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Montes Claros – Atendimento hospitalar em Montes Claros é preocupante

Montes Claros – Atendimento hospitalar em Montes Claros é preocupante

A situação do atendimento hospitalar em Montes Claros é mesmo preocupante. Enquanto o Governo do Estado de Minas Gerais anuncia o repasse de milhões para o setor a e unidade regional divulga relatório da excelência dos resultados alcançados na gestão da Saúde no município, servidores dos hospitais reclamam da falta de pagamento de salários e de cumprimento de direitos básicos e fundamentais, como depósito do FGTS, pagamento do Auxílio Alimentação e Cesta Básica. De outro lado, pacientes com doenças graves, como câncer de próstata, penam com a falta de medicamentos, correndo risco de morte pela descontinuidade do tratamento quimioterápico. Para piorar a situação, hospitais fecham alas inteiras, e ainda correm o risco de encerrar o atendimento de vez.

Um grupo de funcionários do hospital Aroldo Tourinho se reuniu, na manhã desta segunda-feira (18/07/2016), em frente ao hospital, com o objetivo de, mais uma vez, segundo os funcionários, protestar contra a falta do cumprimento das obrigações trabalhistas por parte da direção do hospital. Esse é o segundo protesto em pouco mais de seis meses. De acordo com os profissionais, desde o ano passado a categoria vem sofrendo com o atraso no pagamento dos salários, que já chegaram a ficar até seis meses em atraso.

Um grupo de funcionários do hospital Aroldo Tourinho se reuniu, na manhã desta segunda-feira (18/07/2016), em frente ao hospital, com o objetivo de, mais uma vez, segundo os funcionários, protestar contra a falta do cumprimento das obrigações trabalhistas por parte da direção do hospital.
Um grupo de funcionários do hospital Aroldo Tourinho se reuniu, na manhã desta segunda-feira (18/07/2016), em frente ao hospital, com o objetivo de, mais uma vez, segundo os funcionários, protestar contra a falta do cumprimento das obrigações trabalhistas por parte da direção do hospital.

 

Fizemos várias manifestações em protesto, cobramos de todas as formas da diretoria e os salários atrasados foram pagos de forma escalonada, parcelada, até serem regularizados, mas passamos a receber todo mês com pelo menos 25 dias de atraso. Para você ter uma ideia, ainda não recebemos o salário de junho.  Além disso, o Cartão Alimentação, no valor de R$ 100, deixou de ser pago há cinco meses e a empresa fornecedora suspendeu o serviço. Também foi suspensa a Cesta Básica, agravando ainda mais a situação de muitos trabalhadores, que perderam essa fonte complementar para a alimentação de sua família. O FGTS também deixou de ser depositado há oito meses, tirando nossa segurança trabalhista – relata um dos funcionários participantes do movimento de protesto, que também conta que está com férias vencidas há três anos.

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Assim como eu, vários colegas também estão sem tirar férias, e muitos deles foram obrigados a assinar um documento como se tivessem cumprido férias regulamentares, para resguardar o hospital. Nosso trabalho é extremamente desgastante e é imprescindível que as férias sejam cumpridas, até mesmo para garantir a qualidade e a segurança do atendimento ao paciente – argumenta.

O funcionário explica que não há uma comunicação clara entre a direção do hospital e os servidores, e fica um jogo de empurra-empurra, com a transferência da responsabilidade.

Trabalho há mais de 20 anos no Aroldo Tourinho e o hospital é como se fosse minha família. É claro que estamos sensíveis à crise econômica pela qual passa o país e nesses anos todos, tivemos vários diretores, mas nunca vi nada parecido como o que a atual diretoria está fazendo. Quando o repasse dos recursos era feito pelo município, a reclamação era de que o prefeito não fazia o pagamento. Tivemos dificuldades, mas recebíamos o salário e os direitos trabalhistas em dia, o corpo clínico estava satisfeito. Agora, com a gestão do Estado, a diretoria fala que também que não estão repassando o recurso. Desde o final do passado estamos sofrendo com o atraso nos salários, e alguns colegas tiveram dificuldade até para vir trabalhar, porque, se não recebem falta dinheiro até para o básico, como transporte e alimentação. Não é justo que nosso nome vá para o Sistema de Proteção ao Crédito (SPC), porque o hospital não paga o salário em dia e, consequentemente, ficam em aberto as parcelas de financiamento com desconto em folha. As famílias que cuidam do hospital fazem o que querem, ninguém fiscaliza a aplicação do recurso que recebem, tomam decisões sem considerar os funcionários, sem se importar com o impacto que essas decisões causam a nossas famílias – reclama.

Outra funcionária participante do movimento relata que sofrem constantes pressões da diretoria que tenta impedir que façam qualquer tipo e denúncia ou protesto, e que os funcionários são obrigados a ficarem calados mesmo diante de situação com as quais jamais poderiam concordar.

Agora mesmo, estão rifando o material da casa de descanso, que é o único espaço que temos para relaxar minimamente na pausa do serviço. Estão vendendo o material da lavanderia, que está novinho, e não gastaram um minuto sequer para justificar essas medidas, como se não nos dissesse respeito. Como o hospital é conveniado com o sistema público, todos merecemos ser pelo menos informados das mudanças, até para evitar desgaste público como esse protesto – avalia.

Segundo a funcionária, além dos direitos trabalhistas, o atendimento ao paciente também está comprometido.

Além da falta de respeito com o profissional, falta de tudo, até medicamento básico – denuncia. De acordo com a funcionária, todos os profissionais se desdobram para que os problemas não afetem os pacientes, mas, do jeito que está, o hospital vai acabar fechado.

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É uma pena ter que fechar uma porta de entrada tão importante, mas essa é a realidade. Já foram fechados alguns setores, como a Maternidade e a Ortopedia, o serviço de cardiologia já não é mais o mesmo e, pelo que acompanhamos no dia a dia, fechar o hospital seria mais digno do que submeter servidores e pacientes a esse tipo de situação, de abandono e descaso. O que mais me entristece é que ninguém da administração se importa em esclarecer minimamente o que está acontecendo. Pelos corredores, o que se ouve, inclusive dos próprios médicos, é que o fechamento do hospital é inevitável e vai ocorrer nos próximos dias. E nós, que estamos há anos trabalhando aqui, como vai ficar? Se não tem dinheiro para pagar o salário, vai ter para fazer o acerto trabalhista, caso o hospital feche? – questiona.

Segundo a servidora, mesmo com todas as dificuldades, os funcionários nunca abandonaram os pacientes.

Mas também não queremos ser abandonados pelo hospital – conclama.

PROTESTO

Além das reclamações em relação ao cumprimento dos direitos trabalhistas, o grupo faz um apelo ao Estado, para que seja sensível à situação do hospital, e não deixe que a unidade seja fechada.

É um apelo de amor, porque sabemos da necessidade da população pelos serviços do hospital. Temos sido solidários, fazendo sacrifícios pessoais para o hospital continuar funcionando, mas chegamos ao nosso limite. Precisamos que o Estado intervenha e, como gestor, faça valer o direito do cidadão de receber o atendimento e dos funcionários de serem remunerados dignamente – apela.

Apesar de terem se mobilizado nesta segunda-feira, os funcionários decidiram não efetivar o movimento e, na noite desta quinta-feira (21), vão se reunir para constituir uma comissão, para a qual deram o nome de “Direitos do Aroldo”, quando vão fechar uma pauta de reivindicações.

Nossa principal reivindicação, além da regularização dos pagamentos em atraso, é que a diretoria estabeleça uma comunicação clara com os funcionários e, caso realmente venha a fechar as portas, que possamos ser comunicados com a antecedência mínima, afinal, todos temos nossas próprias demandas. Além disso, podemos unir forças para tentar buscar junto ao Estado o apoio necessário para mudar esse quadro. A diretoria do hospital precisa ser mais democrática e entender que o hospital não pertence a ela, e que todos nós funcionários fazemos parte dessa história e precisamos ser incluídos e repeitados – finaliza.

Os funcionários pediram para que seus nomes não fossem divulgados pela reportagem, porque temem sofrer represálias, especialmente em caso de fechamento do hospital, quando o acerto pode ser dificultado.

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do Hospital e do Governo do Estado para uma nota de esclarecimento, mas até o fechamento desta edição ainda não havia recebido. Também foi feito contato com o Sindicato dos Empregados dos Estabelecimentos de Saúde de Montes Claros (SIEESS), mas também não obtivemos resposta.

Por Jerúsia Arruda e Nairlan Clayton Barbosa

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