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Agricultores familiares do Semiárido estão vivendo um novo tempo

Agricultores familiares do Semiárido estão vivendo um novo tempo

Todos os dias, o senhor José Elier Alves Barros, agricultor familiar da comunidade Baixão do Cedro, no município de Santa Filomena, no Maranhão, acorda cedo para cuidar da sua lavoura. Aos 62 anos de idade, casado com Maria Alves Barros, ele trabalha no lote da família com uma produção diversificada com cultivos temporários de arroz, milho, hortaliças, suinocultura e avicultura.

Agricultores familiares do Semiárido estão vivendo um novo tempo
Agricultores familiares do Semiárido estão vivendo um novo tempo

 

Além das dificuldades peculiares do Semiárido, o senhor José Elier tem outro desafio para cuidar de sua produção. Aos 30 anos ele sofreu um acidente de moto e perdeu a visão. Mas isso não o fez parar. Ao contrário. “Deficiência visual não me impede de produzir”, garante.

O agricultor desenvolveu um sistema de fios e cordas para se orientar na roça plantada de milho, e chega a colher 500 espigas de milho verde por semana, que além de garantir o sustento da família, também é comercializado na feira municipal, vendido para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e incrementa a merenda das escolas do município, através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

A família do senhor José Elier é uma das 900 beneficiárias do projeto D. Helder Câmara, que estão recebendo assistência técnica visando a promoção social e estruturação produtiva no Semiárido brasileiro. O projeto é realizado pelo Governo Federal, em parceria com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e com a Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater).

No Maranhão, o projeto integra 2.917 famílias de agricultores em 70 municípios e as ações são executadas em parceria com a Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e de Extensão Rural do Maranhão (AGERP), que presta assistência a 1.750 famílias em 18 municípios, e com a GR Assessoria e Planejamento de Projetos Agropecuários, responsável pela execução das ações em 52 municípios, beneficiando 1.167 famílias de agricultores, quilombolas e comunidades tradicionais.

Segundo Hector Leão de Sousa, coordenador da GR Assessoria, as ações do projeto começaram há sete meses e já é possível aferir resultados positivos. “Mesmo com algumas dificuldades, nestes sete meses de serviços conseguimos avançar na realização das atividades contratadas com a Anater, e, em parceria com outros órgãos do Governo, promover o acesso a outras políticas públicas, como Garantia Safra, Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), Documento de Aptidão ao Pronaf (DAP), kits de irrigação, Fomento Produtivo e Fomento Mulher, doação de sementes de milho e arroz, além de promoção de feiras de comercialização da agricultura familiar”, avalia.

De acordo com o coordenador, os técnicos que atuam no projeto passaram por um curso de qualificação, garantindo a efetividade das ações propostas pela Anater, que tem um viés no desenvolvimento comunitário, visando gerar conhecimento dentro da própria comunidade.

VALORIZAÇÃO DAS MULHERES RURAIS

Entre os resultados do projeto PDHC no Maranhão, Hector Leão destaca a valorização das mulheres rurais, que são responsáveis mais da metade da produção de alimentos. “As mulheres agricultoras exercem um importante papel na preservação da biodiversidade e garantem a soberania e a segurança alimentar ao se dedicarem à produção de alimentos saudáveis, mas, por outro lado são as que vivem em maior situação de desigualdade social, política e econômica. Apenas 30% são donas formais de suas terras, e 10% conseguem ter acesso a créditos e 5%, a assistência técnica. O projeto D. Helder Câmara tem a proposta de mudar essa realidade, valorizando e motivando as mulheres do campo a serem protagonistas no desenvolvimento em suas comunidades”, ressalta.

INCLUSÃO PRODUTIVA

De acordo com o coordenador, em alguns municípios da região central do Maranhão, onde a GR Assessoria está atuando, muitas comunidades estão recebendo serviços de Ater pela primeira vez.  “Nesses municípios, promovemos reuniões de mobilização, em parceria com representantes da Agerp, da secretaria municipal de Agricultura, do Sindicato, de lideranças comunitárias, para apresentar o projeto. Em alguns municípios, devido à distância e às condições das estradas é difícil o acesso do técnico às comunidades rurais, e também para o agricultor levar seus produtos para comercializar na cidade. Além disso, a maioria das famílias está iniciando suas atividades produtivas, o que torna difícil encontrar alguém responsável pela unidade familiar em casa, e na reunião tivemos a oportunidade de explicar a importância de receber o acompanhamento do técnico para melhorar a produtividade e a rentabilidade familiar”, relata.

Emocionado, Hector Leão conta que a história do senhor José Elier é um indicador de que o projeto D. Helder Câmara é realmente um grande benefício para as comunidades do Semiárido. “Quando iniciamos as ações na comunidade Baixão do Cedro e conhecemos o Sr. José Elier e sua determinação em não se dobrar às dificuldades e fazer sua roça dar certo, vimos que o seu potencial era enorme. Nossa equipe técnica, então, o cadastrou e está articulando, em parceria com a Agerp/SAF, para que ele receba um kit de irrigação. Com o auxílio deste equipamento e assistência técnica regular ele poderá ter um aumento de produção para 1.000 espigas de milho por semana no próximo ano agrícola”, comemora.

PROJETO D. HELDER CÂMARA

Em sua segunda fase, o projeto D. Helder Câmara está beneficiando agricultores dos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe (Nordeste), Minas Gerais e Espírito Santo (Sudeste).

As ações do projeto têm previsão de execução até 2020, mas, de acordo com o oficial de programas do FIDA, Hardi Vieira, já existem propostas para continuidade do projeto. “Uma delas é de prorrogação da segunda fase por mais dois anos, exatamente para garantir um mínimo de três anos para oferta de Ater. Também estamos verificando a possibilidade de agregar investimentos produtivos, fomento, para valorizar ainda mais a assistência técnica em termos de renda, de produção e de agregação de valor”, completa.

O diretor do Departamento de Estruturação Produtiva do MAPA, Avay Miranda Júnior, explica que a proposta do governo é de que essa fase tenha início imediato.  “O Governo Federal tem como objetivo estratégico a atuação no Nordeste brasileiro, especialmente no Semiárido, sem perder de vista o recobrimento de todo o país com políticas públicas. E o projeto D. Helder Câmara nos propicia ferramentas para atuar diretamente nas cidades mais necessitadas, que são aquelas com até 10 mil habitantes do Semiárido, muitos vivendo em situação de vulnerabilidade social”, justifica.

O assessor jurídico da Anater, Fabrício Sena, explica que a Anater criou um modelo de gestão que possibilita agilidade, celeridade e segurança nos processos, com capacidade para atender às demandas conforme suas especificidades, e esse modelo vem sendo aplicado com resultados satisfatórios na segunda fase do PDHC. “O projeto D. Helder Câmara tem uma particularidade porque, além do forte viés social, ele abrange uma região extensa, que sofre com os rigores da estiagem prolongada, mas que também apresenta um grande potencial produtivo quando adotados tratos culturais adequados e sistemas que assegurem a convivência do homem com a seca. Com essa complexidade, o PDHC se configura como uma oportunidade de aferir como a Ater, junto com as demais políticas públicas, é capaz de mudar para melhor a vidas das pessoas.

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Um comentário

  1. Gostei muito do seu post, muito bom

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