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Coluna do Nilson Apollo – O que, ou quem, de fato elegemos?

Coluna do Nilson Apollo – O que, ou quem, de fato elegemos?

A mídia ainda não sabe como lidar com o futuro presidente do Brasil. Está difícil prever e entender sobre o caráter e comportamento do futuro presidente Jair Bolsonaro, pois, não sabemos o que  de fato pode-se esperar dele e de sua equipe – Percebe-se estampada na face dos jornalistas entrevistadores e comentaristas que tentam extrair dele algum norte ou indicativos razoáveis de domínio de assuntos presidenciais.  Como ele ira retirar este país para fora de uma profunda crise? Como ele irá lidar com a liberdade de imprensa, ou como há de corrigir os erros que ele mesmo sob seu ponto de vista, vem denunciando, ou questionando? 

Nós sofremos com a rotina de impasses, inação e insegurança que tem nos atormentado tanto na política quanto na economia,desde o inicio do governo de Dilma Roussef, o que por fim, culminou em seu impeachment, e descarrilar do trem chamado Brasil.

Jair Bolsonaro em muitas vezes mostra se ousado para questionar, porém imprevisível, quando propõe tomada de ações que alguns vêem como além do limite do consenso político, o que atemoriza a todos que têm no mínimo noções básicas de diplomacia e bom senso na interlocução.

Como seria sua atuação diante de decisões onde se necessite de equilíbrio emocional, paciência de enxadrista e estratégia de um estadista?  Tomemos por exemplo a decisão de Donald Trump, em quem ele diz se espelhar, de se encontrar pessoalmente com o líder norte-coreano Kim Jong-un, na esperança de garantir a paz e a desnuclearização na Península Coreana.  A decisão daquele presidente, embora causasse pânico em todo o globo, fora tomada, com a segurança de quem estivesse sim, disposto a fazer o que fosse necessário para resolver a um problema que se arrastava há mais de cinqüenta anos.

Agradou muito a uns, a outros menos, mas, fato é que, ele mobilizou seu aparato bélico e sem titubear agiu. E de acordo com seus interesses, resolveu momentaneamente a questão, enfim, seguiu a cartilha de seu mister imperialista e pretensioso em ser a policia do mundo. Certo ou errado, demonstrou saber o que estava fazendo enquanto presidente dos Estados Unidos da America.

 As motivações do governo norte-americano serão sempre questionáveis, pois, de fato, a razão ostensiva da guerra – deter a disseminação do comunismo na região – é praticamente um ponto discutível. Na verdade nenhum dos outros governos da região, nem mesmo a atual China, embora seja governada por um partido denominado comunista é um que segue a ortodoxia comunista, como tanto propagam para que justificasse tamanho temor. Os outros vizinhos, países como Taiwan, Coréia do Sul e Vietnã estão sendo agora algumas das economias de mercado que mais crescem no mundo. A própria China, adotou uma economia de mercado que está rapidamente se tornando a maior e mais robusta economia do mundo, o que não faz jus a ameaça ideológica de outros tempos.

Por aqui, em campanha, usaram também da mesma motivação para vencerem as eleições, a famigerada ameaça comunista, a mesma desculpa aplicada em 1964.  Na verdade fora montada uma campanha de guerra contra esse inimigo imaginário, pois, quais eram, ou são os verdadeiros indícios de implantação de comunismo por aqui? Quais seriam nossas reais ameaças em relação aos nossos vizinhos, a Venezuela? Cremos que de fato não, pois a mesma já se encontra combalida com o cerco econômico que vem há anos sofrendo, e a julgar pelo caos que vivem naquele país, nada poderíamos aproveitar de lá, como exemplo no momento, e também nem nada teríamos a temer, já que os esforços internos daquele governo, no momento, estão sendo canalizados para a solução de seus próprios problemas. Quanto aos demais, em nada nos incomoda, são na verdade parceiros regionais, e ávidos por nossa liderança no bloco, já que por aqui, no hemisfério sul, nós somos o grande império.

Internamente, já que se criou um monstro imaginário, uma vez constatada a inconsistência e ilógicas ameaças de “kit-gays”, invasão territorial e caça às bruxas do sistema educacional,os verdadeiros heróis da pátria, desvalorizados e esquecidos durante anos, em investimento à altura, e quase falta de reconhecimento, o que justificará a eleição do presidente.  O temor, é que paguemos caros os altos custos dessa aventura, comprometamos ainda a nossa segurança nacional, e por falta de habilidades governamentais, nos distanciemos ainda mais de nossos concorrentes econômicos que avançam com mais rapidez, e retardemos por mais quatro anos ou mais o nosso processo de recuperação econômica, política, e produtiva, já que, essas que são as nossas reais necessidade, e não foram abordadas em nenhum debate ou apresentação de um plano convincente de governo que de fato nos transmitisse segurança, ou esperança.

Um princípio central da ideologia de Bolsonaro é o “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”, ainda que com a ameaça de forças contra os próprios cidadãos?   Bolsonaro,creio eu que saiba que um existe uma constituição a ser respeitada, mas, não sabendo, como demonstrou não saber sobre muitos assuntos relacionados a uma presidência, aumenta a desconfiança racional de metade de um país, já cansado de tantos desencontros e trapalhadas. Ele veio alimentando com discursos minimamente duvidosos, a esperança de uma parcela revoltada da sociedade, que desesperadamente clama por saúde financeira, saúde física, segurança e educação, além da consolidação de nosso mercado no cenário internacional. Mas, na hora de demonstrar como fazê-lo, negou-se. Estratégia para vencer as eleições, e isso não é algo que a maioria dos brasileiros não saiba. No entanto, após meses de intensas disputas, paira ainda sobre a nação um consenso não assumido, ele nos manteve no limbo das informações; “O que ele pretende fazer?”. Muitos perderam a esperança de que conseguiríamos sair da confusão e seguir em frente, e justifica-se o desanimo, pois, regras fundamentais de uma corrida eleitoral foram desprezadas, e a atenção dos eleitores desviada para banalidades,e considerações supérfluas, motivadas através de falsas noticia, estrategicamente “plantadas”, e ele ainda assim foi eleito.

Até aqui, ninguém questiona a coragem, vigor e obstinação do futuro presidente, mas, seria isso suficiente para a governabilidade de um país vivendo um momento tão crítico quanto o Brasil neste momento?

Estamos ansiosos por vê-lo agora em reunião com outros chefes de estados, inclusive com Donald Trump, um de seus ícones, a quem ele admira, assim como a seu país, para cujo qual presta continência à bandeira. Um ato até então inconcebível para um postulante a chefe de estado, pois indica submissão e desprezo à sua própria bandeira e interesses, em outras palavras, um sinal de fraqueza, que não somente Trump, quanto Putin, Xi Jinping, Macron, Merkel, ou quaisquer outros chefes de outras potencias conseguem detectar a longa distancia.

Como assentar-se em uma mesa de negociação estando em claras condições de desigualdade conceitual imposta por si mesmo?

Para alguns, Bolsonaro pode  parecer o paradigma da virtude, eles apontam para seus discursos sobre vários assuntos, e sua propensão incomum para se envolver em brigas pseudo-heróicas, aparentemente insignificantes na mídia, aconselhado por seu séquito de religiosos, também midiáticos, situação essa, que também denotam esconder uma verdade maior, pois, quais são as reais intenções desses homens, não seria uma nova roupagem e teatro, como o que o país, tem vivido nas últimas décadas – convencendo-nos de nossa própria invencibilidade enquanto nadávamos em dívidas e perdíamos nossas vantagens competitivas.

Enfim, teremos que enfrentar essa insegura realidade, e o risco de regredirmos cinqüenta anos, a julgar pelas idéias nostálgicas de outros tempos que não voltam mais em nossa sociedade. Tempos duvidosos e sombrios de monitoramento ideológico e incertezas, internas e externas. Preparamos-nos para inimigos imaginários, em um cenário onde na verdade não mais existe guerra fria contra a expansão comunista, nem risco de Venezuelização. A China não está exportando ideologia, mas sim produtos e serviços e realizando negócios como ninguém. A Europa e Estados Unidos são economicamente fortes o suficiente para pagarem por suas próprias defesas e aventuras de pretensos neo-colonialismo, enquanto isso, nós, comprando uma guerra entre nós que pode nos custar muito caro em termos de homens (e mulheres) e tesouros.

Estar em pé de guerra permanente contra nós mesmo pode drenar-nos a energia restante, provinda de nossa mais importante fonte de poder: o nosso povo, além força de nossa economia de mercado baseada em nossa agricultura e recursos naturais, que assustadoramente também foram declarados disponíveis para quem pagar mais.

Como parlamentar, Jair Bolsonaro parece não perceber a complexidade disso tudo, percebe isso implicitamente, pois seu currículo, falas e improdutividade no congresso nos dão sinais claros do que podemos esperar. Pode parecer bonita, toda essa coragem e revolta, demonstrada ao longo dos meses, através arroubos e falas descomedidas, mas seria essa a maneira de mudar as coisas para melhor?

Que eu esteja errado, é o meu anelo…

 

Nilson Apollo Santos
Nilson Apollo Santos

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