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Coluna do Adilson Cardoso – Sob as Sombras da Dor (Pagina 05)

Coluna do Adilson Cardoso – Sob as Sombras da Dor (Pagina 05)

Desligando-se das memórias, dona Geralda seguiu a estrada arenosa com passos rápidos e esforçando para que os olhos ficassem atentos, o desconforto prosseguia com a falta de estabilidade das imagens. O estomago dava sinais de que a fome se alarmava, assim como a dor de cabeça que ela conhecia muito bem quando passava da hora de se alimentar. Não havia outro jeito, a sede também se manifestava com uma secura abominável na garganta, às vezes tossia e parava ofegante, com a mão no peito se lembrava da filha e em sussurros de orações pedia a mãe de Deus que lhe desse forças, que lhe abrisse os caminhos que ficasse sempre ao seu lado. Com as lágrimas deixando a visão ainda mais dificultosa enfiou a mão dentro da sacola de nylon que amparava as poucas coisas, e, na busca do lenço, tocou na lente dos óculos, retirou-os imediatamente e viu que o mundo era completamente oposto daquele obscuro que vinha enxergando. Involuntariamente dona Geralda sorriu, mas se assustou com o caminho errado que havia seguido, aquela estrada conhecia bem, era a rota que levava a antiga Carvoaria dos Mengas, atualmente fazenda do Coronel Zé Garapa, grande fabricante de rapaduras e aguardentes da região, mas sua fama de carrasco corria junto ao seu sucesso de comerciante colecionando vários processos, porém advogados de renomes em todo o país eram contratados a peso de ouro para defendê-lo. Inclusive um deles é ex-Deputado Federal. Jornais de Minas Gerais e São Paulo publicaram nos últimos meses como forma de protestar e chamar a atenção do Ministério Público alguns dos seus crimes mais relevantes: Assassinato de uma amante que engravidara dele e pedia pensão na justiça, assassinato de um líder do Movimento Sem Terra que denunciava sua apropriação de terras Quilombolas, e a denuncia da própria filha de dezesseis anos que estuda no Rio de Janeiro, no boletim de ocorrência publicado em um dos jornais, a moça diz que fora estuprada durante as festas de réveillon do ano passado, quando ele a incentivou ingerir bebidas que ele mesmo misturava na confraternização da “Chácara dos Caburés” sua nova aquisição a cinqüenta km da fazenda. Quando estava embriagada ele a levou embora e no trajeto a violentou. Para dona Geralda o pior de tudo é admitir que o marido seja um dos capatazes de serviços sujos do Coronel que provavelmente seria incentivado a ir até o fim do mundo para buscá-la. Agora conseguia racionar sobre o que houvera durante o dia, tropel dos cavalos, os tiros ameaçadores, certamente que era Osório a sua procura, não sabia como, mas tivera ciência da sua saída. Pelo esquecimento dos óculos ela deveria agradecer um pouco mais a santa, o caminho errado que tomara era livramento divino, já que se houvesse seguido a estrada que chega a rodovia, eles a teriam encontrado, a busca deles foi naquela direção, por isso não voltaram. Então agora de vista limpa deveria seguir ao norte, bem ali do lado esquerdo havia um colchete que era passagem de animais provavelmente ligava-se uma estrada a outra.

Por Adilson Cardoso

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso

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