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Coluna do Adilson Cardoso - Pesadelos | Jornal Montes Claros
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Coluna do Adilson Cardoso – Pesadelos

Coluna do Adilson Cardoso – Pesadelos

Chovia forte com ventos em fúria, escuridão intensa. Raios explodiam no céu revelando aquela cena dantesca.  Uma velha esquelética cambaleava vestindo um molambo negro, com seus braços secos feito galhos de árvores mortas arrastava um caixão, o ruído era estridente sobre as pedras. Condenada eternamente a levar seu próprio corpo para a cova, ela gemia a cada encruzilhada em que Lagartos gigantescos com cabeças de Bodes espichavam suas línguas de fogo e queimavam-na impiedosamente, suas forças pareciam minguar, seus clamores ecoavam medonhos.  Trovões em surto colidiam-se dentro do meu pensamento, meus olhos petrificados não conseguiam desviar daquela cena, estava preso naquelas alturas sob as garras pontiagudas de um Morcego Vampiro que fatiava minha pele, às vezes sentia perfurar meus ossos. A velha entrou no cemitério, uma fila de pequenos seres cobertos de lama passou a acompanhar o caixão, outros iam surgindo do nada, o meu temor se estendeu quando vi que eram pessoas próximas, há tempos falecidas, sabia seus nomes e motivos das mortes.  Tentei gritar, mas nada saia além de um chio asfixiante. A velha chegou ao seu destino, toda a peregrinação da existência encerrava-se ali, o cadáver seria comido pela terra e a alma sem paz entregue aos prazeres do inferno.  Mas quando a tampa foi aberta, era meu aquele corpo podre. Pagava a pena daquela pecadora, por ter de fato lhe tomado o resto de vida.  Lembrei-me de que ela atravessava a rua, o sinal estava vermelho e eu não parei. Senti que estava livre da besta alada, mas despencava naquela aflição encharcado de sangue e horror, a velha levantou a cabeça contemplando minha queda com dois enormes buracos feito lanternas em lugar das vistas,  abriu-se no seu rosto desfigurado um sorriso diabólico e de lá saiam ratos esfomeados que arrancavam  partes do meu corpo e voltavam imediatamente a boca da velha que não continha o riso. Cai sobre aquilo que restou de mim, dilacerado e pestilento junto ao grito que se desprendeu em todo o interior do quarto. Sentei-me na cama com o coração batendo forte, o suor escorria até  os dedos dos pés. A televisão estava alta, o relógio marcava meia-noite e quarenta minutos.

 

Adilson Cardoso
Adilson Cardoso

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