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Handebol – ‘Sangue nos olhos’ é o mérito das meninas, garante Duda Amorim

Eleita melhor do mundo na temporada de 2014, a armadora-esquerda aponta mudança de mentalidade como chave para sucesso da seleção feminina.

Belgrado, Sérvia, dia 22 de dezembro de 2013. Seria uma véspera de Natal tranquila se não fosse o maior triunfo de uma equipe nacional na década. Contra a seleção local, com quase 20 mil pessoas abarrotando a Kombank Arena, a catarinense Duda Amorim liderou a seleção brasileira feminina de handebol para o título histórico com performance digna dos grandes festivais. Amadora-esquerda, a atleta não escondeu a felicidade ao conversar com o SuperFC sobre o dia em que o Brasil assombrou o planeta com a conquista do Mundial, na qual foi MVP (jogadora mais valiosa).

Duda liderou a equipe para garantir título histórico
Duda liderou a equipe para garantir título histórico

“Eu fiquei feliz com o prêmio, mas muito mais feliz com a medalha. Talvez, para as pessoas que não conheçam o handebol, pode ter sido um surpresa, mas não foi. Todos os amistosos que a gente fazia, a gente ganhava bem mais do que perdia, e as derrotas não eram por muitos gols de diferença, igual era antigamente. A gente estava chegando muito perto”, relembrou Duda Amorim.

O cenário poderia assustar, mas para o selecionado comandado por Morten Soubak, o dinamarquês que mudou completamente a mentalidade do time, era motivador. Afinal, quem imaginaria que este time chegaria tão longe? Esse é o principal motivo apontado pela armadora-esquerda para a evolução da equipe na modalidade, uma das favoritas ao título olímpico na Rio 2016.

“A mentalidade brasileira não tem aquela coisa de ganhar no sangue. E até isso entrar na cabeça de todas as atletas e a gente levar a sério demorou bastante tempo. Tinha campeonatos que a gente ia, chegava lá ‘legal, estou participando’, simplesmente isso. Então, chegou uma comissão que colocou o ganhar em nossa cabeça e a gente começou a focar de outra maneira. É uma evolução enorme principalmente nessa parte de competitividade, de conseguir ganhar os jogos”, indica a atleta.

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Defendendo o país desde 2006, a jogadora do Györi Audi ETO KC um dos principais times da Hungria, recentemente finalista da Liga dos Campeões da EHF (Federação Europeia de Handebol) e ainda na briga pelo título nacional. Em 2014, mais uma grande conquista: foi eleita a melhor jogadora do mundo na modalidade. Mesmo na reta final da competição em seu país, Duda confessa que a cabeça dela e das companheiras de seleção já está nas Olimpíadas.

“Estamos com alguns trabalhos extras, tanto da parte psicológica, mas principalmente da parte física. Sempre que a gente tem uma manhã livre, nos cuidamos porque temos jogos e não dá para forçar muito, fazemos uma corrida ou uma musculação extra. Falando com as meninas, dá para ver que está todo mundo fazendo, todo mundo realmente com sede dessa medalha”, revela.

Se a vontade de vencer e conquistar o ouro dentro de casa é grande, o técnico da seleção usou uma estratégia surpreendente quando escolheu o grupo mais difícil do torneio olímpico, que tem a Noruega, atual bicampeã olímpica e vencedora do Mundial de 2015, e a Romênia, algoz brasileiro na competição realizada na Dinamarca. Mesmo discordando do comandante, Duda confia nas ideias de Morten.

“Eu achei uma estratégia arriscada para falar a verdade. Fiquei um pouco preocupada, porque estamos indo para Olimpíada e temos a chance de não classificar. Mas isso é típico dele (Morten Soubak). Ele sempre foi o primeiro a acreditar. Então a gente só vai com ele, e apenas segue o trabalho dele. Se ele acreditou que a gente pode ir nesse grupo, a gente vai conseguir”, cravou a armadora.

Depois de conquistar a sexta colocação em Londres 2012, a melhor colocação na história, o pódio é o alvo da seleção, que terá no caminho, além da Noruega e Romênia, no grupo A, Angola, Espanha e Montenegro. Antes de chegar ao Brasil para encerrar a preparação para os Jogos, as meninas da seleção se encontrarão na Europa e para, inclusive, jogar um amistoso com a Dinamarca.

Vez dos meninos ainda vai chegar

Se a seleção feminina evoluiu e chegou a um patamar diferenciado, a masculina ainda enfrenta dificuldades para se firmar no panorama mundial. No Campeonato Mundial do Catar, em 2015, os rapazes não passaram das oitavas, após um duelo duro com a Croácia, uma das potências da modalidade. No entanto, Duda alerta que as conquistas da seleção masculina estão próximas.

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“Não acredito que falta muita coisa, acho que eles estão no tempo certo. Para mim, ainda falta um prazo. Eles estão amadurecendo, jogando bem e evoluindo a cada campeonato. Tem uma geração forte vindo e terão uma renovação muito melhor que a do feminino, por exemplo”, apontou.
Apesar do momento, um lamento

Mesmo com a seleção brasileira sendo considerada uma das favoritas para as Olimpíadas, Duda não esconde sente um remorso por não ter conquistado novamente o Mundial, na edição de 2015. Depois de um jogo épico contra a França, que teve três gols no último minuto de partida e com a vitória garantida apenas quando restavam cinco segundos no marcador, o Brasil caiu nas oitavas diante da Romênia. Para não repetir a queda, a armadora da seleção indica atenção máxima nos momentos de decisão.

“Aquela situação (jogo contra a França) não foi treinada, foi esperteza da goleira e da Dandara, de receber a bola rápido e ver o gol livre e marcar o gol. Então foi super legal, uma emoção enorme, mas eu trocaria essa vitória por um triunfo sobre a Romênia. Temos que estar melhores no dia das quartas, da semi e da final. É isso que importa, temos que mudar um pouco essa mentalidade de jogar o melhor do mundo e tirar o sangue na classificação, sendo que a gente precisa estar bem nas quartas, porque na Olimpíada vai ter nova regra e não vai ter mais desse gol”, cravou.

Do Super FC

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