OI TOTAL COM FIBRA
Inicio » Colunistas » Nilson Apollo » Coluna do Nilson Apollo – Acertar é a unica saída…

Coluna do Nilson Apollo – Acertar é a unica saída…

Coluna do Nilson Apollo – Acertar é a unica saída…

Nestas eleições de 2018, todos nós, de uma forma ou de outra fomos acometidos de uma inquietação, poucas vezes vistas em tempos atuais, as redes sociais foram um termômetro que indicavam a tensão coletiva que pairava sobre todos. Os canais de televisões, programas jornalísticos, imprensa, escrita e falada, além de “rodas de bate papo” entre amigos ou familiares, mais pareciam um campo de batalha ideológico.

 Aguardamos sem fôlego os resultados. As eleições resultariam em uma tragédia para uns, ou alívio para outros. Há anos, tudo indicava que seria uma confirmação do que já se falava país à fora, a vitória do candidato “x”, entende-se Jair Bolsonaro, que vinha se agigantando com seus discursos de fúria e revolta diante do quadro instalado nos governos anteriores, e com esse discurso movendo a uma enorme parcela de cidadãos na direção de uma incógnita.  ? Os negros, mulheres, indígenas, “LGBT’S” ou mulheres não sabiam, e na verdade ainda não sabem se ganhariam ou perderiam com um possível mandato de um autodenominado extrema-direita conservadora.  Seria mesmo ele a escolha certa do condutor que colocaria o trem de volta aos trilhos e fazer o Brasil voltar a ser o “País do Futuro” outra vez, como se espera de um presidente?

Os brasileiros estavam e estão cansados dos danos causados por essa longa crise que assola o país nestes últimos longos quatro (04) anos. A insatisfação é percebida desde o campo até os grandes centros.

O país do futebol, onde todos julgam-se entendedores, tornou-se agora o país dos cientistas políticos, todos se envolveram e todos opinaram, e infelizmente, grande partes desses (dentre os quais me incluo), também se digladiaram em defesa de suas escolhas. Creio que tenha sido o período em que mais relações tenham sido rompidas, entre amigos, parentes, colegas e conhecidos. A situação demonstrou-se doentia, para um país já adoecido

O povo é claro, por força da lei, que nos obriga a comparecermos às urnas, obedientemente, cumpriu com sua obrigação, e votou.

Nossos corações se aceleraram, uns de tristeza, outros de temor, ou por alegria e esperança.  Os dedos não titubearam, nem as prévias decisões se alteraram no momento do voto. As posições de desaprovação ou aprovação dos pretensos candidatos já estavam definidas.  Além de tudo isso, pairava-se ainda no ar, o medo e desconfianças de fraudes nas urnas, que no Brasil são eletrônicas, passíveis sim de manipulação, como todo dispositivo mecânico.  Mas no mesmo dia da eleição, poucos minutos após os encerramentos, findaram-se as dúvidas, Jair Bolsonaro vencia a disputa, como se esperava por eleitores seus ou dos oponentes, e aí começou a ressaca.

No dia seguinte, para uns parecia um pesadelo, ter que sair da cama, e proceder com o ritual de colocarmos o café e irmos para os mesmos trabalhos e termos que conviver com os mesmos colegas da ultima sexta-feira, com os quais discutimos, e não suportávamos mais nem ouvir a voz.

Os escritórios continuavam com seus inúmeros papéis empilhados sobre as mesas dos departamentos, os as maquinas seriam religadas nas indústrias para a realização das mesmas atividades fabris, e pelas ruas olhávamos os desempregados que inexpressivamente continuavam com a habitual e semi-passiva busca desesperançosa  por uma recolocação no mercado de trabalho… Ainda não mudou nada, como nas frustradas noites de réveillon, quando nos iludimos, pensando que uma alteração cronológica nos trará a remissão de nossos erros cometidos ao longo do derradeiro ano!  Nossos cônjuges, filhos e vizinhos pareciam todos os mesmos que no dia anterior.  Dada toda a emoção que tínhamos gastado enquanto discutíamos os pontos mais sutis do processo de votação, os anúncios políticos e as mentiras e hipérboles latentes de políticos por megafones, nossas vidas ainda pareciam mais ou menos as mesmas.

O que significa isso tudo? Nós realmente conseguimos o que queríamos? O papel que governo desempenhará será de fato um papel tão determinante assim em nossas vidas cotidianas?

Valeram a pena morder as unhas, discutir, insultar, ser insultado, se irritar, desfazer amizades ou gastar tanta energia com o processo?

O próprio ato de votar por revolta ou paixões,serviram para expiar a angústia que sentíamos, ou de fato alimentar nossas últimas esperanças? Ou ainda estamos revoltados e desesperançosos?  O presidente eleito está apresentando saber lidar com a formação de sua futura equipe, ou os escolhidos estão demonstrando de fato que terão um melhor desempenho a frente de ministérios tão poderosos e de suma importância neste nosso país continental? Talvez a melhor pergunta a fazer seja a seguinte: o governo está apresentando possíveis mudanças enfrentar o caos já instalado nos últimos oito anos, quando outros presidentes ocuparam a cadeira presidencial?

Essas perguntas devem ser respondidas de forma direta e honestas, sem alimentarmos falsas ilusões. As respostas provavelmente serão mantidas com cada um de nós, mas espero que promovam amadurecimento em nosso processo político.

 É hora de pensarmos coletivamente, sem nos esquecemos de que política não é futebol, e as decisões não poderiam e nem podem ser regidas nem por 1% de emoções, nos esquecendo dos outros 99% de nossas vidas que nem sempre tem a ver com a política.

Nossa cultura hoje, enquanto nação, e povo, não são o mais honesta ou moralmente coerente e justa como dizíamos ser até o dia que antecedeu a escolha.   Somos cheios de maus hábitos e vícios tal como sempre fomos desde sempre, gostamos do lucro fácil e muitos de nós, ainda insistimos em culpar ao governo por nossos fracassos e falhas por não sermos um povo culto, ou bem preparado e produtivo, em sua grande maioria.

Nossos erros estão aí para serem tratados, desde um roubo de energia elétrica, aos sinais de televisão desviados nas caladas da noite, ou a sonegação de impostos, que fazem parte da perniciosa cultura de país, até os pedidos de favores diante dos burocráticos processos que nos regem em nossas repartições públicas.

Estamos às portas do pleno dia seguinte para um novo governo. Ainda precisamos de nos levantar e ir trabalhar para uma vida melhor para nós e nossas famílias. Ainda precisamos que encarar nossos fantasmas pessoais e cotidianos. Precisamos ainda aprender a lidarmos com as crueldades de estranhos, ou com as sutis gentilezas das pessoas mais próximas a nós. Ainda temos que enfrentar os desafios imutáveis ​​da fragilidade humana, com os quais somos abençoados e amaldiçoados.

No próximo dia 01 de janeiro do ano vindouro, recomeça-se de fato o jogo, e lá estaremos nós em frente a nosso espelho, ainda encarando as nossas imperfeições e ainda sobrecarregados com o desafio de vencermos nossos medos, pagarmos nossas dívidas e darmos o melhor de nós, em prol de um bem coletivo.  Ninguém, senão nós mesmos haveremos de arcar com nossas responsabilidades pessoais. As crianças precisam estudar comerem, e crescerem em paz em meio a esse caos, que nós e nossos pais criamos… Não temos outra saída, que não seja trabalhar, cobrar e torcermos para que dê certo… Do contrário, nos afundaremos ainda mais nessa tragédia que nos acometeu…

Sigamos em frente… Com moderação, e coerência, se possível…

Depende mais de nós do que deles…

 

 

Nilson Apollo Santos
Nilson Apollo Santos

Aviso: Nossos editores/colunistas estão expressando suas opiniões sobre o tema proposto e esperamos que as conversas nos comentários de artigos do JORNAL MONTES CLAROS sejam respeitosas e construtivas.O espaço de comentários em nossos artigos é destinado a discussões, debates sobre o tema e críticas de ideias, não às pessoas por trás delas. Ataques pessoais não serão tolerados de maneira nenhuma e nos damos ao direito de ocultar/excluir qualquer comentário ofensivo, difamatório, preconceituoso, calunioso ou de alguma forma prejudicial a terceiros, assim como textos de caráter promocional e comentários anônimos (sem nome completo e/ou email válido).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *