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Cultura Moc – Par ou impar o espetáculo da noite

Cultura Moc – Par ou impar o espetáculo da noite

Noite fria de quinta feira, convite a mergulhar nos cobertores e se apossar do controle remoto da televisão, ou quem sabe ignorar o cheiro de naftalina da blusa e ir ao Botequim tomar um caldo e uma aguardente.

Cultura Moc - Par ou impar o espetáculo da noite
Cultura Moc – Par ou impar o espetáculo da noite

 

Mas quem queria oxigenar a saúde do riso e trocar abraços aquecidos com velhos amigos, foi ao Centro Cultural Hermes de Paula para prestigiar a 17º Mostra de Teatro.

Espetáculo da noite “Par ou Impar”, com Gilmar Honorato, Bira Moreira e Rody Brito (Grupo Faceato). Como sempre, este trio possui a peculiaridade de provocar o riso antes de abrirem a boca, são performances corporais que talvez nem eles se dêem conta daquilo que incitam, Gilmar Honorato é o biótipo do homem tacanho, aquele que mesmo tendo se desligado há décadas dos meios rurais conserva a fala mansa, o olhar baixo e o negativismo da sua figura, o feio que se assume como feio e da feiúra extrai seu modo de vida.

Rody Brito é o senhor seriedade, típico personagem do cotidiano que às vezes a boca nem se abre, ventríloquo de “opera bufa”, mas quando a platéia se deixa enveredar pelos seus contextos, ninguém segura quieto nas cadeiras. Bira Moreira é o “estouro da boiada” o sujeito que entrega o corpo e a alma na facilidade de um olho que não pisca, suas personagens femininas são senhoras que na luta contra o tempo ganham forças para inverter os números da própria idade, fazendo com que a expectadora se encontre ali naquele universo do empoderamento.

Um espetáculo recomendável para quem está desiludido com a política do Brasil, também se recomenda para quem acabou de receber o contracheque com os descontos no pagamento, até para o homofóbico que descobriu que a namorada do seu filho se chama Paulão.

Quem foi ao Centro Cultural com certeza vai estar se perguntando da cadernetinha da Freira (Rody Brito) “Será que ela anotou meu nome?” ou ainda não se esquecerá fácil do jargão do Zildo (Gilmar Honorato) “Sou podre de pobre, graças a Deus!” ou as histórias da puta (Bira Moreira) tentando fazer um boletim de ocorrência, “Seu delegado eu exijo meus direitos de puta!”.

Enfim, uma noite imensurável de calor no meio da frente fria e, para aqueles que ainda não foram o festival de Teatro só acaba no dia 10 de agosto, vamos?