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Leandro Heringer
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Coluna de Leandro Heringer – Divertidamente: celebrar é preciso!

Um filme para toda a família abordando a saúde mental. A melhor estreia de uma animação no Brasil, com R$ 96,3 milhões. Uma mania que causa engajamento na Internet. Várias são as definições de “Divertidamente 2”, animação da Pixar lançada em 20 de junho de 2024.

Não raro as continuações são temidas após o sucesso da obra original. “Divertidamente 2” cumpre duas funções: é continuação e evolução do primeiro filme. Explorar as emoções de Riley, personagem central, em sua entrada na adolescência é um desafio.

A primeira animação, lançada em 2015, abordava sentimentos da infância: Raiva, Medo, Nojinho, Alegria e Tristeza. Todos, em algum momento de nossas vidas, reconhecemos essas sensações. A potencial universalidade dessas emoções facilita a abordagem original.

Contudo, demonstrar como a vida torna-se complexa com novos sentimentos mostra a maturidade da proposta da franquia. Ansiedade, Inveja, Tédio e Vergonha são acrescentados ao mundo de Riley e conhecer as sensações, suas funcionalidades e relações faz parte do crescimento e amadurecimento.

O tédio pode ser estratégia. A vergonha pode ser um limitador para ações. A inveja ocorre em determinadas situações. Mas, a ansiedade…Esse sentimento deve ser visto, percebido, admitido e tratado com muita sabedoria e maestria. A mesma maestria com que foi apresentada a cena de crise de ansiedade de Riley. Cada sentimento tem uma função para a personalidade. Todas as emoções são úteis. Saber lidar com elas é um desafio desde a infância até a velhice.

É importante ressaltar que assistir ao filme em família pode ser um grande programa. Conversar sobre o filme e, por consequência, de sentimentos potencializa a proximidade entre membros da família. Um bate-papo descontraído compartilhando situações e vivências substitui os tradicionais “sermões”.

Pais contarem casos e anedotas desprovidos de julgamentos fazem com que filhos se sintam à vontade para fazer o mesmo. Romantizar e idealizar a vida sem mostrar a complexidade que faz parte da trajetória pode prejudicar a percepção da realidade e gerar um outro sentimento importante e não abordado no filme: a frustração.

Mas, não é hora de inserir a frustração na estória. Divertidamente ou divertida mente. É preciso celebrar os momentos, as alegrias e os sentimentos. Fazem parte da história. Humanizar as sensações e trazê-las para o cotidiano. Assim, talvez possamos ter a vida mais leve e alegre.