Inicio » Colunistas » Adilson Cardoso » Coluna do Adilson Cardoso – Hélios

Coluna do Adilson Cardoso – Hélios

Perdoe-me os outros Hélios, mas preciso dizer algumas coisas sobre Hélios que não são de gentilezas. Talvez a sorte de contracenar com Hélios sem caráter e sem sorte tenha me induzido ao texto que não me recordo quando escrevi, publico agora depois do tempo que não sei qual é devido um banho de lama dado por um carro numa rua alagada, nesta tarde de chuva fina, a placa do carro além dos números em seqüência ordinária como se contasse uma data, também se lia HÉLIO.  Meu azar com este nome começa na transição da adolescência para a fase adulta, Hélio um senhor careca de barriga grande tinha um taxi azul, era um Passat velho com visíveis sinais de lanternagem. Eu estudava numa escola a 10 km de casa, ia e voltava a pé amarelo de fome, aliás, amarelo não, acinzentado, pois negro não tem o dom desta transição para cores puras, ainda que seja em casos especiais como fome ou hepatite. Então o velho Hélio me observava passar próximo ao seu ponto ordinariamente todos os dias, algumas vezes o carro não estava, provavelmente fazia corrida. Certa vez em que apesar de não nos cumprimentarmos, mas pela força da vista freqüente parecíamos amigos, que o canalha dissera que precisava de uma ajuda, e, por este favor, se eu lhe prestasse daria uns bons trocados que daria para comprar uma bicicleta, o que m e livraria daquela peleja do andar sem fim. Aceitei feliz e jurei não contar a ninguém, nem a mãe nem ao pai. O tal favor era entrar na casa do próprio taxista e retirar um cofrinho de boi Nelore que ficava sobre uma penteadeira no quarto do casal, isto entre 12:00 e 13:00 h quando a mulher sairia para levar as crianças na escola. Achei estranho e perguntei o motivo de retirar algo da sua própria casa, ele disse que faria uma brincadeira com a esposa, era aniversário dela.  Fui no horário marcado, tomando todas as precauções para fazer a coisa direito e ter a sonhada bicicleta. Entrei na casa, olhei sem medo para cada canto, já que sabia ser uma brincadeira, entrei no quarto, primeiro no quarto errado que parecia de criança, depois errei novamente e adentrei um que era de um jovem adulto e finalmente cheguei ao lugar certo, sem procurar muito lá estava o cofre na descrição perfeita do careca taxista, peguei e sai sorrindo pelo crime perfeito, me sentia um bandido cinemático saindo sem deixar pistas, mas cantei vitória cedo demais, quando estava na sala à porta para a rua se abrira e uma mulher baixa de cabelos alaranjados e um homem louro de olhos pequenos e cabelos crespos fumando um cigarro, entraram com algumas sacolas nas mãos. Tivemos uma sessão de susto coletivo, porém ninguém tivera a coragem de gritar, a mulher escondeu-se atrás dele e gritou pega ladrão, o homem precipitara para o meu lado, mas com certa cautela quando viu que eu segurava o cofre em posição de arremesso. Depois da “guerra fria” eu disse qual era o meu papel ali e a mando de quem eu estava, pediram uma prova de que eu dizia a verdade e exigiram que eu deixasse o cofre sobre a mesa ou chamariam a policia. Eu até pensei em relutar, dizer que existia o sonho da bicicleta, mas sai no lucro por não sair algemado.  Perdi o dia de aula e para variar uma prova de matemática da carrasca educadora de nome Vera Lucia.  No final da história quando fui concatenar as idéias, cheguei à conclusão que o careca taxista do Passat azul com sinais de lanternagem, era separado da mulher que já era casada com o “albino” e o tal cofre que eu estava furtando sem querer continha moedas de ouro que valiam uma fortuna, que provavelmente na separação a mulher ficara com a posse. Outro Hélio que recordo, era caixa de um supermercado e casado com Rita, uma morena linda de olhos verdes, tinham um filho juntos e ela dois de outros relacionamentos, este era alcunhado por “Hélio Manso” o corno estereotipado, todo mundo sabia que durante seu horário de trabalho Rita recebia alguns amigos para se divertir, certa vez após receber uma carta anônima com fotos de orgias da esposa, Hélio mandou publicar uma nota no Jornal,

 “Confio na minha esposa, acredito apenas no que ouvi da boca dela, que sofreu tentações do Diabo que a deixou com a carne fraca, o mais importante é que ela me ama!”

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso

------------------------------------------------------------------------

Se você é a favor de uma imprensa totalmente livre e imparcial, colabore curtindo a nossa página no Facebook e visitando com frequência o site do Jornal Montes Claros


------------------------------------------------------------------------

------------------------------------------------------------------------

Leia Também

Cultura Moc - Festa Nacional do Pequi começa na próxima semana

Cultura Moc – Festa Nacional do Pequi começa na próxima semana

Compartilhar no WhatsApp* Por: Jornal Montes Claros - 10 de dezembro de 2016.Cultura Moc – …


Aviso: nossos editores/colunistas estão expressando suas opiniões sobre o tema proposto, e esperamos que as conversas nos comentários sejam respeituosas e construtivas. O espaço abaixo é destinado para discussões, para debatermos o tema e criticar ideias, não as pessoas por trás delas. Ataques pessoais não serão, de maneira nenhuma, tolerados, e nos damos o direito de excluir qualquer comentário ofensivo, difamatório, calunioso, preconceituoso ou de alguma forma prejudicial a terceiros, assim como textos de caráter promocional e comentários anônimos (sem um nome completo e email válido).