 13% são agredidas por ex-marido, ex-companheiro ou ex-namorado; 11% são agredidas por um familiar; 2% são agredidas pelo padrasto.

“O ciúme e o uso do álcool continuam sendo os principais fatores declarados como motivos para a agressão, com 28% e 25% das respostas, respectivamente.

2. Há uma tendência em não procurar a polícia. Em relação à última agressão sofrida por cada uma das mulheres, foi identificado que: 35% das mulheres denunciaram em delegacias; 34% das mulheres procuraram ajuda de amigos, parentes e/ou igrejas; 15% das mulheres não fizeram nada em relação à violência.

“Esses dados revelam a tendência seguida por muitas mulheres de não se colocarem em posição de litígio contra o agressor ou de não tomarem atitudes que possam resultar diretamente na prisão dele”.

3. Medo do agressor é o que impede a denúncia: 74% têm medo do agressor; 34% têm dependência financeira; 34% têm preocupação com a criação dos filhos; 26% têm vergonha da agressão; 23% não acreditam na punição; 22% acreditam que seria a última vez; 19% não conhecem seus direitos.

4. Depois da Lei Maria da Penha, a proteção à mulher aumentou: 65,6% disse que está melhor; 28% dizem que vivem da mesma forma; 4,5% afirma estar pior.

De acordo com a Lei Maria da Penha, em alguns casos, após denunciar a agressão, a mulher não pode mais retirar a ocorrência na delegacia. Segundo a pesquisa, 62,7% dos entrevistados acham que por isso muitas deixam de denunciar. Ainda de acordo com a pesquisa, 88% dos procurados disseram que se presenciassem uma agressão, denunciariam à polícia.

Analisando os dados constantes na pesquisa Datasenado/13, vemos que ainda é muito pequeno o número de denúncias relacionadas à violência doméstica. Mesmo com a comprovação de que cerca de 99% das mulheres ouviram falar na Lei Maria da Penha, ainda há muitas delas com medo dos agressores.

Por isso, insistimos em dizer às mulheres que sofrem violência que elas não estão sozinhas. Embora tenham que ser protagonistas na superação do ciclo da violência, o Estado, por meio de uma Rede de Enfrentamento à Violência, oferece às mulheres os meios necessários para mudança em suas vidas. A Secretaria da Mulher do Estado de Pernambuco tem como atribuição formular, coordenar e articular políticas para mulheres, coordenando diversos programas e ações de combate à violência de gênero.

Então se você estiver sofrendo violência doméstica não espere a segunda ou a terceira agressão. Pode ser que não dê tempo. Denuncie na primeira, não importando se for psicológica, física, moral, sexual ou patrimonial. Supere toda a sua dor e procure a Rede de Enfrentamento que irá lhe orientar e ajudar a mudar sua vida. O ensinamento de hoje é: “Não devo esperar a segunda agressão”

Procure uma Delegacia da Mulher e denuncie! Você não está sozinha, veja em quais órgãos procurar ajuda:

Central de Atendimento à Mulher do Governo Federal – 180

Polícia – 190 (se a violência estiver ocorrendo)

*As colunas assinadas não refletem, necessariamente, a opinião do Jornal Montes Claros

Por Gleide Ângelo

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