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Coluna do Nilson Apollo – A síndrome da Papoula alta

Coluna do Nilson Apollo – A síndrome da Papoula alta

Pesquisadores australianos analisam a ação destrutiva da inveja no local de trabalho e nas relações.

A Australia tem um problema chamado Síndrome da Papoula Alta. É um problema que está enraizado na cultura daquele país, e que prejudica muito sua economia, e trazendo para a realidade brasileira, veremos que também somos acometidos pelo mesmo tipo de problema, guardadas as devidas proporções e peculiaridades… Analisando a estudos recentes de Suchitra Mouly, da Universidade de Auckland, podemos entender melhor do que se trata esse fenômeno..

A Austrália foi originalmente estabelecida como uma colônia penal britânica, e muitos Australianos atuais descendem de criminosos enviados para lá. Eles eram pessoas raivosas e violentas, fracassadas na sociedade britânica, e se tinha uma coisa de que não gostavam era de pessoas, famílias, amizades e negócios de sucesso.

O sucesso desperta hostilidade em pessoas invejosa e a cultura australiana moderna começou com esse sentimento e atitude de hostilidade em relação a pessoas e comportamentos de sucesso, o próprio degredo e exílio forçado, aliado aos maus sentimentos herdados de gerações em gerações, transmitiu-lhes uma quase tradição de querer frustrar e arruinar o sucesso alheio.

Hoje, os australianos chamam as pessoas de sucesso de “papoulas altas”, e cortar as “papoulas altas”, parece fazer parte da cultura deles. Os termos são baseados em histórias de aborígenes.

As pessoas envolvidas no desenvolvimento econômico da Austrália que hoje despertas, estão ferrenhamente denunciando essa pratica danosa nos meios corporativos, pois uma hora, uma sociedade tem que evoluir. Eles se deram conta que isso estraga o sucesso das pessoas mais criativas, criativas e enérgicas da Austrália, prejudica a economia e neutralizam seus esforços para modernizar ao país.

Qualquer um que tenha bom senso, diante desse tipo de infantilidade coletiva, consegue detectar o comportamento primário de salas de escolas, onde as crianças que se saem bem nos testes enfrentam todo tipo de abuso daqueles que não conseguem se destacar, são os pejorativamente chamados de “nerds”, “cdf’s” e outras alcunhas mais no Brasil.

Na nossa experiência aqui no Brasil, dificilmente encontraremos alguém de sucesso que nunca tenha se sentido hostilizado por causa do seu sucesso. Diga-me que você nunca tenha percebido olhares, falas depreciativas e críticas por grupos de pessoas, que nitidamente optaram por te “travar”, em vez de quererem seguir seu exemplo, simplesmente porque não conseguem lidar com seus fracassos pessoais, e sentem-se expostos perto de qualquer um que brilhe ou se destaque mais do que eles.

Aos patrões, chefes de departamentos, professores e líderes, adquiram um olhar mais cirúrgico sobre isso. Muitos de seus funcionários ou liderados que poderiam elevar seus negócios a patamares de melhor qualidade, sofrem isso às vezes bem debaixo de seu nariz, e você sem que o perceba o impede de promover crescimento, e o corta, ou neutraliza por deixar-se influenciar por medianos ou acomodados ao conforto da zona em que se encontram.

Quantos e quantos profissionais que deixaram suas corporações, e encontraram guaridas em outras, por haver sido boicotado por pernicioso coletivo de invejosos que não brilham?

Muitas das vezes está nítido o mérito que o postulante a promoção, ou vaga possui para crescer e melhorar processos e otimizar operações e elevar a todo o grupo, mas antes que o possa fazê-lo, são cortados como uma “papoula alta demais” para aquele ambiente pequeno. E como isso ocorre, sem que alguém o perceba? Falta de Recursos Humanos (RH), isento e profissional. Falta de uma oitiva de qualidade, e até mesmo falta de interesse em se adaptar para saber lidar com genialidade e boas sementes.

.Avalie o comportamento dos demais de seu grupo quando alguém que se destaca se aproxima, no primeiro contato, haverá a aproximação de sondagem, logo ao detectarem o brilho, iniciam-se os rumores, chacotas e boicotes em “grupinhos”. Neste caso, a “Papoula alta” cuja natureza é de excelência nata, terá duas opções, tornar-se um dos medianos deixando-se ser cortada e seguir frustrado no meio, ou sair de cena, e ir à procura de terras mais férteis onde possa ser acolhido como um agente melhorador da trajetória “genética” do novo jardim.

No mercado competitivo no qual vivemos hoje, em um mundo onde os valores estão invertido, urge a necessidade de evoluirmos, e essa transformação e melhoramentos precisam serem melhor gerenciadas através de debates, reais análises de desempenho, práticas de avaliação que identificam indivíduos com excelentes talentos, através de isentos critérios de avaliação.

Uma das situações mais triste que muitos de quem já experienciou esse fenômeno pode constatar, é quando, além dos colegas, seus próprios “superiores” deturpam os fatos inclinados a também de impedirem a ascensão de algum notável que possa sucede-lo em um futuro de médio ou à longo prazo, aí complica-se mais ainda o processo, caso a corporação ou grupo não disponha de uma consultoria isenta, sem vícios ou proximidades danosas entre os núcleos. Pois, havendo essa proximidade, fatalmente o “chefe” incompetente usará de toda sua influência para que tudo continue “como dantes no quartel de Abrantes”… Zona de conforto coletiva, e conseqüente atraso corporativo, e fatalmente morte dessa mesma corporação em questão de tempo.

Avaliadores, em qualquer situação, desconfiem quando os veredictos forem unânimes e sempre negativos por parte do coletivo, seja ele em qualquer ambiente.

“Ele se sentia superior a seus colegas de trabalho, o famoso (ele(a) se acha)” – Dizem as ás línguas.

“Ela se recusou a ajudar os colegas de trabalho e agiu egoisticamente.” – Arrematam.

Geralmente essas falsas críticas levam a tomada a conclusões incorretas:

Ah, mas isso que ele(a) fez eu também faço ( Mas nunca se deu ao trabalho de fazer antes).

“As propostas são até boas, mas terá um custo muito alto para a empresa” – Alguém sempre vai dizer, vendendo-se como herói.

Muitas dessas situações, repetindo, poderiam ter sido corrigidas, ou evitadas por uma boa consultoria de RH, muitos erros são óbvio.

“Aquela pessoa não era boa” – concluem os tendenciosos amadores de que ela não era de alto desempenho e a pessoa, para o alívio deles, os inseguros e invejosos, vai embora.

Mas verificou de fato as fontes de informações e critérios aplicados por quem analisou ou simplesmente teceu comentários sobre o observado?

Qual era o padrão ético do procedimento de avaliação

Quais eram os filtros que pudessem impedir pessoalidades e interesses subjetivos nesta avaliação?

Freqüentemente ouvimos os funcionários comentarem uns sobre os outros, e as vezes pode ser difícil reconhecer a inveja: a raiva subjacente de outra pessoa que possui e goza de algo desejável, e o desejo de tirá-la ou estragá-la.

A inveja ataca as mesmas qualidades que valorizamos e, se for bem-sucedida, arruína a esperança.

Os verdadeiros líderes precisam ajudar aos funcionários invejosos a reconhecer seus sentimentos destrutivos e substituí-los por gratidão.

Pessoas dotadas de genialidade, em qualquer área que destaque trazem benefícios para todos.

Com o entendimento, os líderes podem ajudar aos seus liderados a reconhecerem a inveja e substituí-la por gratidão. E repito, seja em qualquer ambiente; empresas, igrejas, famílias, círculos de amizades, ou qualquer lugar… Queira ter um(a) notável por perto, ele(a) vai te melhorar, acredite…

Uma papoula grande hoje, em contato com outras, elevam a qualidade de todo o jardim, e a tendência quando ninguém as corta, é elevar o padrão, cada vez mais.

Essa é uma experiência observada na Austrália, mas que serve e muito para nosso contexto histórico e comportamental bem aqui no Brasil.

Cresçamos!!!

Nilson Apollo Belmiro Santos

 

Nilson Apollo Santos
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