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Coluna do Dr. Marcelo Freitas – Os ataques terroristas e as olimpíadas no Brasil: Quando rezar é a melhor opção

Coluna do Dr. Marcelo Freitas – Os ataques terroristas e as olimpíadas no Brasil: Quando rezar é a melhor opção

No último dia 14/07, em Nice, na França, onde milhares de pessoas se dirigiram para presenciar a queima dos fogos de artifício por ocasião do aniversário da Queda da Bastilha, um caminhão branco de 25 toneladas avançou em alta velocidade pelo Passeio dos Ingleses, avenida costeira da quinta cidade mais populosa daquele país, ceifando covardemente a vida de 84 pessoas e ferindo outras 308. As cenas são deploráveis e fazem tremer até os seres humanos mais rudes. Crianças e adultos prensadas ao asfalto em decorrência da prática de mais um ato insano! O franco-tunisiano, Mohamed Lahouaiej Bouhlel, de 31 anos, responsável pela terrível ação, foi alvejado pela polícia francesa e morto logo após a carnificina sem causa ou justificativa minimamente aceitável.

O terrorismo internacional sempre nos chamou a atenção, sendo objeto de preocupações recorrentes, particularmente por parte daqueles que buscam compreender as razões que levam a atos tão extremos. Em época de grandes eventos, então, o desassossego se maximiza. Mais ainda quando o “espetáculo” deva ser no Brasil.

O psiquiatra forense Marc Sageman fez um “estudo intensivo” dos dados biográficos de 172 participantes da “jihad”, um termo árabe que significa luta, esforço ou empenho, também utilizado para descrever o dever dos muçulmanos de disseminar a fé muçulmana. Em seu livro “Understanding Terror Networks”, que busca uma melhor compreensão sobre o terrorismo, Sageman concluiu que as redes sociais, os “laços estreitos de família e amizade”, e não os distúrbios emocionais e comportamentais gerados pela “pobreza, trauma, loucura ou ignorância”, teriam inspirado jovens muçulmanos alienados a empreender “jihad” e matar outras pessoas ao redor do nosso planeta.

Referida alienação, observada em diversas partes do mundo, também opera em nossa nação. Não foi senão, assim, por essa razão que a Polícia Federal fez na última quinta-feira (21/07) a Operação “Hashtag”, desencadeada com o propósito de prender 12 jovens “alienados”, suspeitos de planejar um atentado terrorista durante as Olimpíadas no Rio de Janeiro, grupo este que seria, até aqui, a maior ameaça aos Jogos olímpicos.

Obviamente, a ação deve ser festejada, já que foi possível obstar a eventual ação do “grupo terrorista” antes mesmo que qualquer ato hostil acontecesse. Caro leitor, em tema de terrorismo internacional, a história assim evidencia, toda prudência nunca é demais, ainda que, em um primeiro olhar, possa parecer violar direitos fundamentais dos supostos atores da trama cuja execução ainda não se iniciara efetivamente.

Em uma breve digressão histórica, sem prejuízo de outros, podemos observar variados atos recentes tendentes a propagar o terror, cabendo aqui citar os seguintes: (1) Atentado em 17 de fevereiro de 2016, na cidade de Ancara, capital da Turquia; (2) Atentado de julho de 2016 em Nice, acima referenciado; (3) Atentado de Ouagadougou, a capital de Burkina Faso, no oeste da África, iniciado em 15 de janeiro de 2016; (4) Atentado em Charsadda, no Paquistão, ocorrido em 20 de janeiro de 2016; (5) Atentados em Bruxelas em março de 2016; (6) Atentado em Istambul em janeiro de 2016; (7) Atentados em Jacarta em 14 de janeiro de 2016; (8) O massacre de Orlando, ocorrido em 12 de junho de 2016, na boate LGBT chamada “Pulse”.

Observa-se, deste modo, que toda preocupação com a ação de grupos terroristas nos jogos olímpicos 2016 é salutar. O histórico acima visto bem demonstra isso. Não se olvida, no entanto, da relevante e louvável atuação das instituições de nosso país. Mas lembremos que não temos a menor expertise nesta seara, até mesmo pela “cultura de paz” que sempre ostentamos, não havendo, apenas à guisa de exemplo, qualquer precedente apto a justificar a ação das autoridades na repressão, com neutralização, dos supostos responsáveis pelas ações que levariam ao terror. Como se dará a interpretação dos fatos nos tribunais? Que garantias terão aqueles que, ao se depararem com o terror, tiverem que “puxar o gatilho”?

Julio Ramos da Cruz Neto afirma que “o terrorista traz como certo o que a razão vê como errado, age com a mesma certeza com que em dúvida, a sociedade observa…Como um robô, é programado para aterrorizar não para pensar e por não ter um lar definido, se define escondendo atrás das sombras de seu próprio terror”. Essa ausência de previsibilidade mínima pode representar o maior risco. Não se sabe de onde os ataques podem surgir. Muito menos de que forma. Foi assim em outros países. Pode ser desta maneira em terras tupiniquins.

As Olimpíadas constituem em tempos modernos um dos eventos mais populares e prestigiados em todo o mundo, sendo o único capaz de reunir delegações de mais de 200 países em uma mesma cidade. Em princípio, haveria motivos para contentamentos, não para preocupações. Assim como no feriado de 14 de julho, em comemoração à Tomada da Bastilha, em 1789, que abriu espaço para a liberdade, a igualdade e a fraternidade, que a humanidade deveria celebrar, mas o terror relegou ao acaso em Nice, não se pode desprezar sua ocorrência em nosso país. Rezar para que nada aconteça, assim, parece ser a nossa melhor opção! Que venham os jogos olímpicos. Mas que seja breve!

Dr. Marcelo Eduardo Freitas – Delegado de Polícia Federal e Professor da Academia Nacional de Polícia

Dr. Marcelo Freitas
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