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Selfies ajudam cirurgiões plásticos a entenderem as queixas

A procura pela cirurgia pode ter vários fundamentos, da autoestima à funcionalidade, mas sabe-se que as fotos tiradas em uma selfie podem aumentar em até 30% o tamanho do nariz, já que a câmera está mais próxima do rosto. Com isso, principalmente os jovens, marcam consultas para rinoplastia e/ou corrigir outros problemas na face. É o que apontou a pesquisa Size and Perception of Facial Features with Selfie Photographs, and Their Implication in Rhinoplasty and Facial Plastic Surgery (Tamanho e Percepção de Características Faciais com Fotografias Selfie e Suas Implicações em Rinoplastia e Cirurgia Plástica Facial), publicada no periódico científico Plastic & Reconstructive Surgery

O objetivo do estudo foi quantificar as mudanças no tamanho e na percepção das características faciais ao tirar uma selfie em comparação com o padrão-ouro da fotografia clínica. Foram selecionados 30 voluntários, sendo 23 mulheres e sete homens. Eles tiraram três séries de fotografias: duas delas com a câmera frontal do celular (com telas de 12 e 18 polegadas, respectivamente) e uma na clínica, com equipamento utilizado pelos cirurgiões plásticos. Foram medidos lábios, nariz, queixo e largura facial. 

“As selfies são tiradas a todo momento. Se a pessoa já tem um ângulo que não gosta, implica com aquela região. Ela também passa a se comparar com amigos e influencers, ignorando que muitas fotos postadas nas redes sociais são bem produzidas, com maquiagem e luz, e até manipuladas digitalmente, inclusive com edições e filtros”, explica o cirurgião plástico Marcelo Sampaio, especialista em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica pelo Hospital das Clínicas (USP), com mestrado em Ciências Médicas (USP). 

O resultado do estudo foi pior nas selfies de 12 polegadas. O nariz pareceu 6,4% maior (sendo 4,3% maior nos celulares com tela de 18 polegadas); diminuiu a largura facial em 10,5% em comparação com a fotografia clínica – o que sugere que com o rosto menor, o nariz aumenta -; e o comprimento do queixo, do mento até o lábio inferior, diminuiu inesperadamente 12%. 

Aliás, o estudo também aponta que os pacientes têm utilizado as fotografias do smartphone para explicar ao cirurgião plástico qual é a queixa. “É importante que ele indique o problema ou o que não gosta. Assim, no consultório conseguimos mostrar exatamente essa diferença entre câmeras, se tem fundamento ou não. E qual é a expectativa dele em relação ao resultado da cirurgia plástica”, argumenta o especialista, que é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e Correspondente Internacional da American Society of Plastic Surgeons

Vários participantes afirmaram ainda na publicação: “meu rosto parece mais proporcional na fotografia clínica”. E Marcelo Sampaio concorda. “O paciente que chega pautado pela selfie tem uma outra visão quando fazemos a foto no consultório, bem melhor do que aquela que ele está acostumado a ver no seu celular.”

Por isso, cabe ao profissional avaliar se há necessidade real de uma cirurgia plástica ou o que pode ser feito para melhorar. “Se for o caso, até mesmo indicar acompanhamento com um psicólogo e/ou psiquiatra, se perceber que a pessoa faz plásticas recorrentes ou tem Transtorno Dismórfico Corporal (TDC), uma alteração mental que afeta a percepção que o paciente tem da sua própria imagem corporal”, conta Marcelo Sampaio, que integra o corpo médico do Hospital Sírio-Libanês.