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Pesquisadores da UFMG e UFV publicam carta na Science contra queimadas na Amazônia

Pesquisadores da UFMG e UFV publicam carta na Science contra queimadas na Amazônia

Desde agosto, as queimadas na região Norte do país preocupam pesquisadores e lideranças nacionais e internacionais. As investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) apontam para indícios de incêndios criminosos realizados para o avanço do agronegócio. Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade Federal de Viçosa (UFV) publicaram, na última semana, uma carta na Revista Science que aponta a relação entre as políticas ambientais adotadas na gestão do presidente Jair Bolsonaro e os incêndios na região amazônica.

Professora do ICA UFMG Rubia Fonseca, uma das autoras do documento – foto Amanda Lelis

 

De acordo com os pesquisadores, é necessário investimento público para o desenvolvimento de tecnologias visando a recuperação de áreas improdutivas, ao invés do incentivo ao desmatamento com foco no aumento da produtividade do agronegócio. Conforme destacam na publicação, a redução da cobertura florestal traz impactos negativos à economia, ao ambiente e ao clima, culminando no prejuízo à produtividade do próprio agronegócio.

Assinam a carta o pós-doutorando do Instituto de Geociências, Daniel Arruda e Rúbia Fonseca, professora do Instituto de Ciências Agrárias, ambos da UFMG, e Hugo G. Candido, do Departamento de Solos e Nutrição de Plantas da UFV.

Leia a carta na íntegra, traduzida do texto original publicado na Science em 27 de setembro de 2019:

Fogo na Amazônia ameaça agronegócio

Sob a direção de seu novo presidente, Jair Bolsonaro, o Brasil tem recentemente sofrido uma série de desastrosas mudanças nas políticas ambientais (1), incluindo cortes nas agências do governo responsáveis pelo monitoramento e fiscalização ambiental (2). Encorajados pela pobreza da fiscalização, fazendeiros em busca de mais pastagens proporcionam aumento alarmantes no desmatamento e colocam fogo para limpar áreas (3), atingindo áreas protegidas e terras indígenas (4). Queimadas de florestas para criar novas pastagens e plantações são ambientalmente e economicamente insustentáveis.

Aproximadamente 20% da cobertura florestal amazônica já foi perdida e a estimativa é que essa realidade chegue a 40% em 2050 (5). Os ciclos de automanutenção da floresta já estão comprometidos e podem levar a um colapso total da floresta (6). A redução da cobertura da floresta tem impactos econômicos: estima-se que a evapotranspiração da floresta amazônica libere diariamente na atmosfera mais água do que a quantidade liberada pelo próprio rio Amazonas (7). Parte dessa umidade flui para as regiões sudeste, sul e oeste do Brasil, e são responsáveis por 70% do produto interno bruto (PIB) do continente (7). Se a Amazônia não produzir mais chuvas para os cultivos do país, o Brasil terá uma perda estimada em trilhões de dólares nos próximos 30 anos (8). Para o mesmo período, as projeções mostram reduções na produção de soja em 25 a 60% e reduções na produtividade das pastagens em 28 a 33% (9).

Cerca de 24% do PIB do Brasil vem do agronegócio (10). A guerra comercial entre os Estados Unidos e a China aumentou a demanda por commodities brasileiras e, por sua vez, impulsionou o desmatamento na Amazônia (11). No entanto, devido as atuais políticas ambientais do Brasil divergirem dos interesses da União Europeia, a demanda por exportações pode diminuir, ameaçando a sustentabilidade econômica do agronegócio. O Brasil precisa investir em tecnologia para recuperar áreas improdutivas, em vez de desmatamento para manter o aumento da produtividade (12). Por isso, é vital para a economia brasileira, bem como para o meio ambiente, que os produtores de grãos e carne do Centro-Oeste, Sudeste e Sul se unam contra as atuais políticas ambientais e exijam treinamento e tecnologia, em vez de anistia por crimes ambientais.

Daniel Arruda1*, Hugo G. Candido2, Rúbia Fonseca3

1Instituto de Geociências, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. 2Departamento de Solos e Nutrição de Plantas, Universidade Federal de Viçosa (UFV), Viçosa, Minas Gerais, Brasil. 3Instituto de Ciências Agrárias, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Montes Claros, Minas Gerais, Brasil.

*Corresponding author. E-mail: [email protected]

Como citar: Arruda D.M., Candido H.G., Fonseca R.S. Amazon fires threaten Brazil’s agribusiness. Science, 365(6460), pp. 1387, 2019.

DOI: 10.1126/science.aaz2198

Referências:

1. A.    Trigueiro,    “15    pontos    para    entender    os    rumos    da    desastrosa    política    ambiental    no    governo    Bolsonaro”    G1    (2019) https://g1.globo.com/natureza/blog/andre-trigueiro/post/2019/06/03/15-pontos-para-entender-os-rumos-da-desastrosa-politica-ambiental-no-governo-bolsonaro.ghtml [in Portuguese].

2. E. J. A. L. Pereira et al., Environ. Sci. Pol. 100, 8 (2019).

3. L.   Machado,   “O   que   se   sabe   sobre   o   ‘Dia   do   Fogo’,   momento chave   das   queimadas   na   Amazônia”   BBC   News   Brasil   (2019)  www.bbc.com/portuguese/brasil-49453037 [in Portuguese].

4. J. Oliveira, “Onda de incêndios na Amazônia sobe e Governo admite descontrole ‘criminoso’” El País (2019)  https://brasil.elpais.com/brasil/2019/08/21/politica/1566407148_180887.html [in Portuguese].

5. B. S. Soares Filho et al., Nature 440, 10821 (2006).

6. T. E. Lovejoy, C. Nobre, Sci. Adv4, eaat2340 (2018).

7. A. D. Nobre, “O futuro climático da Amazônia: Relatório de avaliação científica” (2014)  www.socioambiental.org/sites/blog.socioambiental.org/files/futuro- climatico-da-amazonia.pdf [in Portuguese].

8. D. M. Lapola et al., Proc. Natl. Acad. Sci. U.S.A115, 11671 (2018).

9. L. J. Oliveira et al., Environ. Res. Lett8, 024021 (2013).

10. N. R. Castro, “Labor productivity increases more in agribusiness than in Brazil and boosts sector GDP” CEPEA (2019)C www.cepea.esalq.usp.br/en/opinion/labor-productivity-increases-more-in-agribusiness-than-in-brazil-and-boosts-sector-gdp.aspx.

11. R. Fuchs et al., Nature 576, 451 (2019).

12. L. C. Dias et al., Glob. Change Biol22, 2887 (2016).

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