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Rio de Janeiro – Trauma de estupro coletivo é o mesmo de sobrevivente de guerra

Rio de Janeiro – Trauma de estupro coletivo é o mesmo de sobrevivente de guerra

‘Ela sobreviveu fisicamente, mas agora precisa tornar-se sobrevivente psíquica e emocionalmente’, diz psicóloga sobre o caso de estupro coletivo no Rio.

‘Ela sobreviveu fisicamente, mas agora precisa tornar-se sobrevivente psíquica e emocionalmente’, diz psicóloga sobre o caso de estupro coletivo no Rio
‘Ela sobreviveu fisicamente, mas agora precisa tornar-se sobrevivente psíquica e emocionalmente’, diz psicóloga sobre o caso de estupro coletivo no Rio

 

A recuperação da adolescente que foi vítima de um estupro coletivo no Rio de Janeiro vai exigir um amplo trabalho psicológico e psiquiátrico. Na opinião de especialistas, o método de tratamento será semelhante ao aplicado em casos de sobreviventes de guerras e conflitos militares. A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) acompanha o caso e vai garantir o atendimento da vítima.

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O caso que chocou o país foi revelado nessa quarta-feira, quando suspeitos de praticar o crime publicaram vídeos da vítima nas redes sociais. A jovem, de 16 anos, teria sido abusada por mais de 30 homens. As imagens incluíam vários comentários agressivos e piadas sobre a jovem, que aparece desacordada após o abuso. Internautas denunciaram as publicações à polícia e a Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática do Rio já investiga o crime. A vítima realizou exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML), mas ainda está abalada emocionalmente com o acontecido.

Segundo a psicóloga clínica Sylvia Flores, o método de tratamento nesses casos é o mesmo utilizado para recuperar pessoas que sobreviveram a conflitos. Técnicas de análise ou aconselhamento não surtem o efeito desejado e o indicado pela disciplina é o psicoterápico, além do atendimento psiquiátrico. “O tratamento caminha no mesmo sentido de vítimas de violência severa, como guerras ou atrocidades civis. A simples terapia não vai resolver”, recomenda a psicóloga.

“Ela sobreviveu fisicamente. Mas agora precisa tornar-se uma sobrevivente psíquica e emocionalmente. Esse é um caso em que a vítima é devastada da sua identidade. Os agressores arrancaram dela a sensação de poder sobre a própria vida e o próprio corpo. Será um trabalho muito árduo para recompor a identidade e o sentido de viver. Um renascimento na verdade”, afirma Flores, que é professora de Psicologia Jurídica e Criminologia Psicológica na Newton Paiva.

A psicóloga lembra ainda a teoria do médico psiquiatra austríaco Viktor Frankl (1905-1997), que foi um sobrevivente do campo de concentração nazista de Auschwitz na Segunda Guerra Mundial. O autor lançou ‘Em Busca de Sentido’ e criou a logoterapia, que explora a restituição de sentido no indivíduo.

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“Ele desenvolveu uma teoria, com base na experiência como prisioneiro, que não importa o grau de sofrimento. O que as pessoas precisam fazer para sobreviver é localizar algum sentido na vida no presente ou no futuro. Essa abordagem é adequada no caso da jovem, pois ela precisa resignificar-se. Do contrário, os agressores arrancaram muito mais do que aparenta”, afirma Flores.

O restabelecimento emocional da adolescente será fundamental inclusive para lidar com o machismo e preconceito ainda presente na sociedade brasileira. “Ela precisa voltar a se sentir empoderada sobre a própria vida e a si mesmo, até mesmo para que possa servir de exemplo na luta de tantas mulheres que sofrem abuso. Para isso é fundamental tempo e apoio da família”, acrescenta.

Crimes em Minas

Casos de violência contra a mulher não são raridade no Brasil e Minas Gerais não está diferente. Em 2015, o Estado registrou 4.448 ocorrências, segundo dados da Secretaria de Defesa Social (Seds), que contemplam crimes de estupro consumado, estupro tentado, estupro de vulnerável (vítimas abaixo dos 14 anos) consumado e estupro de vulnerável tentado.

Somente nos primeiros quatro meses de 2016, a Seds contabiliza 1.355 casos em Minas. Nesse recorte, 1.170 foram consumados, dos quais 733 com menores de 14 anos. A soma, contudo, é inferior ao número registrado no mesmo período de 2015, que é 1.455 ocorrências.

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