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Montes Claros – Ditadura Militar no Norte de Minas é debatida na Câmara Municipal

Montes Claros – Ditadura Militar no Norte de Minas é debatida na Câmara Municipal

A “Ditadura Militar no Norte de Minas: memórias de lutas e resistências camponesas (1964-1988)”, foi tema de audiência pública, realizada, na tarde desta quarta-feira (07), na Câmara Municipal de Montes Claros. O foco central do debate foi os conflitos de terra. Além disso, os acontecimentos que atingiram camponeses e apoiadores.

Montes Claros - Ditadura Militar no Norte de Minas é debatida na Câmara Municipal
Montes Claros – Ditadura Militar no Norte de Minas é debatida na Câmara Municipal

 

O evento foi organizado pela Comissão da Verdade em Minas Gerais (Covemg), em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (SEDPAC/MG), Comissão da Verdade e Memória do Grande Sertão e apoio do Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA/MG).

O presidente da Câmara Municipal, Vereador Cláudio Prates (PTB), destacou com honra a oportunidade de debater um tema tão importante. Estiveram presentes também os Vereadores Aldair Fagundes (PT), que afirmou a importância desta proposta para a memória das futuras gerações. Daniel Dias (PcdoB) afirmou ser de fundamental importância o conhecimento desta realidade, para que possamos não permitir que não se repita momentos como estes.

De acordo com o secretário de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania de Minas Gerais, Nilmário Miranda, a comissão tem apoio do Governo do Estado de Minas e mantém o compromisso em apresentar esta história de forma verdadeira, não omitindo este período das futuras gerações. O subsecretário de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, José Francisco da Silva, afirmou que a audiência, é um espaço democrático, para que os depoentes tenham espaço para falar e trazer para o registro histórico os desafios que marcaram este período cruel da nossa história.

O coordenador-geral da Covemg, Robson Sávio Reis Souza, ressaltou que esta audiência vem para apurar todos os tipos de violações impostas na região aos camponeses, indígenas, quilombolas, entre outros grupos durante a ditadura militar. Robson destacou, que dentre os objetivos da Covemg estão os esclarecimentos de fatos e circunstâncias dos casos de graves violações aos direitos fundamentais, além de identificar e tornar públicos os locais, as instituições e as circunstâncias relacionados direta ou indiretamente à prática de violações aos direitos fundamentais.

No debate, foram ouvidos os depoentes, José Alagoano, Afranio Oliveira e Silva, Juarez Teixeira Santana, Rosely Carlos Augusto, Paula Herminia do Rosário Carmo e Valdivina Batista.

José Alagoano, afirmou ser este um dos momentos mais sofridos do Norte de Minas, além de apontar a extinta Fundação Rural Mineira Colonização e Desenvolvimento Agrário (Ruralminas) como órgão mais perverso que atuou neste sertão. “Durante este período, foram demarcadas as terras dos pequenos agricultores em Matias Cardoso em favorecimento dos grandes fazendeiros, que oprimiam e torturavam os pequenos agricultores” afirma José.

Juarez Teixeira Santana, ressaltou que a ação ditatorial na cidade de Bocaiúva, na década de 1980. “Eram constantes e cruéis os confrontos entre fazendeiros e trabalhadores rurais, não eram apenas as tomadas de terras, ainda ocorriam opressões, torturas e mortes. Atuávamos no sentido de organizar os trabalhadores por meio do sindicato e, por isso, foi ameaçado de morte inúmeras vezes” finaliza.