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Romance de Carlos Galvão resgata memórias da ditadura e provoca reflexão entre jovens leitores
Romance de Carlos Galvão resgata memórias da ditadura e provoca reflexão entre jovens leitores

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Montes Claros, MG — 22 de agosto de 2025, o escritor e psiquiatra Carlos Augusto Ferreira Galvão lançou o romance “Quando Caem as Cinzas”, obra que mergulha nos bastidores da repressão militar brasileira e busca preservar a memória histórica entre as novas gerações. Ambientado na Amazônia durante os anos de chumbo, o livro mistura ficção e realidade para retratar os impactos da ditadura sobre civis, militantes e profissionais da saúde.

Um protagonista entre a medicina e a resistência

Na trama, o jovem médico Benedito inicia sua carreira em Marabá, no Pará, e se vê envolvido em um cenário de perseguições, desaparecimentos e conflitos armados. Ao se aproximar da Guerrilha do Araguaia, ele passa a questionar o silêncio institucional e a violência promovida pelos órgãos de repressão. A narrativa, construída em primeira pessoa, revela a transformação de um homem comum diante da brutalidade do regime.

Literatura como antídoto contra o esquecimento

Segundo o autor, a obra é uma resposta ao apagamento da memória política no Brasil. “A ditadura militar perturbou minha juventude. Vejo que muitos jovens desconhecem essa história, e há quem tente enaltecê-la. Meu livro é uma forma de resistência contra esse esquecimento”, afirma Galvão, que viveu parte da sua formação profissional na região retratada no romance.

Amazônia como território simbólico

Mais do que cenário, a Amazônia é apresentada como espaço de luta, apagamento e sobrevivência. Nascido em Santarém, o autor imprime à obra uma densidade emocional e geográfica que conecta o leitor à realidade dos povos da floresta e à complexidade política do período.

Escrita confessional e impacto social

Inspirado pelo romancista finlandês Mika Waltari, Galvão opta por uma estrutura narrativa em primeira pessoa, que confere ao texto uma dimensão íntima e visceral. “Quero que o leitor sinta raiva da ditadura. Que reflita, questione e se posicione”, diz o autor, que espera alcançar especialmente os jovens com sua obra.

Sobre o autor

Carlos Augusto Galvão é médico psiquiatra, formado pela Universidade Federal do Pará. Reside em São Paulo e atua como escritor, poeta e cronista. É autor de “A Terra de Tupã” e membro ativo da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores (SOBRAMES-SP), da qual foi presidente em duas gestões.

Jornal Montes Claros | Texto: Jornal Montes Claros – com informações da produção editorial

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