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Coluna do Dr. Marcelo Freitas – A grandeza do recomenço

Coluna do Dr. Marcelo Freitas – A grandeza do recomenço

Uma das passagens mais marcantes da Bíblia Cristã pode ser encontrada no diálogo de Jesus com o fariseu Nicodemos, este considerado mestre da lei e membro do Sinédrio, uma espécie de corte suprema da lei judia, com a função de administrar justiça, interpretando e aplicando a Torá (Pentateuco ou Lei de Moisés).

Embora não haja fontes claras de informação sobre Nicodemos fora do Evangelho de João, muitos historiadores identificam-no como Nicodemos Ben Gurion, mencionado no Talmude como “um homem rico, figura respeitada, generosa e popular, com a reputação de ter tido poder milagroso”.

Enquanto está em Jerusalém para a Páscoa, Jesus teria realizado diversos sinais ou milagres. Por conta disso, muitos passaram a crer nele. Nicodemos, que segundo o Evangelho de João mostrou-se favorável ao Messias, teria ficado deslumbrado. Querendo aprender mais, já à noite, provavelmente com receio de que, se visto, sua reputação perante outros líderes judeus ficasse prejudicada, ele visita a Jesus.

*“Rabi”, diz Nicodemos, “sabemos que o senhor veio como instrutor da parte de Deus, pois ninguém pode realizar esses sinais que o senhor realiza a menos que Deus esteja com ele”. Em resposta, Jesus diz a Nicodemos que para alguém entrar no Reino de Deus é preciso “nascer de novo” (João 3:2, 3).*

Sem saber como alguém pode nascer de novo, Nicodemos pergunta ao Nazareno: “Será que [alguém] pode entrar no ventre da sua mãe e nascer outra vez?” (João 3:4). Jesus, então, explica ao fariseu: “A menos que alguém nasça da água e do espírito, não pode entrar no Reino de Deus” (João 3:5).

Em tempos atuais, sem olvidar da relevante lição de espiritualidade, a expressão nascer de novo significa ter a oportunidade de uma nova chance, reiniciar a vida, aprender com a grandeza do recomeço. Por vezes, chega a dar medo, uma terrível sensação de insegurança. Quem de nós, afinal, nunca ficou apreensivo diante da possibilidade de ter que começar tudo outro vez?

*Caro leitor, embora difícil, é necessário aprender o exato momento em que ciclos chegam ao final. É preciso encontrar sentido no efêmero, sob pena de perdermos, por vezes, a alegria e o real sentido da vida. Não sem dor, devemos enfrentar o fato de que filhos crescem, entes queridos morrem, casamentos chegam ao fim, casas – ainda que novas – são vendidas, postos de empregos são fechados, anos letivos se encerram, envelhecemos, ficamos flácidos e, seja pela força da gravidade (para todos) ou da gravidez (para as mulheres), caímos, perecemos. O botox, amigos e amigas, não fará efeito para sempre!*

Gabriela Mistral, poetisa chilena e Prêmio Nobel de Literatura de 1945, buscava a perseverança das ondas do mar, que fazem de cada recuo um ponto de partida para um novo avanço. Pode ser início do ano, uma segunda-feira ou mesmo o amanhã. Sempre há razões para se oportunizar uma nova chance. “Não sejamos coletores de lixos que as pessoas jogam sobre nós através de opiniões mesquinhas, sob suas visões sujas e podres a respeito do que realizamos com a consciência tranquila”.

*Pode parecer ofensivo, mas há pessoas que precisam do suicídio para o recomeço! Evidentemente, não o literal, mas o moral. Aquele que mata a parte psicológica que nos deixa para baixo, acabado, depressivo, sem forças para seguir adiante. Essa “morte” é bem-vinda! Serve para apagar as feridas e fazer com que sigamos em frente, sem enganações despropositadas, já que todos nós, sem exceção, carregamos estilhaços de nossos erros, frustrações ou decepções. Embora aptos a marcar o corpo, são fragmentos que não podem impedir a libertação da alma.*

É nas palavras de Carlos Drummond de Andrade, o mais influente poeta brasileiro do século XX, que encontramos inspiração para concluir essa pregação ao recomeço: “Mesmo que o hoje te dê um não, lembre-se que há um amanhã melhor, a certeza de que os nossos caminhos devemos traçar ao lado de quem nos ama; com amor, paz, confiança e felicidade, é a base para se recomeçar. Um recomeço, pra pensar no que fazer agora, acreditando em si mesmo, na busca do que será prioridade daqui pra frente; planos? Pra que os fizemos, já que o amanhã é mistério? A qualquer momento pode ser tempo, de revisar os conceitos e ações, e concluir, que tudo aquilo que você viveu marcou, porém não foi suficiente pra que continuasse. Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo, é renovar as esperanças na vida e o mais importante, acreditar em você de novo”.

Dr. Marcelo Eduardo Freitas – Delegado de Polícia Federal e Professor da Academia Nacional de Polícia

Dr. Marcelo Freitas
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