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Revolucionária, popular e atual: os 70 anos da TV brasileira

Revolucionária, popular e atual: os 70 anos da TV brasileira

Parque Sólon de Lucena, centro de João Pessoa. O menino Humberto Mesquita, de 12 anos, presencia um dos momentos-chaves da história brasileira recente. “Lembro-me bem quando Chateaubriand foi a João Pessoa. Eu era uma criança, mas fiquei empolgado e orgulhoso ao ver um paraibano mostrando aquilo que ia acontecer dentro em breve. Achei uma coisa maravilhosa”, recorda Mesquita.

Desde o seu surgimento, em 1950, a televisão testemunha e massifica as transformações na sociedade brasileira
Desde o seu surgimento, em 1950, a televisão testemunha e massifica as transformações na sociedade brasileira Foto: Portal Memoria Brasileira/Divulgação

 

De fato, pouco tempo depois daquela reunião em praça pública, uma parcela restrita dos brasileiros pôde ver ao vivo algo que só sabiam de ouvirem falar em comentários curiosos e ansiosos. Em 18 de setembro de 1950, a TV Tupi, fundada pelo jornalista e empresário paraibano Assis Chateaubriand (1892-1968), nasceu para fazer a primeira transmissão televisiva no país.

Ao completar 70 anos, a data nos remete a uma revolução com efeitos nos costumes da sociedade e na maneira de se consumir informação e entretenimento. Escritor e jornalista com passagens pelas TVs Excelsior, Tupi e Bandeirantes, além de grandes veículos da imprensa escrita, Henrique Mesquita, hoje com 82 anos, participou e viu de perto praticamente todas as transformações estéticas e tecnológicas pelas quais a televisão passou no país, já que ele começou a carreira em 1961, pouco mais de uma década depois da primeira transmissão da Tupi e do início da sua caminhada sem precedentes em território nacional.

“O impacto foi muito forte, a televisão era um passo enorme numa direção da alta tecnologia visual”, ele recorda. Outro momento marcante, diz o jornalista, foi o advento das transmissões em cores, já nos anos 70. “Constatamos a evolução da própria televisão, e também fiquei muito impressionado. A TV colorida foi um passo fantástico, veio coroar todo esse espetáculo que nos foi proporcionado pela tecnologia da época”, completa. Em maio, Mesquita lançou “Coisas Que Eu Vi” (Alameda Editorial), livro que percorre acontecimentos importantes do jornalismo e da TV brasileira no último meio século.

O Brasil foi o primeiro país da América do Sul a ter uma emissora de TV – e o sexto do mundo a entrar nessa lista. No entanto, os primeiros passos em direção a certo profissionalismo foram dados à base de muitas experimentações. “(No começo) não tínhamos técnica de transmissão ou de filmagem, o aparato era muito caro, e havia pouco investimento na qualidade técnica, era tudo muito precário ainda. Contávamos com o modelo americano, mas não tínhamos dinheiro para implementar, então tudo foi feito com jeitinho e improvisação”, comenta o professor e pesquisador da Universidade Federal de Uberlândia, Reynaldo Maximiano.

A primeira metade dos anos 50 representou o início de um fenômeno ainda restrito a Rio de Janeiro e São Paulo. Em meados da década, Belo Horizonte teve inaugurada a TV Itacolomi, a terceira emissora do país, seguida por Recife, em 1960.

Segundo o jornalista e pesquisador Gabriel Priolli, que foi editor na Globo e na Record e diretor executivo na Bandeirantes e na TV Gazeta, o estágio da TV durante os anos 50 era ainda embrionário, e seu principal impacto sobre a sociedade brasileira naquele contexto está no campo simbólico: “O primeiro efeito é de um ideia de atualização com a contemporaneidade. Para a autoestima de um país subdesenvolvido e colonial, isso é importante. Com a TV, é como se a gente tivesse lançado um foguete e colocado o homem em órbita. Tem essa dimensão simbólica de atualização tecnológica”.