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Mafalda – 52 anos cultivando a emancipação das mulheres

Mais de meio século depois, o raciocínio humanista e o espírito libertário da personagem de Quino seguem mais necessários que nunca

Mafalda - 52 anos cultivando a emancipação das mulheres
Mafalda – 52 anos cultivando a emancipação das mulheres

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Num momento de retrocessos no país, com as políticas públicas para cultura e educação sendo extremamente ameaçadas e a formação de ministérios compostos exclusivamente por homens, Mafalda nunca se fez tão necessária.

Mafalda é uma garotinha de 6 anos de uma típica família de classe média argentina. Personagem publicada em formato de tirinha nos jornais entre os anos de 1964 à 1973, Mafalda ganhou vida própria. Foi posteriormente publicada em livros, ultrapassou fronteiras e acabou sendo traduzida em 26 idiomas.

Contestadora dos padrões estabelecidos socialmente, Mafalda, como os demais personagens – seu pai, sua mãe Raquel, seu irmão e os amigos, Felipe, Manolito, Susanita, Miguelito e Libertad – foi criada para satirizar o comportamento humano e levantar reflexões. Mesmo sendo apenas uma criança, ela questiona e percebe o mundo com outros olhos, principalmente por representar uma geração de mulheres politizadas, que desempenham novos papéis, não aceitando os moldes tradicionais fundamentados pelo patriarcalismo e pela dominação masculina, nos quais as mulheres têm que ser boas esposas e mães, dedicando-se apenas à família, abdicando dos seus estudos e profissionalização.

mafalda

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Em contraposição ao discurso de Mafalda, o cartunista também dá voz a personagens com ideologias e aspirações completamente opostas; Raquel, sua mãe, não expressa qualquer opinião de ordem econômica, política ou cultural, se limitando ao espaço socialmente destinado às mulheres, ocupando o lugar de esposa, mãe e dona de casa. É também nessa perspectiva que conhecemos Susanita, que sem grandes ambições profissionais, opta por simplesmente casar e ter filhos.

São vozes comuns, de pessoas comuns, mas que colocam em pauta discursos (re)produzidos em favorecimento do arquétipo da mulher ideal. Estabelecendo papeis demarcadamente femininos que historicamente oprimem e objetificam a mulher, distanciando-a da emancipação dos sexos. Quino contrapõe uma Mafalda que lê, questiona e problematiza a sociedade, com personagens que não exercem pensamento crítico, nem se incomodam com questões que vão além da sua vida pessoal.

A partir de suas criações, Quino conseguiu criticar o contexto político e econômico argentino da época, recorrendo à metáforas para falar de assuntos que podiam ser censurados. Por conseguinte, ao ler as tirinhas, havia a possibilidade de se reconhecer nas situações abordadas, provocando uma auto crítica, mas também, de rir dos seus próprios problemas.

Apesar dos cinquenta anos que se passaram desde sua publicação em jornais, Mafalda continua sendo uma crítica aos papeis culturais, sociais e políticos engessados que perpetuam e se fazem presentes em nossas sociedades.

Mafalda representa toda uma geração de mulheres ávidas por ecoar suas vozes, mulheres que buscam mudanças, espaços de igualdade de gêneros e lugar de expressão – que estão sempre prontas para afrontar discursos socialmente estabelecidos que entalam na garganta, que se empenham na luta por sociedades mais humanas.

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