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Coluna do Adilson Cardoso – Intenções do destino

Helberson, tem um moço chamando por você! – Ah não mãe, diz que estou dormindo! – Helberson, ele disse que lhe pediu para comprar um gás ontem à tarde, quer saber onde está o dinheiro! Helberson se levanta apressado, calça um tênis  cheirando a chulé e sai do quarto abotoando a camisa, entra no banheiro e lava rapidamente o rosto, escova os dentes e vai  apressado rumo à porta da sala onde a mãe conversa com a visita que está na parte de fora da casa. De uma pequena abertura da janela de vidros é possível ver o homem que o aguarda, usa camisa de malha verde com letras brancas escritas em inglês, bermuda jeans e um chinelo de dedo, tem algo na cintura que ele não identificou se era arma ou uma pochete. Ao seu lado  uma jovem garota, não devia ter mais que quatorze anos, estatura baixa, aproximadamente 1,60 m, cabelos escorridos pelos ombros, short de malha branco e camiseta preta estampada com nome de cantor sertanejo. Helberson olhou por alguns minutos as feições do homem que se mostravam sorumbática, suas gesticulações agressivas e um dedo em riste apontado em diversas direções como se contasse uma história. De repente a porta se fecha e a mão da mãe dele fica do lado de dentro, quer ter certeza que não será puxada. Comentam algo em voz baixa e ela constantemente se vira com pequenas aberturas da porta na intenção de olhar o interior da casa. O nome do homem era Osvaldo, a garota se chamava Priscila e era sua filha. Com razão ele estaria furioso, Helberson admitia que usara o dinheiro para comprar drogas, mas o arrependimento já era sentido, o medo da represália não deixou que ele saísse para justificar o seu ato e dizer que pagaria, saiu pela porta dos fundos e saltou o muro para um lote vago, dali se passaram duas semanas sem que ele desse noticias, quando a mãe e os irmãos já se preparavam para mais uma passeata com os cartazes de desaparecido pelas ruas, Helberson bateu a porta e entrou sorridente com alguns milhares de pedidos de desculpas. O rancor pelo sumiço sem causa aparente não foi maior que a alegria de vê-lo com vida, com certa diferença desta vez, estava sóbrio e com dinheiro. Após varias sessões de perguntas e respostas a felicidade expandiu  ao ser revelado por ele que ficara  todo aquele tempo na casa da ex-mulher, fizera um pacto para reconciliação e deixar as drogas, conseguira trabalho e viera apenas buscar pertences. Comemoraram com olhos lágrimas caindo e promessas de oferendas ao Deus pai todo poderoso pela enorme graça, uma das irmãs quebrou o cofrinho que seria aberto no natal, com as economias fizeram um bolo, tomaram refrigerantes e se despediram dele com grande felicidade, voltaria ao seu antigo lar, de onde as drogas o separara dos filhos e esposa. Mas antes saudaria uma divida, aquela que o fizera saltar os muros e incrivelmente reencontrar seu caminho. A casa era numa rua próxima, abaixo de onde morava, um sobrado ocre, janelões de grades retorcidas na parte de cima, embaixo uma garagem sem carros e plantas que se misturavam a ervas – daninhas. A campainha não estava funcionando, atestou depois de diversos apertões, mas uma pequena cadela que foi gritada por Pancinha veio recebê-lo sem nem um pouco de simpatia. Mas logo atrás vinha Priscila, usava uma blusa branca comprida aparentemente sem roupas de baixo, Helberson notou nos sinais pontiagudos dos mamilos, as pernas não estava depiladas, ele retirou imediatamente os olhos direcionando a cima para perguntar sobre o seu pai, a moça abriu o portão e apontou para dentro, ele seguiu os comandos, observou corações desenhados a caneta nas paredes e o nome da menina no interior, tinha outro acompanhando, mas sua leitura rápida não conseguiu identificar. O portão se fechou com a tranca e ela passou correndo a sua frente, parecia querer brincar de “pega-pega”, Helberson parou e perguntou novamente sobre o seu pai, Priscila pediu que ele aguardasse que o chamaria. Mas já duravam cinco minutos e ninguém apareceu, até que ele direcionou-se ao portão para ir embora, mas ela surgiu completamente nua de dentro da casa e sem dizer palavra alguma parou a pouco mais de um metro dele, girou o corpo para que ele a olhasse e passou a mão sutilmente pelos seios e cabelos. Helberson olhou inteiramente para ela e virou-se em pânico para a saída, mas ela correndo feito o vento lhe tomou a frente e arrancou a chave do portão, sem o que fazer Helberson a seguiu gritando, por favor, queria apenas  a chave, enquanto ela corria serelepe saltitante feito grilo… policiais perseguiam bandidos que acabaram de assaltar uma casa lotérica há poucas quadras dali, enquanto as motos acompanhavam  os meliantes,  o Helicóptero subia ao apoio. Helberson continuava sua corrida desesperada atrás da menina nua, queria a chave a qualquer custo, por isto gritava e ela não esperava, fugia dele com toda sua força juvenil, com toda sua graça e fantasia de se entregar depois do cansaço. De repente o Helicóptero baixa a ponto de deixar o rapaz na mira de fuzil, mas Helberson não entende aquela interpretação do momento e corre para o interior da casa onde Priscila acabava de entrar. Poucos minutos se passam e um batalhão de repórteres acampa diante da frente da casa acompanhando o desfecho de uma operação que reunia mais de duzentos policiais. O pai de Priscila desesperado chegou e soube da terrível noticia “Sua filha estava sendo violentada sexualmente”. Helberson não se entregou, não sabia que crime cometera, pois vinha à mente coisas que já havia pagado não se lembrava de mais nada. Até que entrou em surto de abstinência e tentou pular os telhados dos fundos para escapar. Um atirador em posição fez a mira do alto de prédio próximo e alvejou Helberson que morreu na hora com um tiro no peito.

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
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