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Sobe para três as mortes por leishmaniose em Montes Claros

Sobe para três as mortes por leishmaniose em Montes Claros

Montes Claros já registrou 71 casos de leishmaniose visceral – com três mortes – e 21 casos de leishmaniose tegumentar neste ano em moradores da cidade.

RISCO – Estimativa é a de que haja 70 mil animais nas ruas da cidade
RISCO – Estimativa é a de que haja 70 mil animais nas ruas da cidade

 

Os números são considerados preocupantes e podem ser o anúncio de uma epidemia se for levada em conta a quantidade de animais infectados – dos 9 mil cães examinados pela Zoonose, 1.347 (cerca de 15%) estariam com a doença.

O número de mortes foi confirmado pelo Hospital Universitário Clemente de Faria, mantido pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). A unidade é referência para atendimento a leishmaniose visceral e tegumentar, possuindo ambulatório para tratamento dos pacientes diagnosticados com a doença na região.

A enfermidade infecciosa sistêmica é caracterizada por febre de longa duração, anemia e outras manifestações. A gravidade da situação levou o assunto para a Câmara de Vereadores. O vereador Sóter Magno, com dados colhidos no Centro de Controle de Zoonoses de Montes Claros, disse que o número de casos cresceu assustadoramente neste ano.

Em 2017 foram registrados 22 casos de leishmaniose visceral na cidade, número três vezes menor que o notificado neste ano.

O parlamentar cobrou ações imediatas da Prefeitura de Montes Claros, através da Secretaria de Saúde e do Centro de Controle de Zoonoses. Segundo ele, o alto número de cães abandonados e soltos pelas ruas da cidade favorece a proliferação da doença.

“O grande número de cães soltos é problema de saúde pública”, alertou, defendendo a construção de um centro de castração para minimizar esses impactos. Segundo o parlamentar, somente com o controle de natalidade dos cães e gatos será possível diminuir o número de animais infectados.

 

TRANSMISSÃO

A médica veterinária Roberta Cordeiro Maia Machado, do Hospital Universitário Renato de Andrade, da Funorte, disse que os números divulgados pelo Hospital Universitário Clemente de Faria são preocupantes.

Ela explica que o problema maior está no mosquito que transmite a doença. A fêmea pica cães ou outros animais contaminados e depois pica o homem, transmitindo o protozoário Leishmania chagasi.

Roberta Machado ressalta que, apesar de grave, a leishmaniose visceral tem tratamento gratuito na rede de serviços do Sistema Único de Saúde (SUS).

A veterinária alerta para a necessidade de a população colaborar para evitar que a enfermidade se espalhe. Para isso, é necessário limpar os abrigos de animais domésticos, especialmente durante a noite, para reduzir a atração dos mosquitos parasitas para dentro do domicílio.

Roberta disse ser preciso conscientizar a população sobre os riscos da leishmaniose, afirmando que “os cães são tão vítimas como os seres humanos, porque não são capazes de transmitir a doença e, sim, os mosquitos”.

A veterinária não vê a matança de cães como forma de diminuir o avanço da doença. Ela aposta na higienização e explica que “a sociedade, com o devido suporte dos órgãos públicos, pode promover o controle desses mosquitos, limpando quintais, lotes vagos, eliminando matéria orgânica”.

CASTRAMÓVEL

Nos dias 30 de setembro e 1º de outubro, será realizado um mutirão de castração de animais em Montes Claros, a baixo custo, com o apoio de ONGs no Centro de Controle de Zoonoses, na avenida Antônio Lafetá Rebelo, bairro Santa Lúcia II.

No mês de junho, o Castramóvel da ONG Ajuda, de Juiz de Fora, realizou mais de 400 castrações em Montes Claros. Há dois anos a Prefeitura não oferece o serviço.

*Por Manoel Freitas