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Pequenas empresas podem ter prejuízos com greve de auditores da Receita Federal

Na sexta-feira (29), o presidente Jair Bolsonaro assegurou que o governo quer dar um aumento de 5% para todos os servidores públicos – o que inclui os auditores da Receita Federal, em greve desde dezembro de 2021 -, ainda em 2022. A declaração foi dada em uma conversa informal antes de uma entrevista à Rádio Metrópole, de Cuiabá (MT), que foi transmitida pelas redes sociais do presidente.

A proposta de reajuste de 5% para todo o funcionalismo foi a opção encontrada para tentar agradar todas as categorias. Se o aumento for implementado a partir de julho, a estimativa é de que a medida gere um impacto de R$ 6,3 bilhões aos cofres públicos. 

Para os sindicatos de servidores, o reajuste de 5% não cobre perdas inflacionárias. Segundo o secretário-geral da Condsef (Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal), Sérgio Ronaldo da Silva, o percentual representa somente um quarto da inflação acumulada nos três primeiros anos do governo Bolsonaro, que chegou a 19,9%.

De modo similar, Paulo Oshiro, presidente do Sindifisco SP (Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal de São Paulo), afirma que o percentual oferecido é muito abaixo da inflação e lembra que os auditores pedem mais que o reajuste salarial, conforme publicado pela CNN.

Greve dos auditores leva à prejuízo de R$ 9 bilhões

A greve dos auditores fiscais da Receita Federal, que foi iniciada em resposta ao reajuste salarial anunciado pelo governo apenas para policiais, pode ter levado à perda de R$ 9 bilhões para a Receita. A informação é do presidente do Sindifisco de Brasília, George Souza, que afirmou na quarta-feira (20) que a baixa na arrecadação em março de 2022, em comparação a igual período no ano precedente, é consequência da paralisação.

De acordo com o Sindifisco, por conta da greve, a COMAC (Coordenação Especial de Maiores Contribuintes), setor da Receita que faz o cruzamento dos dados antes de iniciar uma fiscalização, não reportou aos cidadãos prováveis incoerências. 

Paralisação também afeta importação

A operação-padrão dos auditores da Receita atrasa o desembarque de mercadorias e pode afetar diversos setores, gerando aumento nos preços de sabão em pó a pão, conforme publicação do Estadão/Broadcast. Cássio Borges, sócio da CODE Brincos Masculinos – e-commerce de acessórios voltados para homens -, afirma que a greve dos auditores representa um impacto para as empresas que atuam na importação de produtos no Brasil.

“O impacto vai além do atraso na liberação dos produtos parados na Receita Federal. Sem a mercadoria disponível para venda, as empresas que dependem dos produtos importados não conseguem vender, o que impacta negativamente seus resultados. Com isso, vários setores têm sido prejudicados com a greve”, explica Borges.

A título de exemplo, o sócio da CODE Brincos Masculinos conta que a empresa tem tomado diversas medidas e, inclusive, apelado para a Justiça para driblar ou minimizar a situação. “A única alternativa existente nessa circunstância foi a contratação de um advogado que, por meio da abertura de uma liminar na Justiça, obrigou os auditores a fazer a avaliação da liberação da mercadoria”.

“Ainda assim”, prossegue, “até que conseguimos a liberação, de fato, sofremos um grande impacto nas vendas, por conta do estoque reduzido. Deixamos de atender vários clientes por falta de mercadoria, além das despesas com advogados e taxas”, conclui.

Para mais informações, basta acessar: https://www.codebrincosmasculinos.com.br/