NordVPN - A melhor oferta de VPN

Vaga no Bolso

Inicio » Colunistas » Pe. Ezequiel Dal Pozzo » Coluna do Pe. Ezequiel Dal Pozzo – Convivendo com as nossas deficiências

Coluna do Pe. Ezequiel Dal Pozzo – Convivendo com as nossas deficiências

Coluna do Pe. Ezequiel Dal Pozzo – Convivendo com as nossas deficiências

O ser humano possui um desejo grande de ter o domínio completo sobre a sua vida. Se pudéssemos controlar os nossos níveis de alegria, nossa disposição para a vida, nossa saúde, seria ótimo. Ocorre que precisamos lidar com a deficiência que nos habita. Somos carentes, não estamos completos, não controlamos tudo. Existe uma falta em nós alimentada por um desejo de plenitude. Essa “coisa que falta” nos faz experimentar algo negativo. Preferíamos não ter “essa falta”.

A experiência religiosa, de certa forma, lida com “essa falta”. Quando pensamos em Deus percebemos que Ele é uma realidade que está presente e ao mesmo tempo ausente. Está ali, mas está além. É o invisível, o não controlável. Ele ultrapassa todo pensar e todo compreender. Assim, pela religião me uno a uma experiência que abrange o todo da vida, que está além do visível e do controlável. A religião me possibilita trabalhar com a carência que me habita, com a deficiência, com essa falta de alguma coisa. Mas a experiência religiosa é capaz de eliminar essa falta? Não. Ela não elimina, mas a acomoda, acalma ou possibilita que convivamos com ela. A experiência religiosa nos diz que eu não tenho o controle sobre tudo. Não consigo conduzir a vida e a realidade com as minhas mãos. Somente temos em parte o controle. Por exemplo, posso cuidar da minha saúde me alimentando de forma correta, fazendo exercícios, tendo autocontrole nas emoções, mas isso não consegue determinar o tempo de duração da minha vida e nem o nível desejado de minha alegria.

Mas então será Deus que está no controle de tudo? Também não gosto dessa expressão. Ela não condiz com a liberdade do amor de Deus e a liberdade da própria criação. O que temos que perceber é que a “deficiência”, a “falta de algo” é própria do limite, da finitude que está em nós. Não somos infinitos, não somos ilimitados. Precisamos acolher a nossa realidade sem nos rebelarmos contra ela. Não rebelar-se, acolher e entregar. Entregar a quem? Entregar a Deus, que sabemos que nos ama. Quem faz isso compreende o que é religião, fé e espiritualidade. Santa Tereza de Ávila ousou dizer: “só Deus basta”. Claro que a experiência de entrega a Deus, quando vai amadurecendo, um dia depois do outro, dá ao coração uma sensação de paz muito profunda. Parece que ali não falta nada, temos tudo. Mas isso é um caminho, não acontece de uma hora para outra e nem em algum momento de entrega. Como aquele que pouco procura a Deus e numa só vez quer encontrar tudo. Não acredito nisso! Por isso, convido você a ir fazendo a “experiência de entrega” diariamente. Entrega ao amor de Deus, entrega à vida, às pessoas, ao bem, à verdade. Só assim iremos acomodando melhor nossas faltas, nossas deficiências.

Padre Ezequiel Dal Pozzo é sacerdote da Diocese de Caxias do Sul (RS). Cantor e compositor, lidera o Projeto Despertai para o Amor, de evangelização através da música e dos meios de comunicação. Já lançou 5 CDS e 1 DVD e roda o Brasil com shows musicais, palestras, missas e pregações. Apresenta diariamente a reflexão Despertai para o Amor em mais de 140 rádios de 19 Estados do Brasil e o programa semanal Despertai para o Amor na TV Evangelizar e na TV Nazaré. É editor da Revista Despertai para o amor de circulação trimestral e autor do livro“Beber na fonte do amor: como a misericórdia humaniza e traz verdadeira alegria”(Edições Loyola).

 

Padre Ezequiel Dal Pozzo
Padre Ezequiel Dal Pozzo

Aviso: Nossos editores/colunistas estão expressando suas opiniões sobre o tema proposto e esperamos que as conversas nos comentários de artigos do JORNAL MONTES CLAROS sejam respeitosas e construtivas.Os espaços de comentários em nossos artigos são destinados a discussões, debates sobre o tema e críticas de ideias, não ás pessoas por trás delas. Ataques pessoais não serão tolerados de maneira nenhuma e nos damos ao direito de ocultar/excluir qualquer comentário ofensivo, difamatório, preconceituoso, calunioso ou de alguma forma prejudicial a terceiros, assim como textos de caráter promocional e comentários anônimos (sem nome completo e/ou e-mail válido)



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *